Da Periferia ao Empreendedorismo
Nascido na periferia de Belo Horizonte, Minas Gerais, Gleidson Leopoldo Messias, um comerciante de 47 anos, mudou-se para Portugal em 2004, em busca de novas oportunidades. Naquela época, poucos brasileiros imaginavam viver e trabalhar em terras lusitanas. Hoje, ele recorda com carinho de seu primeiro emprego, em uma empresa de montagem de palcos, onde permaneceu por 22 anos. Ao longo desse tempo, teve a chance de presenciar diversos shows de artistas renomados, como Djavan e Caetano Veloso. No entanto, a grande mudança em sua vida ocorreu quando conheceu a também mineira Simone Cordeiro dos Santos, com quem se casou em 2007. Juntos, 16 anos depois, decidiram abrir o Restaurante Popular em Loulé, no Algarve.
Simone, de 49 anos, relembra como seu marido veio para Portugal ainda jovem, atraído pela ideia de viver uma experiência diferente. Ao se apaixonarem durante uma viagem ao Brasil, ela decidiu acompanhá-lo, e a família se estabeleceu em território português, onde tiveram dois filhos. No início, enquanto Gleidson trabalhava na montagem de palcos, Simone começou a ganhar um extra em uma lanchonete local, que rapidamente se transformou em uma sociedade e, depois, na posse de um pequeno mercadinho. Contudo, a pandemia do coronavírus trouxe desafios significativos, levando o negócio ao colapso.
A Superação em Tempos Difíceis
Com a movimentação reduzida de clientes, que preferiam supermercados maiores durante o isolamento, o minimercado de Simone enfrentou dificuldades financeiras. “Era um espaço para compras de última hora, mas durante a pandemia, ficou vazio. Foi uma fase muito difícil para nós”, lamenta Simone, que também lidou com os impactos emocionais da crise. Nesse cenário, Gleidson decidiu deixar o emprego seguro para se arriscar no setor de restauração, mesmo sem experiência prévia. “Eu não sabia grelhar, nem acender uma churrasqueira; na verdade, não conhecia os cortes de carne em Portugal”, lembra.
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Fonte: parabelem.com.br
Em 2023, o casal investiu 30 mil euros em um ponto comercial que estava abandonado em Loulé. Gleidson destaca que, apesar de não ter experiência, ele e Simone fizeram quase tudo sozinhos para revitalizar o local. “Hoje, o investimento já vale mais do que o triplo”, comemora. O casal utilizou móveis e materiais que encontraram no lixo para decorar o espaço, demonstrando um notável espírito de criatividade e sustentabilidade. Gleidson, além de empresário, tornou-se um autodidata na produção de mosaicos, que adornam as paredes do restaurante e estão à venda.
Um restaurante que conta histórias
Gleidson cresceu na Cabana do Pai Tomás, uma das maiores favelas de Belo Horizonte, e aprendeu desde cedo a valorizar as coisas e a usar a criatividade. “Quando entramos no espaço que hoje é nosso restaurante, ele não tinha valor comercial e nós não tínhamos dinheiro para transformá-lo. A única opção foi reaproveitar o que as pessoas descartavam”, relata. Ele destaca que cerca de 70% da decoração do restaurante veio de materiais reciclados, enfatizando que a arte tem o poder de transformar ambientes.
As paredes do restaurante foram pintadas com sobras de tinta que Gleidson encontrou na rua. Ele também se orgulha de atrair um público diversificado, incluindo turistas de países como Bélgica, Alemanha, Inglaterra e França. Os visitantes são atraídos não apenas pela comida, mas também pelo ambiente singular e pelos mosaicos, muitos dos quais pedem para fotografar. O sonho de Gleidson é transformar o Restaurante Popular em um restaurante-galeria. “Comecei a fazer os mosaicos porque encontrei muitos pedaços de azulejos no lixo”, revela.
Embora o foco do restaurante não seja a culinária brasileira, aos sábados, a atração é a feijoada, oferecida por 12,50 euros. Simone, que aprendeu a fazer a receita com pé, orelha e rabo de porco, juntamente com molho vinagrete, farofa e couve, afirma que o prato conquistou muitos brasileiros que vivem na região. “É uma verdadeira feijoada que trago do Brasil”, conclui.
