Empoderamento e moda circular em Minas Gerais
O mercado de moda de segunda mão está passando por uma ascensão impressionante, com uma previsão de atingir a marca de US$ 393 bilhões até 2026, crescendo em um ritmo duas vezes superior ao do varejo tradicional, conforme apontam estudos da ThredUp e GlobalData. Essa movimentação financeira não é apenas uma tendência, mas uma estratégia poderosa para inclusão social, especialmente em Minas Gerais. O Instituto Por Elas, em parceria com a especialista em moda circular Sâmara Merrighi, está revolucionando a maneira como as roupas esquecidas nos armários ganham nova vida, convertendo-as em verdadeiros ativos financeiros. O projeto Re-Valorize não só busca gerar renda, mas também oferece um caminho concreto para a autonomia econômica de mulheres em situação de vulnerabilidade.
De acordo com a fundadora da organização, a proposta vai além da simples revenda de peças usadas; ela visa a profissionalização de um setor que, muitas vezes, opera de forma informal. A metodologia adotada para os negócios circulares capacita as participantes em áreas que variam desde planejamento financeiro até logística. A advogada ressalta que o foco central é remover as mulheres da invisibilidade econômica, transformando o descarte em oportunidades significativas. Ao ensinar uma mulher a considerar seu guarda-roupa como um capital inicial, o projeto oferece as ferramentas para sua autonomia e uma rede de proteção típica do empreendedorismo.
Impacto e Expansão do Projeto
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Fonte: jornalvilavelha.com.br
O impacto do Re-Valorize já se espalhou para além das fronteiras de Minas Gerais, com mais de 200 inscrições de brasileiras vivendo em três países diferentes apenas na primeira semana de lançamento. O projeto conta com apoio institucional de consulados brasileiros na Itália e participou recentemente de fóruns em Nova York. Essa validação do modelo de negócios reforça a ideia de que a sustentabilidade pode ser um motor poderoso para a recuperação da dignidade feminina. A presidente da instituição destaca que a presença em palcos internacionais, como a Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, evidencia o potencial das soluções criadas na base, que são tanto eficazes quanto escaláveis.
Em Belo Horizonte, as atividades práticas estão em andamento, com um bazar de trocas programado para o dia 7 de maio, no Parque do Palácio. Esse evento é a materialização da proposta de economia colaborativa, onde a teoria das aulas online se transforma em conexões reais e movimentação de mercadorias. “Ver essa metodologia ganhar forma em Minas e ser levada para Milão demonstra nosso compromisso com a soberania financeira dessas mulheres. Provamos que a moda consciente é uma das ferramentas mais eficazes para romper ciclos de dependência e violência”, enfatiza a idealizadora do Instituto.
Capacitação e Futuro Sustentável
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Fonte: vitoriadabahia.com.br
A trilha de capacitação do projeto prevê a formação de 30 empreendedoras até o final deste ano, com uma meta ambiciosa de expandir para 100 mulheres até 2027. O perfil das participantes é variado: quase metade nunca teve um negócio próprio, enquanto outras já buscam formalizar atividades que realizam de forma improvisada. O Re-Valorize atua precisamente nesse espaço de transição, oferecendo governança e indicadores de impacto que ajudam a transformar pequenos brechós de bairro em empresas sustentáveis e lucrativas, capazes de sustentar famílias e regenerar o meio ambiente.
Ao estruturar a moda circular como uma cadeia produtiva, o projeto coloca as mulheres mineiras no centro de uma discussão global sobre consumo e ética. A jornada, que começou com encontros locais, agora se prepara para apresentações na semana de moda de Milão em setembro, consolidando a presença brasileira no cenário da economia verde. Para a liderança do Instituto Por Elas, cada peça que retorna ao mercado simboliza um passo a menos em direção à vulnerabilidade e um passo a mais rumo a um futuro onde o sucesso financeiro feminino se torna a norma.
