Virada inédita no segundo turno
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conquistou a eleição presidencial de 2026 ao obter 51,75% dos votos válidos, contra 48,25% de Flávio Bolsonaro (PL), revertendo uma desvantagem inicial de 2,2 milhões de votos. A virada foi marcada pela ampliação da votação em diversas regiões, com destaque para o Nordeste e a recuperação do estado de Minas Gerais, único que mudou de vencedor entre os turnos.
No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro liderou com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%. Flávio venceu em 15 estados e no Distrito Federal, enquanto Lula ficou à frente em 11 estados. No segundo turno, conforme dados consolidados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula liderou em 12 estados, contra 14 de Flávio e o Distrito Federal.
Minas Gerais: a mudança decisiva
Minas Gerais foi o único estado onde o vencedor mudou entre as etapas. Flávio havia obtido 48,24% dos votos válidos no primeiro turno, mas Lula assumiu a liderança no segundo, alcançando 50,42%. Este resultado representa um feito inédito desde a redemocratização, pois nunca antes um candidato que ficou em segundo lugar no primeiro turno venceu a eleição presidencial na sequência.
O analista de risco político e econômico Fábio Zambeli, diretor de Public Affairs do Grupo In Press, atribui a vitória à melhora do desempenho de Lula em várias regiões, à mobilização eleitoral e ao alto comparecimento às urnas. Ele destacou especialmente o avanço em São Paulo, sobretudo na capital, no Nordeste e a reversão em Minas Gerais.
Ampliação da votação por estado
Lula ampliou sua participação nos votos válidos em diversas unidades da federação. Flávio Bolsonaro manteve a liderança em estados do Sul, Centro-Oeste e Norte. No segundo turno, Lula liderou em 12 estados, e Flávio, em 14 estados e no Distrito Federal.
Leia também: Minas Gerais e Quatro Estados Decidem a Eleição de 2026 no Brasil
Leia também: Datafolha: Flávio Bolsonaro e Lula empatam em 50% dos votos válidos no segundo turno
Comparado com a eleição de 2022, Minas Gerais e Tocantins mudaram de lado, passando a apoiar Flávio no primeiro turno. No entanto, no segundo, Lula recuperou Minas Gerais.
Avanços expressivos no Nordeste e Norte
O Nordeste foi a região em que Lula mais ampliou sua votação. No Piauí, seu percentual subiu de 70,99% para 75,88%. No Rio Grande do Norte, de 59,75% para 65,72%. Sergipe registrou um aumento de 62,75% para 69,53%. Outros estados nordestinos, como Ceará, Alagoas, Paraíba, Pernambuco, Maranhão e Bahia, também apresentaram avanços significativos.
Fora do Nordeste, o Amapá destacou-se com um crescimento de 7,17 pontos percentuais, passando de 45,71% para 52,88%. Amazonas e Pará também registraram avanços acima de 5 pontos percentuais.
São Paulo e a influência da escala 6×1
São Paulo foi um dos focos da campanha. Embora Flávio tenha mantido a liderança no estado, Lula apresentou desempenho superior na capital, com vantagem de mais de 11 pontos percentuais. Zambeli ressaltou o impacto do fim da escala 6×1 nas capitais, especialmente em São Paulo, como um fator relevante para a análise do resultado.
Leia também: Real Time Big Data: Patrus se isola na vice-liderança em Minas Gerais e empata com Cleitinho no segundo turno
Leia também: Lula e Flávio Bolsonaro no 2º turno: o destino dos votos de Cury, Renan e Caiado
A campanha do PT intensificou sua articulação política no segundo turno, com maior protagonismo do senador Camilo Santana (PT-CE) e do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), além da participação de parlamentares com forte presença digital, como André Janones (Rede-MG). Lula realizou atos públicos na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, e na Avenida Paulista, em São Paulo, mobilizando militantes até o último momento.
Força mantida por Flávio nas regiões Sul e Centro-Oeste
Flávio Bolsonaro permaneceu forte em estados como Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Rondônia, além do Distrito Federal. Em Goiás, seu percentual subiu de 53,60% para 59,66%, em Paraná de 59,91% para 62,58%, e em Santa Catarina de 66,65% para 69,42%. Outros estados no Norte também registraram aumentos modestos para o senador.
Desafios políticos para o novo mandato
Apesar da vitória nas urnas, Lula enfrenta um cenário complexo para governar. O PL mantém a maior bancada na Câmara dos Deputados, com 121 dos 513 assentos, e no Senado, com 28 dos 81 senadores. A federação formada por PT, PCdoB e PV conta com 88 cadeiras na Câmara.
Essa composição exigirá articulação política cuidadosa para avançar em temas cruciais como política fiscal, segurança pública e relações trabalhistas. A proposta de fim da escala 6×1, apontada como relevante na dinâmica eleitoral, deve ser acompanhada de perto no próximo mandato.
