Inverno mais rigoroso e chuvas fora do comum em julho
O mês de julho, que começa nesta quarta-feira (1º), promete acentuar o inverno no Brasil, trazendo temperaturas ainda mais baixas e chuvas que ultrapassam o padrão esperado para a estação. Após um início de inverno já marcado pelo frio intenso, com episódios de geada e mínima recorde de -9,2ºC em Bom Jardim da Serra (SC), novas massas de ar polar devem avançar pelo país nas próximas semanas, mantendo o clima rigoroso.
Segundo os meteorologistas Celso Luis de Oliveira Filho e Sabrina Custódio, da Tempo OK, os modelos indicam que as precipitações estarão mais abrangentes do que o habitual para julho. Tradicionalmente concentradas no Sul, as chuvas agora vão atingir também áreas do Sudeste e Centro-Oeste, o que, junto com a maior nebulosidade, dificulta a elevação das temperaturas, favorecendo um cenário mais frio e úmido especialmente em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.
Previsão detalhada das chuvas e temperaturas por região
Geralmente, julho é um mês seco na maior parte do Brasil, com temperaturas baixas no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. A precipitação mais intensa normalmente ocorre no Sul, na costa leste do Nordeste e no norte da região Norte, enquanto estados como Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Tocantins, Bahia e Piauí recebem menos de 10 milímetros de chuva. No entanto, para 2026, esse padrão muda, com volumes de chuva previstos para aumentar a partir do dia 10 e atingir estados em todas as cinco regiões do país.
As chuvas serão mais intensas em Santa Catarina, Paraná, grande parte do Sudeste e Centro-Oeste, além de uma faixa que se estende do sudoeste do Maranhão até Rondônia, passando pelo centro e sul do Pará e o sudeste do Amazonas. Essa alteração climática está ligada ao início do fenômeno El Niño, confirmado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) em 11 de junho, que já começa a influenciar as condições atmosféricas na América do Sul.
El Niño intensifica ventos em altitude e fortalece frentes frias, provocando chuvas fora da posição habitual para esta época do ano. Essa combinação mantém o clima mais úmido e frio em diversas regiões do Brasil durante julho.
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Região Sul
A previsão indica que Santa Catarina e Paraná terão volumes de chuva acima da média, enquanto o Rio Grande do Sul receberá precipitações mais irregulares. A frequência das chuvas será maior na primeira semana e no início da segunda quinzena do mês. Esperam-se ondas de frio, embora os modelos não consigam prever datas exatas para esses episódios. A primeira semana será marcada por temperaturas baixas, influenciadas pelo excesso de nebulosidade e umidade.
Para a agricultura, a combinação de chuva e frio pode aumentar doenças fúngicas e dificultar o manejo das culturas de inverno.
Região Sudeste
Grande parte do Sudeste deverá registrar chuvas acima da média nos primeiros dez dias de julho e novamente após a terceira semana. Apenas o norte de Minas Gerais e do Espírito Santo devem apresentar precipitações próximas da média histórica. A umidade e a nebulosidade contribuem para manter as temperaturas mais amenas.
No campo, o excesso de chuva atrapalha os trabalhos agrícolas, especialmente a colheita de cana-de-açúcar e café em Minas Gerais e São Paulo.
Região Centro-Oeste
Assim como no Sul e Sudeste, o Centro-Oeste deve ter chuvas acima da média, com os maiores volumes no início do mês e após a terceira semana. No Mato Grosso do Sul, as temperaturas ficam abaixo da média por causa da influência das massas de ar frio. Já em Mato Grosso e Goiás, o clima permanece mais quente.
A agricultura também sofre impacto com o excesso de chuva, que atrasa a colheita de milho, algodão e cana-de-açúcar.
Região Norte
Chuvas fora de época devem elevar o acumulado em áreas do Pará, Amazonas e Rondônia. Apesar do calor tradicionalmente elevado na região, Tocantins poderá registrar temperaturas mais altas e persistentes. Para a agricultura, as condições não devem trazer grandes impactos, mas o risco de incêndios florestais em Roraima preocupa com a aproximação do período seco.
Região Nordeste
Na faixa leste do Nordeste, conhecida por receber as maiores chuvas em julho, a precipitação deve ficar abaixo da média. No Maranhão, entretanto, as pancadas fora de época elevam o volume acumulado. O calor predomina, principalmente no sul do Maranhão, sudoeste do Piauí e oeste da Bahia.
O principal desafio agrícola na região será o aumento dos focos de queimadas nas áreas de Cerrado e Caatinga.
