Partida de um símbolo do axé music
Netinho, um dos nomes mais expressivos do axé music, faleceu nesta terça-feira (13), aos 60 anos, em um hospital de Salvador. O artista lutava contra um câncer do sistema linfático há mais de um ano, enfrentando um linfoma não Hodgkin do tipo B que evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos, conforme informou sua assessoria.
Carreira marcada por sucessos e inovação
Natural de Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo baiano, Netinho nasceu em 12 de julho de 1966 e mudou-se para Salvador aos 10 anos, onde teve contato inicial com a música. Aos 14, ganhou seu primeiro violão e, mesmo cursando Engenharia Civil na Universidade Católica do Salvador (Ucsal), conciliava os estudos com apresentações musicais em bares, focando em MPB e bossa nova.
Em 1988, estreou como vocalista da Banda Beijo no Carnaval de Salvador, alcançando notoriedade nacional com “Beijo na Boca”. O sucesso se repetiu com músicas como “Estrela primeira”, “Barracos” e “A vida é festa”. Três anos após iniciar carreira solo, lançou “Milla” em 1996, música que se tornou um marco do axé music e elevou sua popularidade no Brasil e no exterior, com shows na Itália, Chile e outros países.
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Além do palco: empreendedorismo e vida pessoal
Netinho também atuou como empresário, inaugurando um estúdio de gravação e mixagem no Rio de Janeiro que recebeu artistas renomados como Maria Bethânia, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Laura Pausini e Lenny Kravitz. Criou ainda um selo para lançar novos talentos da Bahia. Entre 1997 e 2003, foi casado com a jornalista Mariana Trindade, com quem teve uma filha, Bruna Trindade.
Momentos marcantes e desafios pessoais
Em 2010, o cantor revelou publicamente ser bissexual, tema que preferiu tratar com discrição em entrevistas posteriores. A vida artística sofreu um impacto sério em 2013, quando Netinho teve três acidentes vasculares cerebrais que resultaram na perda da voz, seu principal instrumento, afastando-o do Carnaval de Salvador por quatro anos.
Atuação política e posicionamentos públicos
Nas eleições de 2022, Netinho foi candidato a deputado federal pelo PL, partido do qual era apoiador do então presidente Jair Bolsonaro (PL). Apesar de receber cerca de 31 mil votos, não foi eleito, figurando como suplente no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Sua participação em atos políticos gerou controvérsia e críticas dentro e fora do meio artístico.
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Fonte: omanauense.com.br
Despedida reservada e legado cultural
Por vontade do artista, o velório e a cremação ocorrerão de forma restrita, com a presença apenas de familiares e amigos próximos. Netinho deixa um legado que ultrapassa as fronteiras do axé music, influenciando gerações e contribuindo para a difusão da cultura baiana no Brasil e no mundo. O artista anunciou publicamente seu diagnóstico em março de 2025, acompanhando seu tratamento pela internet, o que aproximou fãs e seguidores da sua luta pessoal.