Incentivos fiscais e potencial mineiro para data centers
O governo federal instituiu recentemente o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), uma medida que oferece incentivos fiscais para empresas que instalem ou ampliem data centers no Brasil. Minas Gerais desponta como um dos estados mais preparados para receber esses investimentos, graças a uma combinação de fatores estratégicos e estruturais.
De acordo com Luis Tossi, vice-presidente da Associação Brasileira de Data Centers (ABDC), o estado possui vantagens significativas, como o acesso à energia renovável, localização estratégica, infraestrutura robusta e um ecossistema econômico e tecnológico diversificado. Além disso, Minas está próxima a um dos maiores mercados consumidores de serviços de cloud do país, o que reforça sua atratividade para novos projetos.
Qualificação profissional e ambiente favorável
O presidente do Instituto Brasileiro de Telecomunicações e Soluções Digitais (IBTD), André Martins, destaca também a oferta de profissionais qualificados em Minas Gerais, assim como programas locais voltados para a atração de investimentos. O Sindicato da Indústria de Software e da Tecnologia da Informação do Estado de Minas Gerais (Sindinfor) complementa apontando a presença de universidades e centros de pesquisa de excelência, além de um conjunto diversificado de empresas de tecnologia.
Esse cenário permite o uso avançado de inteligência artificial em setores-chave da economia mineira, como mineração, indústria, agronegócio, saúde e administração pública, ampliando o potencial de aplicação dos data centers no estado.
Impactos econômicos e perspectivas regionais
Tossi avalia que a sanção do Redata abre uma nova janela para Minas Gerais na captação de investimentos em infraestrutura digital. Com a redução de uma das principais barreiras tributárias do país, o regime especial potencializa os diferenciais locais, tornando o estado mais competitivo para investidores.
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“Além da construção de novos data centers, Minas deve ver reflexos em setores como energia, construção, telecomunicações, tecnologia e pesquisa, além da cadeia de fornecedores que cresce em torno desses empreendimentos”, afirma o vice-presidente da ABDC.
Martins reforça que o Redata reduz o custo de implantação e expansão dos data centers, especialmente pela desoneração de equipamentos. Minas Gerais, segundo ele, pode aproveitar esse incentivo para transformar suas vantagens regionais em projetos concretos. Ainda assim, o presidente do IBTD ressalta que o regime tributário não é o único fator decisivo. Para empreendimentos de grande porte, são determinantes a disponibilidade e o prazo de conexão à rede elétrica, a capacidade de transmissão, redundância de fibra, licenciamento e segurança regulatória.
“Minas já avança na identificação de regiões com infraestrutura adequada para data centers maiores”, observa Martins.
Distribuição dos projetos em Minas Gerais
O estado conta com projetos anunciados ou em desenvolvimento em diferentes regiões, o que demonstra o potencial descentralizado. O Sul de Minas recebeu investimentos em Varginha, enquanto a Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) tem iniciativas em Contagem. A Zona da Mata sinaliza para um parque de data centers em Leopoldina e o Triângulo Mineiro, especialmente Uberlândia, desponta pela infraestrutura de telecomunicações e discussões de novos projetos.
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Uberlândia e o papel do Redata na atração de investimentos
Fabiano Alves, secretário de Desenvolvimento Econômico e Inovação de Uberlândia, destaca que o Redata foi fundamental para atrair investimentos no setor. Segundo ele, diversas empresas aguardavam esse regime para considerar o Brasil, e Uberlândia, em particular, já recebe manifestações de interesse. Um exemplo é a RT-One, que anunciou um projeto de data center com investimento previsto de R$ 6 bilhões, embora o empreendimento esteja em reavaliação devido a questões societárias.
Além dos incentivos fiscais, Uberlândia oferece alta incidência solar, infraestrutura de qualidade e um ecossistema de inovação com empresas de tecnologia e startups. O município também tem investido em educação, incentivando a criação de cursos de graduação em inteligência artificial e cibersegurança, com seis programas já em andamento, o que fortalece a formação de mão de obra especializada.
Montes Claros e o Norte de Minas como novos polos
O Norte do estado, especialmente Montes Claros, surge como outro polo capaz de atrair data centers com o Redata. O prefeito Guilherme Guimarães ressalta que, além dos incentivos fiscais federais, o município oferece energia limpa em abundância, localização estratégica, mão de obra qualificada e benefícios adicionais para empresas. A integração com a área da Sudene e o acesso a recursos com taxas menores pelo Banco do Nordeste ampliam a atratividade da região.
Montes Claros já mantém diálogo com potenciais investidores e trabalha na prospecção de projetos, reforçando sua posição no cenário nacional de expansão dos data centers.
