Agenda Estratégica de Lula em Minas Gerais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está de volta a Minas Gerais nesta sexta-feira (20/3), com uma programação que inclui anúncios relevantes de investimentos federais e um aprofundamento nas negociações políticas relacionadas à sucessão estadual. Com compromissos em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e em Sete Lagoas, Lula contará novamente com a presença do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). O Palácio do Planalto vê Pacheco como uma peça-chave na formação de um palanque eleitoral em 2026.
A presença do senador foi analisada por aliados como um movimento estratégico de Lula, com o intuito de pressioná-lo a definir seu futuro político. O Estado de Minas Gerais é considerado fundamental para a reeleição de Lula, que até o momento não possui um palanque estruturado que o apoie formalmente.
Inaugurações e Investimentos em Betim
A agenda terá início pela manhã em Betim, onde Lula participará da inauguração de uma usina fotovoltaica na Refinaria Gabriel Passos (Regap), uma unidade da Petrobras situada entre Betim, Igarapé e Sarzedo. Neste evento, além de destacar a importância da transição energética, é esperado que o presidente anuncie novos investimentos para o setor industrial local. Ele será recebido pelo prefeito Heron Guimarães (União Brasil).
Às 13h15, a comitiva presidencial seguirá para Sete Lagoas, onde Lula visitará a fábrica da montadora Iveco. Durante essa visita, o presidente anunciará a entrega de 324 ônibus escolares através do programa Caminho da Escola, uma iniciativa do Ministério da Educação. O ministro Camilo Santana estará presente na cerimônia, onde 158 veículos serão entregues simbolicamente a prefeitos de diversas regiões do país.
Essa ação representa o início da distribuição de mil ônibus da segunda etapa do Novo PAC Seleções, que conta com um investimento estimado em cerca de R$ 500 milhões. O governo federal enfatiza que esses veículos serão destinados, principalmente, a estudantes da educação básica que residem em áreas rurais ou de difícil acesso. O objetivo é ampliar o acesso às escolas e garantir mais segurança no transporte escolar, um passo importante para fortalecer a infraestrutura educacional em municípios do interior.
Negociações Políticas e Desafios para Pacheco
Politicamente, a visita de Lula a Minas Gerais se dá em um período crucial para as negociações com o senador Pacheco. Embora o senador tenha evitado confirmar sua candidatura ao governo do Estado, ele vem se reaproximando de Lula nas últimas semanas, após um afastamento que ocorreu anteriormente. Em dezembro, Pacheco recusou um convite para participar de um evento presidencial em Belo Horizonte, mas em fevereiro, ambos estiveram juntos na Zona da Mata, visitando cidades afetadas por tempestades que resultaram em 72 mortes.
Antes das atividades em Minas, Lula e Pacheco estão agendados para se encontrar em Brasília, com o intuito de aprofundar as conversas sobre o cenário eleitoral que se aproxima. De acordo com fontes próximas, a presença conjunta nas agendas públicas é vista como um mecanismo de sinalização política, além de ser uma maneira de aumentar a pressão sobre Pacheco para que ele tome uma decisão sobre sua participação no pleito.
A indefinição em relação ao futuro partidário de Pacheco é vista como um dos principais obstáculos. O PSD, partido ao qual ele é filiado, já confirmou a pré-candidatura do vice-governador Mateus Simões ao Palácio Tiradentes, o que abre espaço para que o senador busque alianças em outras legendas. Entre as opções consideradas, o União Brasil e o PSB são os destinos mais prováveis, caso Pacheco decida migrar.
Outro fator que pesa nessa equação é o calendário eleitoral. Para se candidatar ao governo de Minas, Pacheco precisará estar filiado ao partido que representará até seis meses antes da eleição, um prazo que se encerra em 4 de abril. Interlocutores afirmam que, até o momento, o senador ainda não tomou uma decisão definitiva e que as negociações continuam em andamento, mas sem resultados concretos.
