Cenário Preocupante em Belo Horizonte
O endividamento das famílias em Belo Horizonte apresenta números alarmantes, consolidando-se como uma questão estrutural que afeta tanto a capital mineira quanto o Brasil em geral. Conforme aponta a pesquisa de endividamento e inadimplência do consumidor da Apec, impressionantes nove em cada dez lares da cidade estão comprometidos com algum tipo de dívida. Para manter suas contas em dia, muitos cidadãos têm buscado cada vez mais o crédito, que se tornou parte integral das finanças familiares.
Embora se observe oscilações mensais, o nível de endividamento continua elevado, com as dívidas comprometendo, em média, cerca de 33% da renda mensal das famílias. Além disso, o tempo médio para quitar essas obrigações prolonga-se por mais de oito meses, refletindo um cenário de grande dificuldade financeira.
Pressão do Crédito e Juros Elevados
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Dados divulgados pelo Banco Central (BC) na última segunda-feira (27) ressaltam a pressão que o crédito caro exerce sobre as famílias. Muitos têm recorrido a opções de curto prazo, como o cartão de crédito, para honrar seus compromissos financeiros. Em março, a taxa média de juros do crédito livre para pessoas físicas permaneceu alarmante, atingindo 61,5% ao ano, apesar de uma leve redução de 0,4 ponto percentual no mês.
Esse cenário culmina em um aumento da inadimplência, que atingiu 4,3% da totalidade de créditos do Sistema Financeiro Nacional (SFN) em março. Embora tenha havido uma queda de 0,1 p.p. em relação ao mês anterior, a inadimplência registrou um crescimento de 1 p.p. em comparação ao ano passado.
“Diante desse contexto, é provável que o endividamento das famílias, tanto em Minas Gerais quanto no Brasil, mantenha-se elevado. Apesar de uma tênue expectativa de redução, essa tendência ainda é incipiente. A inadimplência, embora tenha apresentado um pequeno recuo, continua a afetar uma parcela significativa da população. Mais de 60% dos lares em Belo Horizonte têm contas atrasadas, e muitos desses débitos se arrastam por mais de 90 dias”, explica Gabriela Martins, economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG).
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Desafios e Soluções para o Endividamento
O grande desafio está em reduzir tanto o endividamento quanto a inadimplência, mas a estratégia vai além disso. É essencial que o mercado também trabalhe na melhoria da qualidade do uso do crédito. “Encontrar um equilíbrio entre o acesso ao crédito, a renda compatível e um planejamento financeiro adequado é crucial para evitar um agravamento da inadimplência, permitindo assim uma recuperação sustentável do consumo e da economia”, enfatiza Gabriela Martins.
Nos primeiros três meses de 2026, 89,5% das famílias de Belo Horizonte estavam endividadas, 62,6% enfrentavam dificuldades de pagamento e 23,8% não apresentavam condições de quitar suas dívidas. Entre as modalidades de crédito, 95,8% das famílias endividadas tinham compromissos com cartões de crédito, enquanto 28% tinham dívidas em carnês.
Impactos do Acesso ao Crédito
O Banco Central revela que, nos últimos quatro anos, houve um aumento de 34% no número de pessoas com acesso a produtos de crédito. Esse crescimento foi especialmente notável nas opções sem garantia, que geralmente implicam juros elevados, como é o caso do cartão de crédito e do empréstimo pessoal. O empréstimo pessoal, por exemplo, cresceu mais de 214% desde 2020, e o uso do cartão de crédito aumentou em mais de 55%.
Entretanto, o cartão de crédito também se destaca como um dos principais responsáveis pelo superendividamento das famílias, impulsionado pela facilidade de acesso e pelos juros rotativos associados a essa modalidade. Portanto, é vital que os consumidores sejam orientados quanto ao uso consciente do crédito, evitando um círculo vicioso que pode levar à inadimplência e ao agravamento da situação financeira.
