Disputa interna no Republicanos complica cenário da direita em Minas Gerais
O impasse em torno da candidatura do senador Cleitinho Azevedo ao governo de Minas Gerais reformulou o panorama da direita no estado às vésperas do encerramento das convenções partidárias. Até recentemente, Cleitinho figurava como o principal representante da coalizão conservadora, liderando as intenções de voto conforme a pesquisa Genial/Quaest divulgada na terça-feira (28).
Porém, a indefinição sobre sua candidatura provocou a suspensão das negociações pelo Republicanos, forçando os aliados a reestruturarem sua estratégia eleitoral em Minas. Em nota oficial liberada na quarta-feira (29), o Republicanos atribuiu a Cleitinho a responsabilidade pelo impasse nas tratativas. O partido destacou que manteve diálogo aberto por meses, oferecendo condições políticas para viabilizar a candidatura e aguardando uma definição. A ausência do senador na convenção estadual do último dia 25 levou à busca por alternativas, segundo avaliação da legenda.
Líderes do Republicanos ouvidos pela Gazeta do Povo observaram que o tom da nota da Executiva nacional reflete o desgaste causado pelas sucessivas indefinições de Cleitinho. Sem declarar oficialmente um rompimento, a direção estadual ressaltou que o partido estava preparado para lançar a candidatura, mas faltou “a decisão inequívoca de quem deveria ser, em primeiro lugar, candidato de si mesmo”.
Impacto da indefinição sobre as estratégias do PL e aliados
Dirigentes do PL reconhecem que, apesar da competitividade eleitoral, persistem dúvidas sobre o comportamento político do senador. A insistência do Republicanos em estender as negociações até o limite do prazo se justifica pelo desempenho eleitoral favorável de Cleitinho. A pesquisa Genial/Quaest revelou o senador liderando a corrida ao Palácio Tiradentes com 35% das intenções de voto, mais que o dobro do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), que aparece com 12%. O deputado federal Patrus Ananias (PT) soma 10%, enquanto o governador Mateus Simões (PSD) registra 6%. Nas simulações de segundo turno, Cleitinho também venceria Kalil, Patrus e Mateus Simões.
A pesquisa, que entrevistou 1.482 eleitores entre os dias 22 e 26 de julho de 2026, tem margem de erro de três pontos percentuais e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número MG-03490/2026.
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Em resposta à nota do partido, Cleitinho afirmou em entrevista coletiva que continua trabalhando para viabilizar sua candidatura, condicionando sua decisão ao resultado das pesquisas. “Em todos os cenários eu lidero as pesquisas. O que eu falei é que, se até o final eu estiver liderando, eu serei candidato. A voz do povo é a voz de Deus. Eu serei candidato”, declarou o senador, que também anunciou o ex-prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão, como pré-candidato a vice.
Articulação de alternativas para manter a unidade da direita
Diante da indefinição, PL, Republicanos e PP intensificaram negociações para evitar a fragmentação do campo conservador. O ex-secretário da Casa Civil do governo Romeu Zema, Marcelo Aro (PP), que havia desistido da disputa pelo Senado, surge como principal alternativa para liderar a chapa ao governo de Minas.
Essa reorganização ganhou força após a convenção estadual do Republicanos e a constatação de que não haveria tempo hábil para esperar por uma definição de Cleitinho. As legendas priorizam construir uma candidatura capaz de preservar a aliança entre PL, Republicanos e PP, garantindo a coesão do grupo nas eleições estaduais.
Marcelo Aro rompeu as negociações com o grupo governista após o PSD filiar o senador Carlos Viana para o Senado, retornando como opção para liderar a chapa da direita. A pressão por uma definição aumentou na terça-feira (28), durante reunião da coordenação da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro em Brasília, com participação de integrantes do PL, Republicanos e Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg).
Na ocasião, o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, foi consultado e concordou que a indefinição não poderia se estender. A conversa consolidou o entendimento de que, caso Cleitinho não formalizasse sua candidatura, seria preciso acelerar a construção de uma alternativa.
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O Republicanos deve apoiar Marcelo Aro, alinhamento também discutido pela Federação União Progressista, composta por União Brasil e PP, cuja convenção estadual está marcada para 3 de agosto. Nos bastidores, dirigentes do PL e Republicanos interpretam a indecisão de Cleitinho como uma estratégia para medir o ambiente político antes de um compromisso formal.
Palácio Tiradentes como foco estratégico do PL e campanha de Flávio Bolsonaro
A definição do palanque em Minas Gerais é prioridade para a campanha de Flávio Bolsonaro, dada a relevância do estado como segundo maior colégio eleitoral do país. A estratégia do PL é replicar alianças estaduais semelhantes à construída em São Paulo com Tarcísio de Freitas, unindo partidos de direita e legendas de centro.
Cleitinho era visto como o nome mais competitivo para ampliar o alcance da candidatura presidencial do senador do PL, inclusive atraindo eleitores além do núcleo tradicional bolsonarista. Por isso, o partido insistiu durante meses para convencê-lo a disputar o Palácio Tiradentes.
Entretanto, dirigentes do PL admitem que a competitividade eleitoral de Cleitinho não dissipa as dúvidas sobre sua postura política. Sua atuação independente e a relutância em assumir compromissos partidários geram incertezas sobre seu alinhamento durante a campanha presidencial de Bolsonaro (PL). Mesmo assim, a legenda mantém Cleitinho como prioridade para o governo de Minas.
Segundo interlocutores, o impasse é tratado como questão interna do Republicanos, e o PL não pretende interferir na decisão do aliado. Para o analista de políticas públicas Mano Ferreira, a consolidação de palanques como o de Minas Gerais ganha ainda mais relevância diante da expectativa de uma eleição presidencial equilibrada.
