Desafios do Saneamento no Brasil
Embora o acesso a água tratada e serviços de esgoto seja um direito garantido pela Constituição, a realidade em números é alarmante: aproximadamente 38,5 milhões de brasileiros não têm acesso a água potável, enquanto 95,3 milhões vivem sem o atendimento de esgoto. Em Minas Gerais, especialmente, os dados são igualmente preocupantes: cerca de 3,5 milhões de pessoas estão sem água tratada e 5,1 milhões sem esgoto. Esses dados, fornecidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pelo Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa), revelam a urgência de um planejamento eficaz. O Marco Legal do Saneamento Básico propõe a universalização desses serviços até 2033, com possibilidade de prorrogação até 2040, necessitando para isso de investimentos significativos e uma colaboração robusta entre os setores público e privado.
Esse panorama desafiador justifica a realização de debates substantivos que conectem empresas, governo e sociedade civil. Com esse propósito, O TEMPO promove, nesta quinta-feira (9/4), o seminário “Saneamento em Foco”, em parceria com a Copasa. O evento tem como objetivo explorar o futuro do setor em Minas Gerais, discutir a regulação do mercado e compartilhar dados inéditos sobre o cenário atual.
Diálogo como Ferramenta de Transformação
Com a participação de representantes de diversas associações, companhias e órgãos reguladores, o seminário promove um intercâmbio de ideias que busca soluções inovadoras. “Nosso intuito com esses seminários é criar um espaço propício para a troca de experiências. Essa conversa é vital para discutir temas complexos e essenciais para a sociedade mineira, como é o caso do saneamento”, enfatiza Renata Nunes, editora executiva de O TEMPO.
A presidente do O TEMPO, Marina Medioli, acrescenta: “Ao trazer questões cruciais do debate público para o formato de seminários e debates ao vivo, ampliamos o alcance dessas conversas, indo além das páginas e telas tradicionais. Essa é uma maneira de enriquecer o diálogo, fomentar a troca qualificada de ideias e aproximar a sociedade de especialistas e autoridades, solidificando o papel do veículo como um espaço plural e ativo na vida democrática”.
Novas Metas e Oportunidades no Setor
O evento ocorrerá no auditório da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) e contará com um dia repleto de troca de conhecimento e networking. Na abertura, Marília Carvalho de Melo, presidente da Copasa, irá apresentar os projetos da companhia para a nova fase do saneamento em Minas, destacando as prioridades em investimento e modernização operacional.
“O novo marco apresenta metas desafiadoras, mas também cria uma gama de oportunidades. Compartilhar nossa visão é crucial para garantir a transparência nos caminhos que estamos adotando em direção à universalização, visando tornar a empresa mais eficiente e competitiva. Mais do que números, trata-se de transformar a vida das pessoas. O trabalho da Copasa impacta diretamente o desenvolvimento humano, social e ambiental”, reflete Marília Carvalho de Melo.
Estudos e Desafios do Saneamento
Na sequência, Luana Siewert Pretto, CEO do Instituto Trata Brasil, apresentará dados reveladores do estudo “Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento em Minas Gerais”. A pesquisa traça um retrato atual que expõe desafios e orienta soluções. “A maioria ainda vê o saneamento como mera infraestrutura, algo que requer escavações para a instalação de redes de esgoto e a cobrança de tarifas. Na realidade, trata-se de um bem coletivo, essencial para a saúde pública e para a preservação dos rios e do ecossistema. Embora alguns governantes já tenham compreendido essa urgência, muitos ainda não mudaram sua perspectiva”, argumenta a CEO do instituto.
A Importância da Comunicação no Saneamento
O terceiro painel do seminário será dedicado ao debate sobre qualidade, regulação e ESG no saneamento básico. Participarão deste painel Gabriela Otero, gerente do Pacto Global da ONU, Laura Serrano, diretora-geral da Arsae-MG, e Vitor Queiroz, presidente da Abes-MG. Queiroz ressalta a relevância da comunicação na conscientização de governos e da população sobre a urgência da universalização do saneamento. “Além dos desafios técnicos e financeiros, enfrentamos a tarefa de comunicar eficazmente à população, para que esta também cobre pelo avanço do setor e pelos serviços prestados”, menciona.
O editor executivo de O TEMPO, Juvercy Junior, salienta que a diversidade de vozes é fundamental para enriquecer e aprofundar o debate. “Em assuntos estruturais como a universalização do saneamento básico, essa pluralidade é indispensável para ampliar a compreensão dos desafios, encontrar soluções viáveis e fomentar decisões mais consistentes em prol do interesse coletivo”, reflete.
Experiências e Desafios Finais
No encerramento do seminário, a conversa se concentrará sobre as experiências das grandes operadoras do saneamento privado. Participarão do debate Christianne Dias, diretora-presidente da Abcon, Karla Bertocco, membro do Conselho de Administração da Sabesp, e Roberto Barbuti, consultor de empresas e diretor da Copasa. Barbuti enfatiza a necessidade de aprofundar as discussões no espaço público. “Para que as metas sejam cumpridas de maneira eficaz, é essencial que a população esteja ciente e envolvida, por exemplo, provocando a conexão às redes de esgoto existentes, cobrando a expansão do sistema e colaborando no combate a fraudes e desperdícios”, conclui.
