MDB de Minas e a Questão da Filiação
O MDB de Minas Gerais enfrenta uma situação delicada ao resistir à filiação do senador Rodrigo Pacheco (PSD) para a disputa ao governo do estado nas eleições de outubro. Pacheco, ex-presidente do Senado, é o candidato preferido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto o PSD, seu partido atual, já filiou o vice-governador Mateus Simões para concorrer à sucessão de Romeu Zema (Novo).
Na última quarta-feira à noite, o deputado federal Newton Cardoso Jr., que preside o MDB em Minas, recebeu uma ligação de Gleide Andrade, tesoureira nacional do PT e também mineira, que queria saber quando aconteceria a filiação de Pacheco, já considerada como certa por ela. O emedebista, no entanto, respondeu que estava tão no escuro quanto Andrade, já que não havia acordos formais com o senador.
Após essa conversa constrangedora, Edinho Silva, presidente nacional do PT, tratou de entrar em contato com Cardoso para discutir a possível filiação. A expectativa dentro do partido de Lula é que o MDB se una ao palanque do presidente, especialmente sendo Minas Gerais o segundo maior colégio eleitoral do Brasil.
Em novembro do ano passado, o MDB já havia lançado o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo, como pré-candidato ao governo, evidenciando que a legenda tem suas próprias pretensões eleitorais.
A Contestação da Candidatura
Recentemente, Azevedo utilizou suas redes sociais para divulgar uma mensagem de WhatsApp atribuída a Pacheco, onde o senador negou ter conversado sobre uma possível candidatura ao governo de Minas pelo MDB. Na mensagem, Pacheco afirma: “Amigo, nenhuma declaração dei sobre candidatura, tampouco sobre o MDB”. O senador também mencionou que havia alertado o presidente nacional do MDB, o deputado Baleia Rossi (SP), e Newton Cardoso Jr. sobre sua posição.
Após a divulgação dessa mensagem, Azevedo relatou ter feito uma ligação para Pacheco, durante a qual os dois conversaram por cerca de sete minutos, e o ex-vereador afirmou que o senador pediu que ele comunicasse a sua negativa sobre a candidatura.
Alinhamento com o PSDB
Enquanto a situação em torno do MDB permanece indefinida, Pacheco tem avançado na construção de alianças. Ele se reuniu na última terça-feira com o deputado Aécio Neves (PSDB-MG). Essa conversa, noticiada inicialmente pelo portal Metrópoles, discutiu diretamente o posicionamento do PSDB em Minas e a possibilidade de uma convergência em torno do projeto político do senador.
De acordo com fontes próximas aos envolvidos, o PSDB tem a intenção de apoiar Pacheco, independentemente do desfecho político — seja no caso de Pacheco se lançar como candidato ao governo ou de apoiar outra proposta política. Entretanto, Aécio, que tem sinalizado publicamente um possível interesse em se candidatar ao governo ou ao Senado, tem afirmado em círculos privados que sua meta real é buscar a reeleição para a Câmara. Como presidente nacional do PSDB, ele está focado em manter um papel de destaque na definição das estratégias da legenda em Minas Gerais.
