Novos Desafios à Frente da Filarmônica de Minas Gerais
Desde 1º de fevereiro de 2026, a Filarmônica de Minas Gerais tem um novo comandante: Wilson Brumer. Em entrevista à Revista CONCERTO, o empresário revelou suas visões e planos para a orquestra mineira, destacando sua trajetória e o papel fundamental que a instituição desempenha na cultura do estado.
Natural de Belo Horizonte, Brumer é filho de um imigrante polonês e de uma mãe católica. Nascido em 1948, ele cresceu em uma casa humilde, onde o pai, Seu Jacó, faleceu quando ele tinha apenas 8 anos, deixando sua mãe e oito filhos. “Por volta dos 11 anos, minha mãe decidiu me colocar em um seminário, o que significava pegar um trem e viajar quase 24 horas para lá. Voltava para casa uma vez por ano. Essa experiência, apesar das dificuldades, foi fundamental para minha formação pessoal. Contudo, ao completar 17 anos, percebi que aquela não era a vida que eu desejava e decidi mudar de rumo, começando minha jornada no mercado de trabalho como frentista em um posto de gasolina”, relatou Brumer.
O empresário, que adquiriu vasta experiência ao longo de sua carreira, ocupou altos cargos em grandes empresas, como Vale e Usiminas. Teve também uma passagem significativa pelo governo de Minas Gerais, onde atuou como secretário de Desenvolvimento Econômico. Agora, sua nova missão é liderar a Filarmônica de Minas Gerais, sucedendo Diomar Silveira, que esteve à frente da orquestra desde sua fundação, em 2008.
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Desafios da Filarmônica e Nova Gestão
Instalada na deslumbrante Sala Minas Gerais, a orquestra enfrenta o desafio constante de garantir seu financiamento. Nos últimos anos, o governo do estado aumentou a pressão sobre a Filarmônica para buscar recursos de forma autônoma. “O governo participa com cerca de 40% do orçamento, que é de aproximadamente 55 milhões de reais por ano. É um montante consideravelmente menor se comparado a orquestras de outros estados, mas acreditamos que a qualidade artística da Filarmônica é equivalente”, afirmou Brumer.
Brumer mencionou que sua abordagem de gestão se baseia na melhoria contínua. “A governança deve sempre ser aprimorada. O que fazemos hoje deve ser melhor do que o de ontem, e amanhã, melhor do que hoje. Esse é um processo natural. Gerir uma orquestra é gerir pessoas, independentemente do número de funcionários”, destacou.
Ele enfatiza a necessidade de motivar os colaboradores e de oferecer oportunidades de crescimento. “A nova geração entra no mercado querendo saber sobre seu futuro e possibilidades de crescimento. É fundamental que a gestão esteja alinhada com essas expectativas. O público e a comunidade também devem ser incluídos no processo de decisão e na captação de recursos”, complementou.
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Sustentabilidade Financeira e Relações Institucionais
Uma das principais metas de Brumer é transformar a Filarmônica em uma instituição financeiramente sustentável. “É um desafio compartilhado por todo o setor cultural. Precisamos diversificar nossos patrocinadores e fortalecer nossas parcerias. Atualmente, contamos com cerca de 16 patrocinadores, mas precisamos ampliar esse número”, afirmou o novo diretor.
Ele ressalta que a percepção de que música clássica é uma arte elitista precisa ser desmistificada. “Estamos desenvolvendo uma variedade de produtos para diferentes públicos, desde concertos para a juventude até programas sociais e didáticos. Todos têm seu lugar na Filarmônica”, explicou Brumer.
Além disso, a criação de um fundo, ou endowment, está em discussão para garantir a sustentabilidade no longo prazo. “Embora a captação de recursos na cultura seja desafiadora, é crucial. A legislação atual ainda é limitada, mas precisamos explorar novas formas de apoio que não dependam exclusivamente de incentivos fiscais”, apontou.
O Papel do Estado e o Futuro da Filarmônica
Na visão de Brumer, a relação com o governo de Minas tem sido positiva. “Temos trabalhado em conjunto para resolver problemas, com diálogo e cooperação. É necessário encontrar um equilíbrio entre o setor público e o privado. O pior que podemos fazer é abrir mão de um ativo cultural tão valioso como a Filarmônica. Isso seria um desastre para a cultura mineira”, concluiu.
