Um Piloto Apaixonado pela Aviação e Música
Wellington de Oliveira Pereira, de 34 anos, era um homem multifacetado. Atualmente, residia com sua esposa e filho em Vitória da Conquista, na Bahia, e era o mais novo de cinco irmãos, entre os quais um também se destacou como piloto. Keli Pereira, sua irmã, revelou que Wellington atuou em voos privados por três anos e estava em vias de concluir sua formação para se tornar piloto de voos comerciais. Nos últimos anos, entre 2022 e 2023, ele estudou no aeroclube de Maringá, onde aprimorou suas habilidades.
Keli compartilhou que o irmão nutria uma grande paixão pela música, tocando flauta na igreja Congregação Cristã do Brasil. Com um espírito alegre, ele sempre dizia que, se morresse enquanto pilotava, partiria feliz. “Cumpriu a missão dele aqui na terra, fazendo o que mais gostava, que era pilotar. Desde criança, esse era o sonho dele. Ele é nosso orgulho, era só alegria, agora só nos resta a saudade”, afirmou Keli, emocionada.
O trágico acidente que vitimou Wellington e outras três pessoas ocorreu na tarde de segunda-feira (4), em Belo Horizonte. O piloto, que comandava uma aeronave que colidiu com um prédio, não sobreviveu aos ferimentos, que o tiraram da vida instantaneamente.
O Acidente e Suas Vítimas
Além de Wellington, outras duas pessoas também morreram no acidente: Fernando Souto Moreira, filho do prefeito de Jequitinhonha (MG), que ocupava o banco do copiloto, e Leonardo Berganholi, empresário de 50 anos, que faleceu no hospital. Arthur Schaper Berganholi, filho de Leonardo, e Hemerson Cleiton Almeida Souto, ambos em estado grave, foram levados ao Hospital João XXIII.
O corpo de Wellington foi liberado pelo Instituto Médico Legal (IML) de Minas Gerais na terça-feira (5). A família planejou o traslado do corpo de volta para o Paraná, onde ocorrerá o velório no Cemitério Municipal de Munhoz de Mello, previsto para iniciar às 11h, seguido do sepultamento às 17h.
O Último Contato e o Clamor por Respostas
Keli soube da queda do avião ao ver a reportagem na televisão. Sem saber que seu irmão estava em voo, enviou-lhe uma mensagem preocupada. Sem resposta, tentou ligar para ele, mas, pouco depois, recebeu a confirmação de que era Wellington quem pilotava a aeronave. “A gente sempre vê isso, mas nunca imagina… e eu não sabia que naquele dia ele estava voando. Quando vi, mandei uma mensagem brincando: ‘não é você não, né?’ E ele não respondeu”, relatou a irmã, em estado de choque.
A aeronave levava quatro empresários do setor de tecnologia e estava a caminho de São Paulo após uma parada em Belo Horizonte. O acidente ocorreu de forma repentina e as informações preliminares indicam que o piloto comunicou dificuldades para ganhar altitude logo após a decolagem. A torre de controle ofereceu prioridade para o retorno, mas a aeronave não conseguiu subir e caiu no estacionamento do edifício.
Investigação do Acidente
A Força Aérea Brasileira (FAB) acionou o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) para investigar as causas da tragédia. Equipes do Terceiro Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA III) estão coletando dados e preservando elementos que possam esclarecer o ocorrido.
A queda da aeronave, que atingiu o prédio entre o terceiro e o quarto andar, não resultou em vítimas entre os moradores, que foram evacuados de forma segura pelo Corpo de Bombeiros. O tenente Raul, dos bombeiros, destacou que, se a aeronave tivesse colidido em outra parte do edifício, o resultado poderia ter sido catastrófico.
