Privatizações: A Mãe de Todas as Bandeiras de Zema
Romeu Zema (Novo) inicia sua pré-candidatura à Presidência defendendo a privatização dos Correios, resgatando uma estratégia que o ajudou a conquistar o governo de Minas Gerais em 2018. O discurso, familiar e recorrente, sustenta que o Estado não deve gerenciar empresas, uma vez que, segundo ele, as estatais consomem energia política e a eficiência precisa ser estabelecida por meio do mercado, sempre sob regulação adequada.
Durante seus dois mandatos em Minas, Zema, que ingressou na política como um outsider e empresário, prometeu reduzir a presença do Estado e privatizar ativos públicos para lidar com a crise fiscal. Ao longo de sua gestão, ele buscou implementar as condições políticas e legais necessárias para a execução de seu plano. O marco mais significativo foi a autorização para a privatização da Copasa, aprovada no final de 2025 após alterações na Constituição estadual que desobrigaram a realização de um referendo popular. Essa privatização foi integrada ao Propag, um programa federal de renegociação da dívida, como uma forma de transformar ativos públicos em ajustes fiscais.
Desafios e Resistências na Privatização da Cemig
No entanto, o objetivo principal da privatização não se concretizou. A Cemig, identificada desde a campanha de 2018 como peça-chave no projeto liberal de Zema, não foi privatizada. O debate sobre sua federalização e mudanças no modelo societário foi intenso, mas a empresa terminou seu mandato em um impasse, assim como a Codemge e o MGI. Fatores como resistência política, exigências legais e o custo eleitoral associado à operação impediram o avanço dessa proposta.
É nesse contexto que a defesa de Zema pela privatização dos Correios ganha relevância. Ao elevar a discussão a um patamar nacional, ele escolhe tocar em um símbolo poderoso e delicado. A privatização dos Correios não é uma ideia nova no Brasil; a empresa foi incluída no Programa Nacional de Desestatização em 2021, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). A proposta previa a venda do controle acionário, com cláusulas que garantissem a universalização do serviço postal. Embora tenha avançado na Câmara dos Deputados, o projeto foi barrado no Senado devido a resistências políticas e sociais. Com a chegada do presidente Lula (PT) ao cargo, o processo foi adequado e retirado da agenda federal.
Complexidade da Privatização dos Correios
Os Correios são uma instituição que opera em todos os municípios brasileiros, mesmo em locais onde a viabilidade econômica é questionável. Qualquer proposta de privatização que envolva essa empresa traz consigo a necessidade de discutir subsídios cruzados, a manutenção de agências, a definição de tarifas e a garantia do serviço universal. Trata-se de um processo que é tanto complexo quanto politicamente sensível, apresentando grande potencial de desgaste. Quando Zema defende essa privatização, não apresenta um novo plano detalhado; ele simplesmente reafirma a noção de que o Estado deve regular, enquanto o mercado deve operar.
Esse movimento, por sua vez, reforça sua identidade política, embora não indique uma viabilidade imediata. Zema está iniciando sua pré-campanha reafirmando o liberalismo econômico que sempre fez parte de sua trajetória. Em Minas, ele conseguiu implementar algumas mudanças e avançou parcialmente em suas propostas, mas não conseguiu entregar a privatização da Cemig, que era o principal símbolo de seu projeto. Ao levar a questão dos Correios para o debate nacional, Zema amplia a promessa que já vinha sendo feita em sua gestão.
