Filiação de Pacheco ao PSB: Consequências para Minas Gerais
O senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) comunicou a membros do PSB sua decisão de se filiar à legenda, com um anúncio público programado para esta quarta-feira, dia 1º, em Brasília. A adesão vem após meses de pressão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que insistiu que Pacheco aceitasse o desafio de concorrer ao governo de Minas Gerais, buscando garantir apoio ao petista no segundo maior colégio eleitoral do país.
Pacheco acompanhou Lula em sua recente visita a Minas Gerais, realizada no dia 20 de março. Na ocasião, segundo informações de fontes próximas, Lula fez um ultimato ao senador, o que parece ter dado resultados. No entanto, a expectativa é que Pacheco se conforme a essa pressão de maneira “desanimada”.
Sem a filiação de Pacheco, Lula enfrenta o desafio de construir um palanque competitivo em Minas, uma vez que as negociações para reestabelecer uma parceria com o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), não avançaram da forma esperada. Além disso, Pacheco foi convidado a se juntar ao União Brasil e ao MDB, que possuem uma estrutura mais robusta em Minas do que o PSB. Contudo, a falta de unidade interna nesses partidos pesou contra sua adesão.
O senador tem aliados tanto no União Brasil quanto no MDB, mas atualmente a tendência é que o União Brasil decida apoiar o vice-governador Mateus Simões (PSD). Já o MDB enfrenta resistência interna, especialmente do deputado federal Newton Cardoso Jr., presidente estadual da sigla, que recusa abrir mão do controle do partido.
Alguns próximos a Pacheco interpretam sua filiação ao PSB como parte de uma estratégia para formar uma frente ampla em torno de sua possível candidatura, incluindo apoio de segmentos do União Brasil, MDB e PSDB. Recentemente, ele almoçou com o deputado federal Aécio Neves (PSDB), com quem mantém uma boa relação.
Historicamente, mesmo sendo adversários em níveis nacional, PT e PSDB já realizaram alianças informais em Minas Gerais, como ocorreu no passado com a chamada “Lulécio”, que promovia o voto em Aécio para governador e Lula para presidente.
A composição da chapa governista em Minas Gerais ainda não está definida. A única confirmação até o momento é a candidatura de Marília Campos (PT) ao Senado, após sua recente renúncia ao cargo de prefeita de Contagem (MG).
Além disso, aliados de Lula sugeriram que Kalil poderia abrir mão de sua candidatura ao governo em favor de uma vaga ao Senado em uma chapa liderada por Pacheco, o que demonstra a complexidade e a fluidez das alianças políticas que estão se formando no estado.
