Empoderamento Cultural nas Comunidades Quilombolas
O Ciclo de Oficinas Itinerantes promovido pela Casulo Cidadania está chegando à fase final, após ter realizado uma série de oficinas formativas e mentorias voltadas para a elaboração e cadastro de projetos culturais. O resultado desse esforço culminou na inscrição de três propostas nos editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) de Minas Gerais. O foco da iniciativa é capacitar e qualificar agentes culturais populares, fortalecendo as expressões e saberes das comunidades quilombolas de Brumadinho.
O projeto contou com a participação de quatro comunidades: Marinhos, Ribeirão, Sapé e Rodrigues, todas engajadas em fortalecer sua produção cultural e a autonomia de seus moradores. Esse trabalho resultou na criação de projetos culturais, desenvolvidos em parceria com mestres de saberes tradicionais e participantes das oficinas, abrangendo propostas que incluem festas tradicionais, manutenção de associações, redes de costura criativa e a valorização de expressões culturais locais.
Inscrições de Projetos Culturais
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Fonte: soudesaoluis.com.br
Como resultado direto do processo de formação e mentoria, três projetos culturais foram efetivamente inscritos. Um deles tem como objetivo fomentar a economia criativa, focando na capacitação de agentes culturais e no fortalecimento da cadeia produtiva da costura na região de Brumadinho, dentro do Edital 03/2026 – Fomento a Projetos Continuados de Pontos e Pontões de cultura. Além disso, dois projetos foram inscritos na categoria Trajetória Cultural (Edital 02/2026 – Mestres e Mestras), destacando os mestres Seu Cambão (Antônio Alves da Silva) e Dona Elza (Maria Elza Silva Santos). Embora as propostas não tenham sido finalizadas dentro do prazo dos editais da PNAB, a Casulo Cidadania continuará oferecendo suporte para novos cadastros, reconhecendo que as articulações realizadas já indicam desdobramentos para futuras iniciativas.
A coordenadora do projeto, Danusa Carvalho, destaca que a conclusão deste ciclo representa a consolidação de um aprendizado prático que gerou resultados visíveis. “Esse trabalho deixa um legado que vai além dos projetos submetidos. Ele fortalece a confiança, amplia o repertório dos participantes e cria caminhos para novas iniciativas a partir dos saberes locais. Finalizamos essa etapa com a convicção de que o investimento em formação continuada e mentoria faz diferença. Os participantes não apenas aprenderam, como vivenciaram todas as etapas do processo, aumentando assim as chances de continuidade e sustentabilidade das ações culturais nos territórios”, afirma Danusa.
Cursos e Mentorias Práticas
O projeto teve início com duas oficinas formativas destinadas a fortalecer a atuação cultural nas comunidades quilombolas: Sapé, Rodrigues, Marinhos e Ribeirão. As formações, realizadas em um mesmo local por questões logísticas, reuniram os participantes em momentos intensos de aprendizado e troca. O Módulo 1, conduzido por Gustavo Zubreu nos dias 30 e 31 de agosto, focou na elaboração de projetos culturais com ênfase na Política Nacional Aldir Blanc, abordando fontes de financiamento e estratégias de formalização. O Módulo 2, mediado por Maycon Junio Gonçalves nos dias 6 e 7 de setembro, foi dedicado ao empreendedorismo cultural, ressaltando práticas sustentáveis e oportunidades direcionadas às comunidades quilombolas e tradicionais.
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Após as oficinas, os participantes receberam mentorias individualizadas. “Minha experiência me mostrou que muitos projetos são realizados com muita teoria. As pessoas até saem com certificados, mas frequentemente não conseguem dar sequência, pois é muita informação e pouca prática. Por isso, decidimos criar essa metodologia do fazer — colocar a mão na massa. A ideia era que os participantes aprendessem fazendo, desenvolvessem seus próprios projetos e saíssem preparados para seguir com autonomia”, destaca Danusa Carvalho.
Testemunhos de Participantes
Gabriel, morador da Comunidade de Rodrigues e pesquisador, viu nas oficinas uma oportunidade para aprimorar suas habilidades. “A aula foi extremamente elucidativa e certamente vai contribuir muito para continuar minha pesquisa, que agora está focada nos mestres das comunidades tradicionais”, afirma. Caio, que se dedica a pinturas artísticas, também pretende aproveitar as experiências compartilhadas: “Tenho interesse em participar de alguns projetos e me inscrever, e essa foi uma boa oportunidade para aprender.”
Sobre a Casulo Cidadania
Com 16 anos de atuação nas periferias de Belo Horizonte, a Casulo Cidadania é uma organização da sociedade civil que desenvolve projetos de impacto social por meio da cultura, da educação e do fortalecimento comunitário. Fundada em 2009 pela produtora cultural Danusa Carvalho e pelo artista Flávio Renegado, a OSC surgiu com o propósito de promover ações afirmativas que ampliem horizontes e valorizem os talentos dos territórios populares.
Entre 2009 e 2015, a Casulo realizou oficinas e palestras em penitenciárias, centros socioeducativos e escolas públicas, impactando milhares de pessoas em Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo. Em 2016, inaugurou sua primeira sede no Alto Vera Cruz e estruturou sua atuação em cinco eixos: Cultura, Lazer e Turismo; Educação e Desenvolvimento Social; Saúde e Esporte; Geração de Trabalho e Renda; e Diagnóstico Comunitário. Em 2018, transferiu sua sede para a Barragem Santa Lúcia, fortalecendo vínculos com novos territórios e consolidando metodologias próprias, baseadas no tripé: Ocupação, Reconhecimento e Transformação.
A partir de 2021, a Casulo passou a operar como uma OSC itinerante, ocupando espaços públicos em comunidades de diferentes regiões e firmando parcerias com associações comunitárias. A proposta é ampliar o acesso e promover o intercâmbio entre os saberes do morro e do asfalto, através de ações como o Circuito Gastronômico de Favelas, ciclos de oficinas e apresentações artísticas. Entre 2020 e 2024, a organização também estabeleceu uma parceria significativa com a ONG Ação da Cidadania, coordenando projetos sociais e distribuindo cestas básicas em diversas regiões de Minas Gerais.
