Programa Minas Inédita: valorizando as joias escondidas do estado
Em entrevista exclusiva ao BHAZ, o secretário de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, Leônidas Oliveira, compartilhou os planos e desafios da secretaria para 2024. Um dos destaques é o programa Minas Inédita, que visa revelar distritos, vilas e povoados pouco explorados do estado, promovendo o turismo de experiência e a valorização do patrimônio cultural local. Segundo Leônidas, a iniciativa responde a uma mudança no perfil dos viajantes, que buscam cada vez mais autenticidade e conexão com a cultura regional.
Com mais de 4 mil localidades preservando tradições, arquitetura e modos de vida típicos, Minas Gerais apresenta um potencial turístico ainda pouco explorado. “A experiência turística se dá pelo original, pelo que é próprio e verdadeiro, em lugares que despertam pertencimento. Na roça está a essência da Minas”, afirma o secretário. Exemplos como Piacatuba, na Zona da Mata, com seu conjunto arquitetônico histórico e o Festival Gastronômico da Comida de Quintal, ilustram essa riqueza cultural. A iniciativa movimenta a hotelaria local e atrai visitantes para eventos que transformam os quintais em restaurantes temporários.
A Avenida Cultural: um corredor de arte e história no centro de Belo Horizonte
Outra ação importante é a transformação da Avenida Afonso Pena, no Hipercentro de Belo Horizonte, em uma ‘Avenida Cultural’. O projeto integra o Circuito Liberdade e conecta espaços como o Parque Municipal Américo Renné Giannetti, Casa Baanko, Centro de Entretenimento de Arte e Cultura (Ceac), Automóvel Clube e Igreja São José. Além disso, instituições como o Cine Theatro Brasil, Palácio das Artes e Museu dos Brinquedos passam a compor esse corredor cultural.
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Em parceria com a Fundação Clóvis Salgado (FCS) e outras instituições, a iniciativa faz parte do programa Minas Essencial, que une cultura, patrimônio e turismo para fortalecer a identidade mineira. Um destaque será a instalação de um mirante de vidro no Edifício Acaiaca, proporcionando uma vista única do centro da capital. “As pessoas poderão sentir a impressão de estar acima da cidade”, explica Leônidas, que destaca também a tirolesa que ligará o topo do prédio ao Parque Municipal, criando uma experiência inédita no espaço urbano.
Repensando o Carnaval de Belo Horizonte: democracia e profissionalização
Leônidas Oliveira também expressa a necessidade de revisar o modelo das “vias sonorizadas” que estruturam o Carnaval da capital. Atualmente, três avenidas – Andradas, Amazonas e Brasil – recebem sonorização ampliada com equipamentos potentes, financiados pelo governo via Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge). Porém, representantes de blocos reclamam da concentração de recursos em poucos grupos. Em reunião na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), a Bruta, liga que reúne 70 blocos, destacou que apenas 23 desfilaram nessas vias em 2026.
O secretário reconhece que o formato pode ser mais democrático e propõe a inclusão equilibrada de blocos grandes e pequenos, ampliando a visibilidade para coletivos de bairros. “Deveríamos reservar uma porcentagem para blocos menores, para que as vias se tornem vitrines da diversidade do Carnaval, e não apenas dos maiores”, defende Leônidas. Ele ainda ressalta as limitações legais para remanejamento direto dos recursos, que são aplicados via lei de incentivo e convênios.
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Além disso, o secretário defende a criação de uma política pública permanente para o Carnaval de Belo Horizonte, que profissionalize artistas, músicos e trabalhadores do setor durante o ano inteiro. Atualmente, a falta de estrutura fixa para ensaios e capacitação é um entrave. “Se tivéssemos um espaço público para ensaiar, criar e formar, daríamos um salto enorme”, afirma. Para Leônidas, a revitalização dos blocos caricatos, escolas de samba e grupos tradicionais é fundamental para manter a tradição da festa.
Perspectivas e próximos passos na gestão cultural
Leônidas Oliveira projeta uma gestão que aprofunde as políticas culturais e turísticas, valorizando “pérolas” e “preciosidades” mineiras ainda pouco conhecidas. A parceria entre Secult-MG, Salgado (FCS) e a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (Gerais ALMG) é central para articular ações que fortaleçam o turismo cultural em toda a região, promovendo circulação, geração de renda e o reconhecimento da diversidade mineira.
O secretário destaca ainda a importância de uma construção coletiva das políticas públicas, envolvendo governo e sociedade civil, para garantir flexibilidade e efetividade. Com uma agenda que une patrimônio, economia criativa e cultura, Minas Gerais busca ampliar sua visibilidade no cenário nacional e internacional, enquanto fortalece sua identidade local e o acesso do público aos diversos territórios culturais do estado.
