Riscos das picadas de abelha em Ibirité
O ataque de um enxame de abelhas a uma menina de 12 anos em Ibirité, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, destaca a necessidade de atenção redobrada com as picadas desses insetos. Uma única ferroada pode desencadear reações alérgicas graves, enquanto múltiplas picadas aumentam o risco de intoxicação devido à quantidade de veneno no organismo.
Com a chegada da primavera, quando a formação de enxames se intensifica, os cuidados precisam ser reforçados. Entre janeiro e agosto de 2026, o Brasil registrou 24.137 acidentes envolvendo abelhas, resultando em 75 mortes, conforme o Painel Epidemiológico de Animais Peçonhentos. Esse número já ultrapassa as 74 mortes contabilizadas durante todo o ano de 2025, que somou 24.835 ocorrências.
Como as reações ao veneno podem variar
A alergista e imunologista Aline Gomes, da Hapvida, explica que a resposta ao veneno da abelha pode variar bastante. Uma única picada pode provocar desde sintomas leves, como dor e vermelhidão local, até reações alérgicas severas.
Em casos mais simples, recomenda-se lavar o local com água e sabão e aplicar compressas frias. O uso de antialérgicos deve ser orientado por um médico. Já a anafilaxia, reação grave, pode apresentar urticária, inchaço generalizado, dificuldade para respirar e edema na garganta, exigindo atendimento urgente.
Quando várias picadas representam perigo
Nem sempre é preciso ser alérgico para que as picadas causem problemas graves. A quantidade de veneno injetada em múltiplas ferroadas pode levar a uma intoxicação, que não está ligada à alergia, mas sim ao excesso da toxina no corpo, alerta a especialista.
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Por isso, quem sofre várias picadas deve procurar atendimento médico imediatamente, mesmo sem histórico de alergia. A gravidade da reação também pode variar conforme a espécie da abelha e a quantidade de veneno recebida, tornando imprevisível o desdobramento dos sintomas.
Cuidados imediatos após a picada
Se o ferrão ficar preso na pele, é importante removê-lo o quanto antes, mas sem apertar ou espremer a área para evitar a liberação de mais veneno. Aline aconselha usar a ponta de um cartão, régua ou a unha para empurrar o ferrão para fora, rente à pele.
Após a remoção, lave o local e fique atento a sinais de alerta, como coceira intensa, urticária, dor abdominal, vômitos, falta de ar, tontura ou sensação de garganta fechada. Nessas situações, procure atendimento médico imediatamente. Pessoas com diagnóstico prévio de alergia devem seguir as orientações do alergista e manter a adrenalina autoinjetável sempre à mão, caso tenha sido prescrita.
Prevenção para evitar ataques de abelhas
Não existe repelente específico para abelhas. Produtos comuns para mosquitos não funcionam contra esses insetos. Em áreas com maior presença, evite usar perfumes e cosméticos com cheiro forte, além de roupas muito coloridas, que podem atrair as abelhas.
Bebidas doces em ambientes externos também merecem cuidado, pois as abelhas podem ser atraídas para o copo e causar picadas. Ao identificar um enxame, não tente mexer na colmeia ou espantar os insetos com as mãos. O ideal é buscar abrigo em um local fechado, protegendo rosto e olhos durante a fuga.
Entrar em piscinas, rios ou lagos para escapar não é indicado, já que as abelhas podem permanecer sobre a água, esperando o retorno da pessoa à superfície. Em caso de ataques, equipes especializadas, como o Corpo de Bombeiros, devem ser acionadas para fazer a remoção segura dos insetos.
Tratamento para alergia ao veneno de abelha
Pessoas que já tiveram reações alérgicas ao veneno devem passar por avaliação com um alergista para identificar o risco de novos episódios. Para casos graves, existe a imunoterapia específica, que consiste na administração controlada do veneno para reduzir a sensibilidade do sistema imunológico.
Segundo Aline Gomes, esse tratamento ajuda o organismo a não reagir de forma tão intensa em futuras picadas, oferecendo maior proteção e tranquilidade para quem convive com o risco de ataques.
