A Jornada de Elregir e seus Elementais
No atual cenário dos jogos, onde remakes e remasterizações se tornaram uma constante, a proposta de homenagear franquias clássicas ganha um novo significado. É nesse contexto que surge “Elementallis”, da AnKae Games, um título disponível para Steam, PlayStation 4, PlayStation 5 e Nintendo Switch. Ao concluir minha jornada nesse jogo, percebi que a obra não apenas presta homenagem, mas também traz inovações que podem revigorar o gênero.
Desde os primeiros minutos de gameplay, a influência de “The Legend of Zelda”, especialmente de “A Link to the Past”, é inegável. Entretanto, enquanto a narrativa da famosa franquia da Nintendo foca em salvar princesas e derrotar vilões, “Elementallis” apresenta uma abordagem mais sutil: a valorização do apoio ao próximo e a desconstrução de mitos. A história se passa em Elregir, um mundo onde humanos e elementais coexistiam em harmonia até que, de forma inesperada, os seres elementais começaram a desaparecer, gerando medo e desconfiança entre os habitantes.
Um Protagonista em Busca de Mudança
O protagonista do jogo é único, pois possui a habilidade de se comunicar com os elementais e se compromete a mudar a percepção negativa que as pessoas têm em relação a eles. Esse aspecto narrativo enriquece a experiência, oferecendo uma infinidade de NPCs para interagir, completar tarefas e ajudar no progresso da história.
Contudo, é importante ressaltar que, apesar da impressão de um mundo aberto, a estrutura do jogo é bastante linear. O jogador é guiado por uma sequência de eventos, sem a presença de um diário ou registro de missões que sinalizem o próximo passo. Essa falta de diretrizes pode ser um desafio, mas também alimenta a curiosidade de quem deseja explorar a narrativa e os personagens.
A Linearidade e o Backtracking
Surpreendentemente, a linearidade não é um problema insuperável. O backtracking se torna um elemento interessante, já que a AnKae Games conseguiu contextualizá-lo de maneira eficaz dentro da trama. Cada retorno a locais visitados anteriormente é acompanhado de novos desafios, como quebra-cabeças e inimigos inéditos, o que torna o processo de voltar atrás uma experiência envolvente.
O que realmente me encantou em “Elementallis” foi a diversidade de elementos disponíveis para o jogador. As semelhanças com “Divinity: Original Sin” e “A Link to the Past” são notórias, principalmente na forma como os elementos interagem com o ambiente. O fogo, por exemplo, pode acender tochas ou causar dano contínuo aos inimigos, enquanto a água é utilizada para criar poças que, quando atingidas com um raio, geram reações em cadeia devastadoras.
Limitações e Oportunidades Perdidas
Embora a proposta de usar elementos seja promissora, algumas limitações no sistema de combate podem frustrar. A AnKae Games parece ter optado por um design simplificado, que limita a troca rápida entre elementos. Durante o combate, a navegação por menus pode quebrar o ritmo e transformar uma batalha dinâmica em um processo moroso.
Essa escolha contrastante entre inovação e simplicidade levanta questões sobre o potencial não explorado do jogo. Se a AnKae tivesse expandido as interações entre os elementos, como permitir que plantas, uma vez queimadas, renascessem, o jogo poderia ter se beneficiado de uma mecânica ainda mais rica e envolvente.
Um Final Reflexivo
Apesar das falhas, “Elementallis” se mantém firme e não desmorona sob as suas limitações. A experiência me deixou reflexivo. Embora não sinta que revisitarei o jogo com frequência, fico satisfeito por ele existir. A equipe da AnKae Games conseguiu ultrapassar a linha de chegada com um produto que, apesar de suas imperfeições, traz uma nova alternativa ao mundo dos jogos de “homenagem”. Com certeza, continuarei acompanhando o desenvolvimento da equipe, ansioso por suas futuras produções.
