Pressão dos Custos na Produção de Suínos em Minas Gerais
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) realizou recentemente painéis do projeto Campo Futuro para mapear os custos de produção em municípios de Minas Gerais e Bahia. Embora o estudo também tenha abrangido culturas como banana e eucalipto, os dados mais relevantes concentram-se nas cadeias de proteína animal, especialmente suínos e pecuária de corte.
Desenvolvido em parceria com o Senar, federações estaduais de agricultura, sindicatos rurais, universidades e centros de pesquisa, o projeto busca reunir informações econômicas essenciais para apoiar produtores e entidades na tomada de decisões estratégicas. O foco está em custos operacionais, margens e os principais fatores que pressionam cada sistema produtivo.
Mão de Obra é o Maior Fator de Custo na Suinocultura
Na suinocultura, o painel foi realizado em Uberlândia (MG), analisando o sistema de produção de leitões (SPL). A granja modal considerada conta com 2.200 matrizes e uma produção anual de 57.787 leitões, com peso médio de 22,2 kg por animal.
O custo operacional efetivo (COE) estimado foi de R$ 53,24 por leitão. A mão de obra representa o maior peso, com 42,3% do COE, seguida por manutenção (13,8%) e energia elétrica (11,5%). Nas unidades de terminação (UT), que recebem 8.220 leitões ao ano divididos em 2,7 lotes, o peso médio de abate é 133 kg aos 194 dias. O COE nesse sistema é R$ 37,20 por suíno terminado, com mão de obra respondendo por 39,9% dos custos.
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Fonte: londrinagora.com.br
Compra de Animais Lidera Custos na Pecuária de Corte
Para a pecuária de corte, os levantamentos aconteceram em Uberaba, Santa Vitória e Uberlândia, em Minas Gerais. Em Santa Vitória, o painel avaliou uma propriedade com 160 hectares de pastagem voltada à recria de bovinos, com compra de bezerros desmamados e venda de bois magros de cerca de 400 kg. A comercialização anual estimada foi de 235 animais.
O COE calculado chegou a R$ 305,21 por arroba vendida, sendo que a compra dos animais responde por 64,8% do custo operacional, seguida pela suplementação mineral com 14,3%. Em Uberaba, o foco foi a terminação de bovinos em confinamento, com uma propriedade modal capaz de acomodar dois mil animais, realizando 2,5 giros anuais e totalizando cinco mil bovinos terminados por ano.
Ali, a compra dos animais para engorda representa 65% do COE, enquanto a alimentação responde por 26,4% e a mão de obra apenas 1,5%. A disponibilidade de coprodutos como polpa cítrica e resíduos de cervejarias na região ajuda a reduzir os custos de alimentação no confinamento, amenizando a pressão sobre esse item.
Variações no Custo Conforme o Modelo Produtivo
Em Uberlândia, o levantamento também considerou uma propriedade de cria com 150 hectares de pastagem, 130 matrizes e comercialização anual de cerca de 120 bezerros e bezerras. O COE estimado foi de R$ 223,34 por arroba vendida, com suplementação mineral representando 23,4% do custo e mão de obra 20%.
Esses dados apontam que, mesmo dentro da pecuária de corte, os fatores de maior impacto variam conforme o modelo produtivo, a fase da criação e a estrutura da propriedade. Entender essas pressões é fundamental para produtores que buscam otimizar custos e manter a competitividade no mercado.
Fonte: CNA, adaptado pela equipe Feed&Food
