Uma Noite de Harmonia e Emoção
No coração do Teatro Rival Petrobras, Claudio Nucci e Zé Renato capturaram a essência da música brasileira com um show que remete a um Brasil bucólico e poético. Com apenas seus violões e vozes, a dupla encantou o público, trazendo à tona recordações de uma era musical rica e nostálgica. Desde a primeira apresentação, o espetáculo, que celebra os 40 anos do álbum “Pelo sim pelo não” (1985), se transformou em um reencontro de emoções e histórias contadas através de notas e letras.
Mesmo após quatro décadas, a conexão entre os artistas parece inabalável. No palco, Zé Renato e Claudio Nucci se apresentaram lado a lado, criando um ambiente intimista que permitiu momentos de solos espetaculares. Com interpretações de clássicos como “Ânima”, uma composição de Zé Renato e Milton Nascimento, e “Flor de muçambê”, uma parceria inédita entre Zé e Chico César, os artistas mostraram que suas vozes continuam a ressoar com a mesma força de antes. Nucci também teve seu espaço, apresentando “Quero quero” e “Meu silêncio”, este último uma composição que evoca profundas emoções, especialmente quando lembramos da interpretação marcante de Nana Caymmi.
A Seara Mineira em Notas
Vindo das influências mineiras, a apresentação incluiu “A bandeira do porvir”, uma obra de Milton Nascimento e Márcio Borges, que, embora tenha estreado em um espetáculo sinfônico em 2012, ganhou vida nova sob a interpretação da dupla. A canção, que será lançada como parte do single comemorativo de 2025, seguiu a tradição de belas melodias que refletem a riqueza cultural de Minas Gerais.
Juntamente com “Quinhentas mais”, uma versão em português de “Five hundred miles”, a noite foi um passeio musical por clássicos que moldaram a música popular brasileira. A versão de “Quinhentas mais” lembrava as raízes do folk americano, enquanto “A hora e a vez” e “Pelo sim pelo não” trouxeram à tona memórias da novela “Roque Santeiro”, imortalizando canções que se tornaram parte da cultura do país. A harmonia das vozes de Nucci e Zé Renato impressionou ao transitar suavemente entre registros graves e agudos, criando momentos mágicos que transportavam a plateia.
Redescobrindo Clássicos
Durante o show, a dupla não hesitou em revisitar músicas que foram cortadas do álbum original. “Eu sambo mesmo”, um samba de Janet de Almeida, ganhou nova vida com arranjos que ampliaram sua sonoridade. A interpretação ao vivo superou a gravação de 1985, trazendo uma nova intensidade à obra.
A apresentação ainda passou por “Blackbird”, de Lennon e McCartney, e “Lamento Sertanejo”, de Dominguinhos e Gilberto Gil, peças fundamentais que fizeram o público vibrar. As lembranças de “As moças”, uma composição de Zé Renato e Juca Filho, também trouxeram à tona a força de um repertório que sempre se renova.
Um Grande Encerramento
O show culminou em um bis com “Quem tem a viola”, uma composição que sintetiza a alta astral da apresentação e a harmonia perfeita entre as vozes da dupla. O clima folk que emanava das cordas dos violões trouxe a atmosfera de rio e mar, enriquecendo ainda mais a experiência para todos os presentes.
Com um repertório que flutua entre a nostalgia e a contemporaneidade, Zé Renato e Claudio Nucci mostraram que a música brasileira é um tesouro que continua a reverberar. O encontro dos artistas não apenas celebrou quatro décadas de trajetória, mas também reafirmou a importância da música como forma de unir passado e presente, criando memórias que perduram no tempo.
