Kalil destaca impacto do Propag nas finanças de Minas Gerais
Alexandre Kalil (PDT), candidato ao governo de Minas Gerais, reafirmou em encontro com empresários na Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas) o uso da expressão “estado RH” para caracterizar a situação atual do estado. Segundo ele, Minas passou os últimos oito anos focada em quitar a folha de pagamento, em meio a dificuldades financeiras agravadas pelo Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag).
Durante o evento, Kalil destacou que, enquanto outros estados investiam em desenvolvimento, Minas ficou concentrada no pagamento da dívida pública. “Estado RH é aquele estado que por oito anos fez uma grande coisa pro estado, que foi acertar a folha de pagamento. Então, foi o que nós fizemos durante oito anos. Esse é o estado RH.”, afirmou.
Renegociação do Propag e autonomia governamental
O candidato defendeu que a quitação do Propag é possível, mas condicionou a isso uma renegociação da essência do programa. Kalil afirmou que não busca apenas revisão de taxa de juros, mas um plano que permita ao estado recuperar a autonomia para definir prioridades orçamentárias e promover o desenvolvimento.
“Claro que é possível. É muito duro, mas é possível. Nós não queremos rever, como eu vi o ministro da Fazenda, Dario Durigan, respondendo ao senador aí que é candidato. Nós queremos renegociar a essência do plano. Não estamos falando em taxa de juro, não. Nós queremos é um plano que dê para trazer o desenvolvimento de Minas e a autonomia do governador de escolher onde é que ele vai aplicar o dinheiro.”, explicou.
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Restrição de investimentos e consequências para a administração pública
Kalil criticou duramente as regras do Propag, ressaltando que o programa, aprovado pelo Senado no final de 2024, impõe limitações severas à gestão estadual. Ele alertou que, sem flexibilização, Minas pode se tornar ingovernável devido à restrição de recursos e perda da autonomia financeira.
Como exemplo, apontou a determinação de que pelo menos 60% dos recursos da contrapartida de juros sejam investidos exclusivamente em educação profissional técnica de nível médio, por meio do programa Juros por Educação. “O governador de Minas perdeu autonomia para investir no hospital, para investir em estrada, para investir em qualquer coisa. Está determinado, está envelopado, que aquela miséria que vai sobrar do Propag terá que ser investida em escolas técnicas.”, ressaltou.
Críticas às gestões anteriores e urgência em planejamento
O candidato atribuiu o abandono de Minas nos últimos 12 anos à atuação dos três últimos governadores: Fernando Pimentel (PT), Romeu Zema (Novo) e Matheus Simões (PSD). Kalil afirmou que o estado perdeu a capacidade de fazer política efetiva e que falta ambição, autoridade e sorte para superar a situação atual.
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“Ninguém merece Fernando Pimentel, Romeu Zema e Matheus Simões em sequência. Isso é azar. Muito azar”, declarou, acrescentando que Minas Gerais está abandonada há mais de oito anos, sem projetos ou convênios significativos nesse período.
Segurança pública: investimento prioritário, não inovação tecnológica
Kalil também abordou o tema da segurança pública, criticando o desmonte das forças policiais em Minas. Ele defendeu que a solução está no aumento do investimento direto na polícia, e não na criação de ministérios ou implantação de tecnologias sem infraestrutura básica.
“Segurança pública é dinheiro. Não precisa criar Ministério. Entrega um saco de dinheiro para cada governador investir exclusivamente na polícia. Polícia é investimento”, afirmou. Ainda ironizou propostas que priorizam câmeras corporais enquanto faltam recursos essenciais como combustível, armamento e pessoal. “Estamos sem gasolina. Estamos sem arma. Estamos sem policiais. Temos a polícia mais mal paga do Brasil. Não existe segredo.”, concluiu.
