Domingo no Campus reúne comunidade e valoriza cultura regional
Em um domingo de sol intenso em Belo Horizonte, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) ampliou as celebrações pelos seus 99 anos com o evento Domingo no campus, realizado semestralmente no campus Pampulha. A grande novidade desta edição foi a estreia da Feira de Artesanato do Vale do Jequitinhonha em um domingo, somando-se à tradicional abertura dos portões da universidade para a comunidade. O resultado foi um recorde de público, com mais de 3 mil pessoas circulando pelo espaço, conforme estimativa da Pró-reitoria de Administração (PRA).
Reconhecimento cultural e troca de saberes
A vice-reitora Alamanda Kfoury destacou a importância do encontro com o território do Vale do Jequitinhonha, enfatizando seu rico patrimônio cultural e a força de sua comunidade. “Mais que um conjunto de tradições, o Vale representa resistência e resiliência, um Brasil dentro do Brasil que precisa ser valorizado”, afirmou. Para ela, o evento propiciou um aprendizado mútuo entre a universidade e os artesãos presentes, reforçando o diálogo entre saberes acadêmicos e populares.
Feira do Jequitinhonha: associativismo e diversidade artística
A Feira do Jequitinhonha, organizada em uma intensa força-tarefa no sábado, ocupou os corredores próximos à Praça de Serviços, atraindo um público tão grande que os visitantes precisavam de paciência para explorar todas as barracas. A exposição contou com a participação de 120 artesãos de 30 municípios, reunidos em 55 associações produtivas locais. A programação segue até sábado, 19, e inclui uma variedade de produtos que vão desde tear, bordado, cerâmica, até artigos em madeira e palha, além da agricultura familiar da região. A expectativa é receber cerca de 25 mil visitantes ao longo dos sete dias.
Uma das obras mais marcantes foi um bordado coletivo que retrata o percurso do rio Jequitinhonha desde Diamantina até sua foz. O trabalho viajou entre cidades para que diferentes bordadeiras contribuíssem, mantendo o estilo visual e guardando o resultado final como surpresa. O acervo resultante será utilizado em estudos de conservação e museologia na universidade, conforme explicou Bruno do Carmo Assis Lanna, da Pró-Reitoria de Cultura (Procult).
O valor do associativismo na produção artesanal
O associativismo é um traço marcante entre os artesãos do Jequitinhonha. Jaquelene Cassia Ferreira, do quilombo Vila Santo Isidoro em Berilo, participou pela primeira vez representando seu grupo “Mãos que criam” e outras produtoras ausentes. A experiência, segundo ela, foi acolhedora e enriquecedora. Sérgio Diniz, coordenador da feira, ressaltou que a maioria dos participantes já acompanha o evento há anos e que a cooperação entre artesãos é uma característica central. Ele destacou ainda a presença dos produtores do queijo Cabacinha, tradicional da região, como destaque da edição.
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UFMG e a comunidade: diálogo e extensão
Este Domingo no campus marcou a primeira edição sob a gestão do reitor Alessandro Moreira e da vice-reitora Alamanda Kfoury (2026-2030), além de iniciar a contagem regressiva para o centenário da UFMG, que será em 7 de setembro de 2027. Um painel luminoso instalado na Reitoria simboliza a proximidade da data comemorativa. Alamanda ressaltou a importância do evento para aproximar a universidade da sociedade e celebrar a riqueza cultural local.
Para o reitor Alessandro Moreira, a gestão busca fortalecer a interlocução da universidade com Belo Horizonte, Minas Gerais e o Brasil, e o Domingo no campus é uma concretização desse propósito ao abrir as portas da instituição para todos. A programação contemplou mais de 30 atividades extensionistas, como a oficina de mediação de leitura para bebês coordenada por Letícia Oliveira, bolsista do programa Bebeteca, que atua com crianças de zero a seis anos. A interação com a comunidade é um dos pontos altos do evento, conforme observou a estudante enquanto conduzia a oficina no gramado da Escola de Música.
Atividades para todas as idades e integração familiar
O evento também acolheu famílias em diferentes configurações. A bibliotecária Daniele Oliveira levou a filha Manu para aproveitar as atividades, destacando a participação em um projeto de escovação dental promovido pela Odontologia, que encantou a criança com explicações práticas e brindes. Outro encontro marcante foi entre Daniele e sua colega Aline Pimenta, ambas estudantes da pós-graduação e bibliotecárias, reforçando a relevância do evento para a comunidade acadêmica.
Além disso, a produtora cultural Ludmila de Paula Soares esteve com os pais no Domingo no campus, onde realizaram exames básicos na tenda de saúde, incluindo aferição de pressão e orientações nutricionais. A visita à Feira do Jequitinhonha também foi destaque para a família, que aproveitou para adquirir artesanatos e o queijo Cabacinha, que é uma tradição da região.
Preparação e seleção das atividades extensionistas
A preparação do evento começa meses antes, com a Pró-reitoria de Extensão (Proex) abrindo edital para que professores, técnicos e estudantes proponham atividades lúdicas e atrativas para o público. O pró-reitor de Extensão, Glaucinei Rodrigues Corrêa, explicou que das propostas recebidas, uma comissão organizadora escolhe aquelas que melhor se adequam ao formato do Domingo no campus. Para esta edição, 34 atividades foram selecionadas, muitas delas parte da rotina acadêmica, mas adaptadas para envolver a comunidade.
Pesquisa realizada em 2025 apontou que 60% dos frequentadores do evento não pertencem à comunidade universitária, mostrando a crescente apropriação da população pelas iniciativas da UFMG. Para Glaucinei, o evento é uma ponte fundamental entre a universidade e a cidade, promovendo um diálogo aberto e inclusivo.
Extensão universitária: base para ensino, pesquisa e interação social
O reitor Alessandro Moreira destacou que os valores do centenário da UFMG são incluir, inovar e cuidar, metas que se refletem nas atividades extensionistas do Domingo no campus e na Feira do Jequitinhonha. A vice-reitora Alamanda Kfoury reforçou a extensão como um elo indispensável entre ensino, pesquisa e sociedade, onde o conhecimento é colocado a serviço da comunidade, que por sua vez contribui para o avanço acadêmico.
O pró-reitor de Extensão, Glaucinei Rodrigues Corrêa, chamou atenção para a mudança na forma de produzir conhecimento, que hoje busca ser construído com a sociedade e não apenas para ela. Essa perspectiva é essencial para o papel da universidade no século 21, consolidando a extensão como uma dimensão estratégica da educação superior.
Na prática, a interação gerada pelo evento evidencia essa nova era. A estudante Letícia resumiu bem o espírito do Domingo no campus: “O mais legal é poder interagir com pessoas que normalmente não estão no cotidiano da universidade”.
