Parceria para Formação em Mudanças Climáticas
O novo reitor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Alessandro Fernandes Moreira, revelou suas intenções de estabelecer uma colaboração com o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais. A parceria visa criar cursos de graduação e pós-graduação voltados para mudanças climáticas e desastres, conforme destacado em uma entrevista ao EM Minas, em associação com o portal Uai e Estado de Minas.
Moreira, que assumiu o cargo em 19 de março e irá permanecer até 2030, mencionou vários desafios que pretende enfrentar, como a criação de um novo câmpus em Betim, o repasse de verbas federais e o desenvolvimento de políticas para garantir a permanência dos alunos na instituição.
Além disso, o reitor fez uma análise sobre o primeiro ano do processo seletivo seriado para ingresso na universidade, o avanço do Centro Nacional de Vacinas e a possível alteração no regime de ensino integral do Centro Pedagógico da UFMG.
Trajetória Acadêmica e Desafios à Frente da UFMG
Com mais de três décadas de experiência na UFMG, Moreira é um veterano da instituição, onde ingressou como estudante de Engenharia Elétrica. “Este ano completo 40 anos na universidade, já passei por diversos cargos de gestão, incluindo a vice-reitoria”, afirmou.
Ao ser questionado sobre os principais desafios durante sua gestão, o reitor destacou a importância da inclusão na universidade, impulsionada pela Lei de Cotas. “A permanência estudantil é crucial não apenas do ponto de vista financeiro, mas também em relação aos projetos pedagógicos que reconhecem e apoiam nossos alunos”, enfatizou.
Moreira também abordou a evasão escolar, uma preocupação comum nas instituições de ensino. “É necessário qualificar o conceito de evasão, visto que a migração de estudantes entre cursos não é necessariamente uma evasão”.
Aproximação com a Sociedade e Educação em Mudanças Climáticas
O reitor comentou sobre a reunião com o Corpo de Bombeiros, onde foi discutido um projeto para capacitar pessoas em prevenção de desastres. “Queremos conscientizar a população sobre as mudanças climáticas, formando profissionais em áreas multidisciplinares como Engenharia e Ciências Socioambientais”, afirmou.
A respeito do novo câmpus da UFMG em Betim, Moreira explicou que a proposta surgiu como uma demanda do MEC, focando nas áreas de tecnologia e inteligência artificial. “Esse projeto está em tramitação e é de extrema importância para a Região Metropolitana”, acrescentou.
Quanto ao vestibular seriado, o reitor destacou a sua relevância como uma alternativa de ingresso. “Com essa nova abordagem, pretendemos diversificar o processo seletivo e captar talentos que, de outra forma, poderiam passar despercebidos”, afirmou. Ele também mencionou o sucesso do primeiro ciclo do vestibular, com quase 40 mil candidatos.
Questões Orçamentárias e Sustentabilidade
A questão orçamentária também foi um tema abordado. Moreira ressaltou que, embora tenha havido uma recomposição nos últimos anos, o orçamento ainda é uma preocupação constante. “Estamos tentando equilibrar as contas e ainda precisamos de mais recursos”, explicou.
Ele destacou que a UFMG subiu em um ranking internacional de universidades, o QS World University Rankings, refletindo o impacto da instituição na sociedade e suas áreas de excelência. “Esse reconhecimento é um indicativo do nosso avanço e nos orienta sobre onde investir estrategicamente”, disse.
Moreira também falou sobre iniciativas de sustentabilidade, como o projeto UFMG Sustentável, que busca tornar o Campus Pampulha autossuficiente em energia. “Estamos implementando tecnologias que não apenas diminuem nosso impacto ambiental, mas também preparam nossos alunos para o futuro”, concluiu.
Preparativos para o Centenário da UFMG e Impacto Social
Com a UFMG prestes a completar 100 anos, o reitor mencionou que já existem planos para comemorações que envolvam a comunidade de Belo Horizonte. “A universidade e a cidade são interdependentes. Esperamos uma grande festa para celebrar essa data marcante”, afirmou.
Por fim, ele abordou a importância da UFMG nas tragédias de Mariana e Brumadinho, destacando projetos que buscam reparar os danos ambientais e sociais. “É fundamental que estejamos presentes nesses momentos, contribuindo para a recuperação e o apoio às vítimas”, concluiu Moreira.
