Análise das Declarações de Zema
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, do partido Novo, voltou a ser alvo de críticas ao abordar a crise econômica da Venezuela. Em um pronunciamento nas redes sociais, Zema expressou sua expectativa de que a queda do presidente Nicolás Maduro traga ao povo venezuelano um novo horizonte de paz, estabilidade e desenvolvimento. Ele responsabilizou o chavismo pelo isolamento da Venezuela e pela devastação de sua economia, além da migração de milhões de cidadãos.
Essas declarações acontecem em um contexto de crescente tensão no país vizinho, que inclui uma ação militar dos Estados Unidos e o sequestro de Maduro e sua esposa, Cilia Flores. No último domingo, manifestações pacíficas em Caracas exigiram a liberdade do presidente e criticaram a ingerência externa. As manifestações, que começaram no sábado, se espalharam por várias regiões da capital e foram acompanhadas por atos de solidariedade em países como Estados Unidos, Reino Unido, Argentina, México, Chile, Brasil e Cuba.
Protestos e Reações Internacionais
As multidões que foram às ruas rejeitaram a intervenção internacional, considerando a ofensiva dos EUA como parte de uma política de longa data de hostilidade contra a Venezuela. A reação de Zema foi vista como um alinhamento ao discurso norte-americano, desconectando-se da realidade da situação internacional e contradizendo a situação econômica de Minas Gerais.
Ao afirmar que o chavismo arruinou a economia da Venezuela, Zema ignora fatores cruciais da crise, como as sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos desde 2015. Weslley Cantelmo, economista e doutor pelo Cedeplar/UFMG, argumenta que essa declaração revela “desinformação ou má-fé”. Ele explica que as sanções, como os bloqueios à estatal PDVSA e restrições à comercialização de petróleo, criaram um cenário de colapso econômico e social.
Minas Gerais em Crise
A crítica a Zema se intensifica quando comparada à gestão dele em Minas Gerais. A dívida do estado com a União aumentou quase 100% durante seu governo, subindo de R$ 88,7 bilhões em 2019 para R$ 177,5 bilhões em 2025. Esse período também foi marcado por um aumento na sonegação fiscal e pela concessão de benefícios a grandes setores, como mineradoras e empresas de locação de veículos.
Cantelmo ressalta que Zema demonstra uma falta de conhecimento sobre a real situação da Venezuela e critica sua retórica. Ele destaca que os problemas econômicos enfrentados pelo país latino-americano são em grande parte resultado das sanções dos EUA, que visam criar um estado de caos e desestabilização.
Liberdade e Responsabilidade
Outra declaração polêmica de Zema foi a sugestão de que a Venezuela deveria se “abrir novamente, com liberdade, responsabilidade, democracia e oportunidades”. Para Cantelmo, essa retórica parece mais uma estratégia política interna do que uma análise realista da situação. Ele acredita que essa abordagem, que agrada um público específico alinhado ao bolsonarismo, é uma tentativa de Zema de se projetar no cenário nacional.
Limites Diplomáticos e Alinhamento Político
O posicionamento de Zema sobre a Venezuela também revela limitações em sua capacidade diplomática. Segundo Cantelmo, Zema e outros líderes políticos, como Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, carecem de um projeto político sólido para o Brasil e, portanto, se vinculam a uma agenda externa, promovendo interesses alheios. Essa aliança, na perspectiva do economista, se resume a uma traição, onde os líderes podem receber ganhos políticos e econômicos em detrimento da soberania brasileira, atuando como intermediários em um projeto norte-americano.
“Zema, Tarcísio e outros líderes se comportam como vassalos, se colocando em papéis que favorecem a exploração do país por potências estrangeiras”, conclui Cantelmo, alertando para a falta de uma visão diplomática mais avançada.
O discurso de Zema evidencia a necessidade de um debate mais aprofundado sobre as relações internacionais do Brasil e seu impacto nas políticas internas.
