Minas Gerais: O Estado-Chave nas Eleições
O histórico eleitoral em Minas Gerais revela que o candidato presidencial que obteve o maior número de votos no estado nunca perdeu uma eleição desde 1998. Essa afirmação, apoiada por dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), fortalece a ideia de que Minas é um verdadeiro termômetro eleitoral no Brasil.
Nas eleições de 2014, 2018 e 2022, as porcentagens de votos obtidas pelos vencedores em Minas refletiram padrões semelhantes aos resultados nacionais, o que reforça a importância do estado nas articulações políticas. Em função dessa relevância, pré-candidatos e suas equipes se mobilizam intensamente para conquistar o apoio dos mineiros, formando alianças e preparando palanques robustos.
Mas será que a máxima “quem ganha em Minas, ganha no Brasil” realmente se sustenta? O cientista político Carlos Ranulfo, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), afirma que não há uma base científica sólida para tal premissa e que ela pode ser contestada em futuras eleições. No entanto, Ranulfo reconhece que Minas é um estado com características únicas, fazendo fronteira com seis outros estados e apresentando regiões que, de certa forma, refletem a diversidade do país.
Com aproximadamente 16 milhões de eleitores, Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do Brasil. Segundo Ranulfo, a região Nordeste do estado, especialmente o Vale do Jequitinhonha, se assemelha ao Nordeste brasileiro, enquanto o Sul do estado é tendencioso em seu voto por influência de São Paulo. A Zona da Mata, por sua vez, também é impactada pelas preferências do Rio de Janeiro, enquanto o Triângulo Mineiro apresenta características que se aproximam da capital federal, Brasília, e do estado de Goiás.
“Minas representa um microcosmos”, afirma Ranulfo, destacando que suas particularidades refletem um pouco do Sudeste, do Centro-Oeste e do Nordeste. Além do aspecto geográfico, fatores socioeconômicos demonstram semelhanças entre Minas e o Brasil como um todo. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do estado é de 0,774, próximo ao 0,786 do Brasil. Em relação à composição étnica, os dados do IBGE indicam que 45,3% da população nacional se declara parda, 43,5% branca e 10,2% preta, enquanto em Minas as porcentagens são 46,8%, 41,1% e 11,8%, respectivamente.
A Busca por Apoio em Minas
Com este cenário em mente, os pré-candidatos à presidência já começam a traçar estratégias para fortalecer suas bases no estado. O atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição, apostou no senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) como seu candidato ao governo mineiro, visando garantir um palanque sólido durante a campanha. No entanto, a candidatura de Pacheco ainda está em avaliação, e aliados sugerem que ele deve esperar até meados do ano para decidir.
Se Pacheco decidir concorrer, ele enfrentará o candidato apoiado pelo atual governador Romeu Zema (Novo), Mateus Simões (PSD), que é ex-vice de Zema e atual governador. Simões representa a continuidade do grupo político de Zema em Minas e é visto como uma aposta forte para manter a influência do Novo no governo do estado.
Em meio a esta configuração, Zema também é um nome cobiçado por Flávio Bolsonaro (PL), que visualiza no ex-governador de Minas a possibilidade de um vice-presidência. Outro competidor que está se movimentando para captar apoio no estado é o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD). Ele planeja utilizar a força de seu novo partido para se apresentar aos eleitores mineiros, mas ainda restam dúvidas sobre o apoio que Mateus Simões poderá oferecer a Caiado, embora haja expectativas quanto à sua presença nas prefeituras do PSD em Minas.
