Inflação desacelera em Belo Horizonte
Em julho de 2026, a inflação em Belo Horizonte apresentou uma leve alta, mas com desaceleração importante em relação ao mês anterior, conforme revela levantamento da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Fundação Ipead). O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-BH) registrou aumento de 0,41% no mês, abaixo dos 0,43% da última semana de junho e dos 1,29% do mês inteiro de junho. No acumulado dos últimos 12 meses, o índice avançou 4,14%, mostrando um ritmo mais controlado, apesar de ainda superar a meta do Banco Central.
Impacto do consumo das famílias com renda até cinco salários mínimos
Para as famílias com renda de até cinco salários mínimos, o Índice de Preços ao Consumidor Restrito (IPCR-BH) também registrou desaceleração, subindo 0,45% em julho, contra 1,16% em junho. No acumulado anual, o IPCR-BH teve alta de 3,85%. Esses números indicam que, mesmo com a inflação persistente, o ritmo de aumento dos preços para as camadas de menor renda está mais contido, o que pode aliviar a pressão sobre o orçamento doméstico.
Alimentação e bebidas puxam desaceleração
O principal destaque para a desaceleração da inflação em Belo Horizonte foi o grupo de alimentação e bebidas, que teve um aumento de apenas 0,17% em julho. O subgrupo alimentação fora da residência registrou elevação de 0,18%, enquanto a maioria dos itens de alimentação apresentou queda nos preços. Os alimentos in natura, como carnes e vegetais, caíram 1,87%. Em contrapartida, bebidas em bares e restaurantes tiveram alta de 4,79% e alimentos industrializados subiram 1,03%.
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Produtos com maiores variações de preço
Entre os itens que tiveram os maiores aumentos de preço estão pneu e câmara de ar, com alta de 19,07%, passagem aérea (18,58%) e cerveja em bares (7,69%). Na outra ponta, os produtos com quedas expressivas foram batata inglesa (-18,42%), joias (-3,51%) e pão francês (-2,47%). As maiores contribuições para a alta da inflação vieram de excursões (0,12 ponto percentual), condomínio residencial (0,05 ponto percentual) e cerveja em bares (0,04 ponto percentual). Por outro lado, refeição fora de casa (-0,06 ponto percentual), batata inglesa (-0,03 ponto percentual) e mão de obra como pedreiro, marceneiro e eletricista (-0,03 ponto percentual) ajudaram a conter a inflação.
Estabilidade na alimentação é fator positivo para inflação
Segundo Eduardo Antunes, gerente de pesquisa do Ipead, a estabilidade dos preços do grupo alimentação na capital tem sido fundamental para evitar uma inflação mais elevada. “Desde meados do ano passado, a alimentação tem tido um papel importante. Mesmo com aumentos pontuais em alguns produtos, principalmente sazonais, o grupo não tem pressionado o IPCA, ajudando a manter o índice mais controlado”, explica Antunes.
Inflação alta, mas sem descontrole
Apesar do acumulado de 4,14% superar a meta anual de 3% do Banco Central, o cenário não indica descontrole inflacionário. “No Brasil, a inflação historicamente é alta, e o Banco Central enfrenta desafios para controlá-la, mesmo com a taxa Selic como ferramenta principal. Ainda há trabalho a ser feito para reduzir a inflação, mas não estamos próximos de um descontrole, como o vivido na década de 80”, comenta o economista.
Inflação corrói poder de compra
Mesmo com taxas mais baixas em comparação a períodos anteriores, a inflação continua corroendo o salário e o poder de compra das pessoas. A variação dos preços, ainda que pontual, exige adaptações constantes no orçamento familiar. “Aumentos esporádicos em alguns produtos impactam diretamente o salário das pessoas, que precisam se ajustar a essas mudanças para manter seu padrão de vida”, alerta Antunes.
