Diretor da ANM é indiciado por envolvimento em exploração ilegal na Serra do Curral
A Polícia Federal (PF) indiciou Mauro Sousa, diretor-geral da Agência Nacional de Mineração (ANM), por suspeita de participação em uma associação criminosa dedicada à exploração ilegal de minério de ferro na Serra do Curral, em Minas Gerais. Sousa está no comando da ANM desde 2022 e, até o momento, declarou que só se manifestará após ter acesso completo ao relatório da investigação.
A investigação conduzida pela PF aponta que Sousa utilizou sua posição para beneficiar interesses privados da empresa Empabra Green Metals, que é alvo de apurações por lavra irregular, usurpação mineral e infrações ambientais. Além de Sousa, outras 50 pessoas foram indiciadas em dois inquéritos vinculados às operações Rejeito e Parcours, que tramitam na superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais.
Outros nomes envolvidos e detalhes das investigações
Dentre os indiciados estão Caio Trivelatto, outro diretor da ANM; Pablo César de Sousa, ex-assessor do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG); e o empresário Lucas Kallas, que já teve parceria com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, principal investidor do Banco Master. A defesa de Kallas afirmou confiar na comprovação da inocência do empresário, destacando que ele não tem relação com a empresa investigada desde 2017 e que sua participação anterior era apenas como investidor.
A PF atribui a Kallas a gestão da mineração ilegal na Serra do Curral entre 2014 e 2018, além de corrupção de servidores públicos. Pablo César de Sousa preferiu não comentar o mérito do caso, ressaltando que sua atuação sempre foi pautada pela ética. Até a publicação deste texto, Trivelatto não havia sido localizado para posicionamento.
Leia também: Minas Gerais Avança na Saúde de Comunidades Afetadas pela Mineração
Leia também: Mineração 360°: O TEMPO Realiza Seminário para Discutir a Cadeia da Mineração em Minas Gerais
Esquema usava planos ambientais como fachada para mineração ilegal
O núcleo da investigação revela que planos de recuperação ambiental e de fechamento de minas foram usados como fachada para ocultar a exploração ilegal, especialmente na Mina Granja Corumi, em Belo Horizonte. A PF destaca que houve uma transformação do dever legal de recuperação ambiental em uma atividade minerária organizada, com divisão de tarefas e captura institucional.
Documentos encontrados indicam que o grupo pretendia lucrar até R$ 2,3 bilhões com a extração ilegal de minério na Serra do Curral. As alegações de recuperação ambiental serviram para viabilizar toda a cadeia da mineração irregular, desde a extração até a comercialização, em desconformidade com a legislação vigente.
Relações próximas entre diretor da ANM e empresários investigados
O relatório da PF aponta que Mauro Sousa mantinha uma relação “próxima, frequente e informal” com representantes da Empabra Green Metals, confirmada por interceptações e registros telefônicos entre 2023 e 2025. Essas conversas revelam um vínculo incompatível com a impessoalidade esperada do cargo público, com trato pessoal e acompanhamento privilegiado de assuntos internos da ANM.
Leia também: TJMG celebra a formatura de 217 novos policiais civis em Minas Gerais
Leia também: Militares do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais lideram força-tarefa brasileira para resgate na Venezuela
As evidências indicam que Sousa adiantava informações internas aos empresários, encaminhava suas demandas para a área técnica da agência, colaborava em minutas e facilitava o andamento dos interesses do grupo dentro da ANM. Ele responderá ainda por advocacia administrativa e tráfico de influência.
Acusações contra empresários e atuação de outros diretores
Lucas Kallas foi indiciado por lavagem de dinheiro, corrupção ativa e tráfico de influência relacionados à extração ilegal de minério entre 2014 e 2018. A investigação aponta que ele teria pago propina a um funcionário da ANM por meio de um sócio-torcedor.
Caio Trivelatto, por sua vez, teria influenciado atos normativos para favorecer mineradores investigados, conforme apurado pela PF. O inquérito segue em andamento para esclarecer o alcance do esquema e as responsabilidades de todos os envolvidos.
