Momento Estratégico para Pacheco
BRASÍLIA – O senador Rodrigo Pacheco (PSB) deve ser formalmente apresentado como candidato ao governo de Minas Gerais apenas em julho, conforme se aproxima o início do prazo para as convenções partidárias. De acordo com informações apuradas pelo Estadão/Broadcast, sua participação é considerada certa nos bastidores, mas a base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda está em negociação para incorporar novos partidos na coligação, especialmente o União Brasil.
Uma fonte próxima ao processo eleitoral comentou que, no cenário político de Minas Gerais, o sucesso está reservado àquele que optar por se resguardar e evitar uma pré-candidatura precipitada. Por essa razão, não há expectativa de que Pacheco se apresente como candidato neste momento.
Desafios na Construção da Coligação
Entretanto, o contexto não é favorável à base de Lula, que ainda luta para conseguir apoios que assegurem a viabilidade da candidatura de Pacheco ao governo mineiro. Para aumentar sua visibilidade, tempo de televisão e atrair o eleitorado do centro, os partidos União Brasil e PP estão sendo alvos prioritários nas articulações.
O União Brasil, que está em federação com o PP, precisa tomar decisões conjuntas, e é o partido que a base de Lula vê com mais potencial para integrar a coligação. Pacheco, que foi membro do DEM entre 2019 e 2021 (quando o partido se fundiu ao PSL e deu origem ao União), conta com o apoio do presidente estadual do União em Minas, o deputado federal Rodrigo de Castro, um de seus aliados políticos. Apesar de ele ter sido contatado, não houve retorno de sua parte. Atualmente, o PP tem um entendimento com o governador Mateus Simões (PSD) para lançar Marcelo Aro como candidato a senador em sua chapa.
Além de Simões, outros partidos centristas já possuem pré-candidatos. O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) e o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo (MDB), são alguns deles.
Movimentações no Cenário Político
A pré-candidatura de Simões, que deixou o Novo e se filiou ao PSD no último ano, foi o que motivou Pacheco a mudar de partido e buscar uma nova sigla para atender ao pedido de Lula, garantindo também um palanque para o presidente na região. O PSB foi a legenda que o acolheu, com a filiação oficializada no dia 1º.
Porém, mesmo dentro da base de Lula, um palanque ainda não está garantido. O ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, pré-candidato do PDT, reluta em abrir mão da disputa para assumir a vice na chapa de Pacheco. O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, já declarou que essa decisão deverá ser tomada apenas por Kalil.
A expectativa é que os votos apoiadores de Bolsonaro se dirijam a Cleitinho e Simões, enquanto Lula considera Pacheco como o candidato ideal para capturar os votos do centro, que foram decisivos para sua vitória apertada sobre Jair Bolsonaro (PL), com uma diferença de menos de 50 mil votos.
Reuniões e Estratégias de Apoio
Para assegurar Pacheco na disputa, Lula tem realizado uma série de reuniões, promovendo encontros do senador em Minas e fazendo pedidos públicos para que ele, que havia cogitado deixar a política, aceitasse participar do pleito. Além disso, Pacheco também foi cogitado para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), recebendo apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). No entanto, Lula decidiu indicar o advogado-geral da União, Jorge Messias, considerando a presença de Pacheco no cenário eleitoral mineiro.
Pesquisa Indica Cleitinho em Liderança
Uma pesquisa recente do instituto AtlasIntel, divulgada no dia 1º de abril, mostra Cleitinho liderando a corrida eleitoral no primeiro turno com 32,7% das intenções de voto, enquanto Pacheco aparece com 28,6%. Kalil encontra-se em terceiro lugar com 11,7% dos votos.
O senador Carlos Viana (PSD) possui 7,5%, e Mateus Simões tem 6,2%. Gabriel Azevedo (MDB) conta com 4% e o advogado Benoni Mendes (Missão) apresenta 3,7%. Os votos brancos e nulos somam 1,8%, e 3,8% dos eleitores se mostram indecisos.
Num provável segundo turno entre Pacheco e Cleitinho, a pesquisa revela que o pré-candidato do Republicanos detém 47% das intenções de voto, enquanto Pacheco registra 42%. Votos brancos, nulos e indecisos representam 11% das intenções nesta etapa.
O levantamento da AtlasIntel, que ouviu 2.195 eleitores mineiros entre os dias 25 e 30 de março, apresenta uma margem de erro de dois pontos percentuais e um índice de confiabilidade de 95%. O registro da pesquisa está devidamente formalizado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número MG-01664/2026.
