Minas Gerais e a força econômica do pão de queijo
O pão de queijo não é apenas uma tradição mineira, mas um verdadeiro motor econômico para Minas Gerais. Conhecido nacionalmente e celebrado em 17 de agosto como o Dia Nacional do Pão de Queijo, esse alimento vai muito além do sabor: ele impulsiona uma cadeia produtiva que envolve desde a produção de leite até as padarias que abastecem a população. Minas Gerais lidera com folga a produção brasileira, respondendo por cerca de dois terços da fabricação nacional, totalizando aproximadamente 892,5 mil toneladas anualmente, de acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip).
Da matéria-prima ao produto final: integração que movimenta a economia local
O impacto econômico do pão de queijo começa na produção do leite, essencial para o queijo usado na receita. Em 2025, Minas Gerais produziu cerca de 9,78 bilhões de litros de leite, sendo que quase metade desse volume foi destinada à fabricação de queijos, segundo informações do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados no Estado de Minas Gerais (SILEMG). Essa cadeia envolve também ingredientes como mandioca e polvilho, que ampliam o espectro de atividades econômicas vinculadas à iguaria.
Segundo a Câmara da Indústria de Alimentos e Bebidas da FIEMG, o consumo de queijo para a produção do pão de queijo tem estimulado o mercado de laticínios, favorecendo desde pequenos produtores até grandes empresas. Em 2025, o setor de alimentos em Minas Gerais movimentou R$ 164,5 bilhões, o que representa 11,9% da produção nacional da indústria alimentícia. O estado conta com quase 7 mil empresas no segmento e gera aproximadamente 247 mil empregos diretos, conforme dados da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) e da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG).
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Inovações e desafios para manter a competitividade
Para atender à demanda e otimizar a produção, o setor investe em tecnologias que reduzem a mão de obra manual e ampliam a escala produtiva. Processos inovadores no tratamento do polvilho minimizam os impactos climáticos, enquanto pesquisas com a mandioca buscam aumentar a produção em diferentes regiões. Ainda assim, o setor enfrenta desafios como os altos custos de energia, transporte e mão de obra, que pressionam os preços e exigem estratégias para preservar a competitividade no mercado.
Padarias mineiras: tradição e inovação na ponta da cadeia
Na ponta final dessa cadeia, as padarias mineiras desempenham um papel fundamental. São mais de 33 mil estabelecimentos ativos, segundo a Associação Mineira da Indústria de Panificação (Amipão). O pão de queijo é o segundo produto mais vendido, ficando atrás apenas do pão francês. Essa preferência revela a forte ligação da população com essa iguaria.
As padarias têm apostado em versões inovadoras, com recheios variados, formatos diferentes e até preparações criativas, como os waffles de pão de queijo. Além disso, a linha congelada facilita o consumo, permitindo que o produto vá diretamente do congelador ao forno, agilizando o atendimento sem perder qualidade. Essa combinação entre tradição e inovação mantém o pão de queijo relevante e reforça seu papel como um símbolo cultural e econômico de Minas Gerais.
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Perspectivas para o futuro do setor e seu impacto na economia local
Mais do que um produto típico, o pão de queijo é um pilar econômico que gera impactos positivos em diversos setores, da agricultura ao varejo. A cadeia produtiva sustenta milhares de empregos, promove inovação tecnológica e fortalece a economia regional. Contudo, o equilíbrio entre custo e preço final ao consumidor permanece um desafio diante do aumento dos gastos com energia e transporte.
Investir em diversificação dos produtos e tecnologias que ampliem a competitividade é fundamental para o crescimento sustentável do setor e sua capacidade de expansão, inclusive para mercados externos. Além disso, valorizar o pão de queijo contribui para fortalecer a cultura mineira, atraindo turismo e estimulando a economia criativa da região.
