Cooperativas mineiras e o impacto no agronegócio do café
Antes de chegar à xícara dos brasileiros, grande parte do café produzido no país passa por Minas Gerais, não apenas nas fazendas ou torrefadoras, mas principalmente nas cooperativas. Conforme o Anuário do Cooperativismo Mineiro 2026, divulgado em 10 de maio pelo Sistema Ocemg, 29% do café produzido no Brasil em 2025 teve participação direta das cooperativas mineiras.
Esse dado revela a importância dessas organizações dentro do agronegócio local e nacional. Em 2025, as cooperativas agropecuárias de Minas Gerais movimentaram R$ 66,8 bilhões, representando um crescimento de 26,7% em relação ao ano anterior. Ronaldo Scucato, presidente do Sistema Ocemg, destaca que, mesmo diante de um cenário econômico mais moderado, a expectativa é que o crescimento continue em 2026, impulsionado por cadeias produtivas fortes como café e leite, além de maior profissionalização, eficiência, inovação e sustentabilidade nas cooperativas.
Cooxupé e a liderança mineira na produção de café
Mais do que simples organizações de produtores, as cooperativas são pilares econômicos do agronegócio em Minas Gerais. A Cooxupé, sediada no estado, é considerada a maior cooperativa de café do mundo. Em 2025, seu faturamento atingiu R$ 16,99 bilhões, recebendo 6,075 milhões de sacas de café arábica em grão, das quais 4,8 milhões vieram de cooperados.
De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), esse volume equivale a cerca de 17% da produção nacional de café arábica e a quase um quarto (24%) da produção mineira. No total, 63,6% do café produzido em Minas Gerais passou por alguma cooperativa em 2025, evidenciando a força dessas organizações na cadeia cafeeira.
Leia também: Supermercados em Minas Gerais: Crescimento Acima do Esperado em 2025
Leia também: Lançamento da Linha Cafés Campeões no Supermercado Verdemar: Valorizando o Café de Minas Gerais
Expansão do cooperativismo agropecuário em Minas Gerais
O setor agropecuário foi o principal responsável pelo crescimento do cooperativismo mineiro no último ano. De cada R$ 100 movimentados pelas cooperativas no estado, aproximadamente R$ 36 tiveram origem no agronegócio, que representou 53,6% da expansão econômica do setor em 2025. Atualmente, as cooperativas agropecuárias respondem por 26,5% do PIB do agronegócio mineiro, contando com 196 cooperativas, 228,8 mil cooperados e 21,3 mil empregos diretos.
Em cinco anos, a movimentação econômica do ramo subiu de R$ 36 bilhões para R$ 66,8 bilhões, um salto de 85,6%. Essa relevância tende a crescer ainda mais em 2026, quando a Conab projeta uma produção brasileira de café de 66,7 milhões de sacas, alta de 18% em relação à safra anterior, podendo ser a maior da série histórica da estatal.
Desafios e perspectivas para o setor cafeeiro
Para o presidente do Sistema Ocemg, o ano de 2026 começou com boas expectativas para as exportações de café, sustentadas pela supersafra brasileira e mineira. Apesar de desafios operacionais, logísticos e geopolíticos que podem limitar o volume exportado, a demanda externa permanece forte, mantendo o setor em destaque.
O café não é o único destaque das cooperativas. Na cadeia do leite, por exemplo, elas responderam por 18,3% da produção estadual e 5,1% da nacional, reforçando a diversidade e o alcance dessas organizações.
Leia também: Agro + Verde recupera 3.300 hectares no oeste de Minas Gerais e impulsiona sustentabilidade no campo
Leia também: Expomontes 2026: Evento que vai impulsionar o agronegócio e a economia de Minas Gerais
Cooperativismo de crédito impulsiona economia rural em Minas Gerais
Além do agronegócio, o cooperativismo de crédito tem ampliado sua presença na economia rural mineira. Em 2025, esse segmento movimentou R$ 93,4 bilhões, um aumento de 12,3% em relação a 2024. As cooperativas financeiras concederam R$ 14,4 bilhões em crédito rural para pequenos e médios produtores, crescimento de 5,8% na comparação anual, apoiando atividades agrícolas e pecuárias em diversas regiões do estado.
As cooperativas de crédito atuam em 720 municípios mineiros, o equivalente a 84,4% das cidades do estado, sendo a única instituição financeira presencial em 84 delas. Em cinco anos, a movimentação econômica do setor quase dobrou, passando de R$ 43,1 bilhões para R$ 93,4 bilhões, com operações de crédito subindo de R$ 28,1 bilhões para cerca de R$ 49 bilhões.
Profissionalização e inovação como chave para o crescimento
Segundo Scucato, as cooperativas têm investido na gestão profissionalizada e adotado estratégias como antecipação de contratos logísticos, diversificação de portos e rotas, uso de instrumentos financeiros como hedge e travas de preço, além do fortalecimento da infraestrutura com armazéns e centros logísticos próprios. Esses avanços acompanham a expansão geral do cooperativismo em Minas Gerais, que praticamente dobrou sua movimentação econômica entre 2021 e 2025, saltando de R$ 93,5 bilhões para R$ 184 bilhões.
O desempenho das cooperativas mineiras evidencia o papel central dessas instituições no desenvolvimento econômico do estado, especialmente no agronegócio, consolidando Minas Gerais como referência nacional no setor.
