Desigualdade na educação em minas gerais
Um claro contraste nas condições de infraestrutura de duas escolas estaduais em Belo Horizonte foi exposto durante uma recente visita da comissão de educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A distância de apenas 2,5 quilômetros entre a Escola Estadual Deputado Ilacir Pereira, situada no bairro Cachoeirinha, e a Escola Flávio dos Santos, localizada no Concórdia, revela uma disparidade significativa em suas respectivas realidades. Enquanto a primeira se destaca por sua estrutura bem conservada e mobiliário adequado, a segunda enfrenta sérias deficiências estruturais que comprometem o aprendizado dos alunos.
A visita, que teve como objetivo analisar os investimentos realizados em infraestrutura nas escolas estaduais, foi solicitada pela deputada Beatriz Cerqueira (PT), presidenta da comissão. O encontro foi parte de um acompanhamento mais amplo em relação ao Edital de Concorrência Internacional 001/26, promovido pelo Governo do Estado.
Dados coletados pelo gabinete da deputada revelam que, entre 2019 e 2026, foram investidos mais de R$ 1,1 milhão na Escola Estadual Ilacir Pereira. Este valor foi destinado a obras, compra de mobiliário, manutenção e melhorias em conectividade. Com uma população estudantil de 626 alunos, a escola opera em três turnos, abrangendo desde o ensino médio até a educação de jovens e adultos (EJA) e a formação profissionalizante (EJA-Tec).
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Infraestrutura da Escola Estadual Deputado Ilacir Pereira
A estrutura da Escola Estadual Ilacir Pereira é notável. A unidade conta com uma quadra esportiva coberta, equipada com vestiários acessíveis, além de uma sala multimeios com capacidade para duas turmas simultâneas. O laboratório de biologia, a biblioteca e todas as salas de aula dispostas com tecnologia audiovisual são um reflexo do investimento realizado. Os banheiros foram reformados para incluir acessibilidade, embora o banheiro masculino do andar superior ainda não possua acesso adequado.
Kelson Magalhães, diretor da escola, relatou que as benfeitorias têm sido feitas desde 2015, com foco nas necessidades identificadas pela comunidade escolar. “Conseguimos realizar melhorias como a construção da quadra, uma demanda antiga de nossos alunos e da comunidade. Entretanto, a possibilidade de privatização dos serviços escolares gerou um clima de insegurança entre a equipe, especialmente entre os auxiliares”, explicou.
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A Realidade da Escola Flávio dos Santos
Por outro lado, a Escola Flávio dos Santos retrata uma realidade oposta. Com uma estrutura que remonta a 100 anos, a unidade apresenta paredes descascadas e uma infraestrutura deficiente em iluminação e ventilação. Apesar das condições inadequadas, um painel na entrada exibe com orgulho os alunos aprovados em vestibulares.
Atendendo 633 alunos em diferentes turnos, a escola enfrenta sérios desafios em sua infraestrutura. As salas de aula, embora amplas, possuem janelas e grades antigas, e a quadra esportiva apresenta condições de segurança precárias. A diretora, professora Wanessa Soares da Silva, ressaltou que desde 2023 tem solicitado reformas à Secretaria de Estado de Educação, sem sucesso. “Neste ano, recebemos a visita de várias empresas que estão supostamente envolvidas nas obras, mas até agora não foi apresentado um cronograma ou plano de ações”, lamentou.
Preocupações com o Futuro da Educação
A deputada Beatriz Cerqueira expressou sua preocupação em relação ao que considera uma abordagem inadequada por parte do Estado, ao priorizar as avaliações de empresas em vez de considerar as necessidades reais das escolas e suas comunidades. “É alarmante ver que, ao invés de um diálogo com a comunidade escolar, estamos diante de um interesse empresarial. Precisamos garantir que a educação em Minas Gerais seja tratada com a seriedade que merece”, afirmou.
Para discutir ainda mais essas questões, uma audiência pública está agendada para a próxima quarta-feira (6 de maio de 2026), às 10 horas. O objetivo é debater os impactos do Edital de Concorrência Internacional nas instituições de ensino. Enquanto isso, as realidades contrastantes das escolas estaduais de Belo Horizonte continuam a levantar questionamentos sobre a equidade no acesso à educação de qualidade.
