Advogado Detido no Centro de Investigações da PF
O advogado Daniel Monteiro, que foi preso na última quinta-feira (16) pela Polícia Federal, é um dos cotistas dos fundos envolvidos nas fraudes do Banco Master, conforme revelam documentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) obtidos pela Folha de S.Paulo. As investigações indicam que ele pode ter utilizado essa rede de fundos para efetuar pagamentos a pedido de Daniel Vorcaro, proprietário do banco. As autoridades investigam a possibilidade de Monteiro atuar como operador para a distribuição de propinas a agentes públicos.
A operação da PF incluiu busca e apreensão de documentos do advogado, o que pode resultar em novas evidências relevantes para o caso.
A defesa de Monteiro, por sua vez, manifestou surpresa com a prisão, afirmando que seu cliente sempre atuou de forma técnica, exercendo sua função como advogado do Banco Master e de outros clientes, sem qualquer envolvimento em atividades ilícitas. “Daniel está à disposição da Justiça e confia que todos os fatos serão esclarecidos”, alega a defesa.
Montante Envolvido e Função no Esquema
De acordo com a Polícia Federal, Monteiro teria recebido a quantia de R$ 86 milhões do Banco Master, sendo considerado um agente-chave na estrutura jurídica da operação criminosa do banco. Ele é cotista de dois fundos: Le Mans e Ikran, sendo que no fundo Ikran, ele compartilha as cotas com a Attavic Consultoria e Participação, da qual também é sócio e administrador até março deste ano.
O fundo Ikran tem participação no fundo Hot Plasma, que, segundo informações da Folha, está ligado a um poço de petróleo na Bahia, por meio da empresa Rubicão. O administrador dessa empresa, Luiz Antonio Lombardi, aparece associado a outras empresas que também têm conexão com o esquema do Banco Master. Uma dessas empresas é a Pegasus, que faz parte de um fundo chamado Sebastian, que, por sua vez, conta com participação do Le Mans, onde Monteiro é cotista.
O fundo Le Mans ainda se relaciona com outros dois fundos do Banco Master. Um deles é o GT4, que possui duas empresas, a Hipogrifo, igualmente administrada por Lombardi, e a Harpia, sob a gestão de Ana Claudia Queiroz Paiva, apontada como responsável pelas movimentações financeiras do grupo conhecido como ‘A Turma’.
Investigações em Andamento e Implicações
O fundo Harpia, onde Ana Claudia Paiva também é funcionária do escritório de Fabiano Zettel — cunhado de Vorcaro e suspeito de atuar como operador financeiro do banco — está sendo investigado pelas autoridades. Recentemente, a justiça decidiu pelo bloqueio de bens de luxo de Vorcaro, com indícios de que esses ativos foram adquiridos com recursos desviados do Banco Master que deveriam ser utilizados para fins pessoais.
Notavelmente, o Le Mans é proprietário indireto de dois aviões, que estão vinculados às empresas Pegasus e Harpia, revelando uma complexa rede de negócios entre os cotistas. A atuação de Monteiro se insere em um esquema maior, que inclui a aquisição e ocultação de imóveis de alto padrão, avaliados em aproximadamente R$ 146,5 milhões, que seriam destinados a Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), também detido na mesma operação.
Costa faz menção a Monteiro em conversas trocadas com Vorcaro, evidenciando a relação estreita entre os envolvidos no esquema. Em uma dessas comunicações, ele sugere que Monteiro poderia preparar um contrato relacionado à estrutura do BRB e do Banco Master, o que demonstraria a profunda conexão entre as operações.
O escritório Monteiro, Ruso, Cameirão e Bercht Sociedade de Advogados, do qual Monteiro é sócio, é um dos que mais recebeu do Banco Master entre 2022 e 2025, totalizando R$ 79,1 milhões. Apenas o escritório Barci de Moraes, que pertence a Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF, Alexandre de Moraes, recebeu um valor superior, de R$ 80,2 milhões, no mesmo período. Ao serem expostos os números, o escritório de Monteiro comentou que também enfrentou problemas de inadimplência com o Banco Master, resultando na falta de pagamento de parte significativa dos honorários devidos.
Além disso, o escritório afirmou ter atuado em aproximadamente 28 mil processos judiciais ligados à instituição de Vorcaro, reduzindo mais de R$ 305 milhões em passivos, ressaltando a relevância de seu trabalho no contexto das operações do banco. Os representantes da banca alegaram que as receitas recebidas refletem proporcionalmente a complexidade dos serviços prestados e os resultados entregues ao cliente.
