Expansão do tratamento de AVC pelo SUS em Minas Gerais
A Santa Casa de Montes Claros e o Hospital Metropolitano Dr. Célio de Castro, em Belo Horizonte, conquistaram a habilitação para realizar procedimentos de neurocirurgia endovascular, em especial a trombectomia mecânica, pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A autorização, concedida pela Comissão Intergestores Bipartite do SUS (CIB-SUS), permite que essas unidades recebam recursos do Ministério da Saúde para oferecer esse tratamento avançado, que desobstrui artérias cerebrais bloqueadas em pacientes com Acidente Vascular Cerebral (AVC).
O reconhecimento oficial ocorreu durante a reunião da CIB-SUS em Belo Horizonte, no dia 21 de outubro, e foi formalizado pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) em 23 de outubro, por meio das Deliberações 6.018 e 6.019. Conforme o secretário estadual de Saúde, Fábio Baccheretti, Minas Gerais passa a contar com três centros habilitados para trombectomia mecânica pelo SUS, o que transforma protocolos de atendimento a pacientes com AVC, prevenindo a isquemia — a interrupção ou redução do fluxo sanguíneo e de oxigênio para partes do corpo — e qualificando a rede assistencial.
Reforço no atendimento de alta complexidade no Norte de Minas
Denise Maria Lúcio da Silveira, coordenadora de Redes de Atenção à Saúde da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Montes Claros, destaca que a Santa Casa se consolida como referência essencial para atendimentos emergenciais e de alta complexidade na região Norte de Minas. Com mais de 1,6 milhão de habitantes e território extenso, a ampliação da oferta da trombectomia acelera o acesso a cuidados emergenciais, beneficiando diretamente a população local.
As deliberações da SES-MG indicam que os procedimentos terão seus custos cobertos por recursos federais, após publicação de portaria específica do Ministério da Saúde, reforçando o compromisso de ampliar o acesso a tratamentos de ponta pelo SUS e garantir suporte financeiro adequado às instituições habilitadas.
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Avanços na Rede AVC e iniciativas recentes
Desde 2016, Minas Gerais tem investido na implantação da Rede AVC, com destaque para o Norte do estado. A iniciativa teve início na Santa Casa de Montes Claros, com apoio da SES-MG e aporte de R$ 1 milhão do Rotary International, envolvendo ainda o Consórcio Intermunicipal de Saúde da Rede de Urgência do Norte de Minas (Cisrun) e o Serviço Móvel de Urgência (Samu).
Em 17 de agosto, a Santa Casa de Passos realizou a primeira trombectomia mecânica pelo SUS no estado. Pouco tempo depois, em 6 de outubro, o Hospital Metropolitano Dr. Célio de Castro inaugurou seu Serviço de Trombectomia Mecânica na Unidade de AVC, ampliando as opções para pacientes na capital.
Além disso, em 16 de setembro, a CIB-SUS aprovou a habilitação do Centro de Atendimento de Urgência para AVC Tipo III do Hospital das Clínicas Dr. Mário Ribeiro da Silveira, em Montes Claros, que agora conta com dez leitos financiados pelo Ministério da Saúde para fortalecer o atendimento regional.
Credenciamento de unidades e fornecimento de medicamentos
Além da trombectomia, a SES-MG credenciou Unidades de Acidente Vascular Cerebral Estadual (U-AVCE) em hospitais regionais como os de Janaúba, Santo Antônio em Taiobeiras e Dr. Moisés Magalhães Freire em Pirapora. O credenciamento assegura o custeio do medicamento trombolítico, fundamental para dissolver coágulos que bloqueiam artérias, com recursos estaduais, incentivando as instituições a buscar habilitação junto ao Ministério da Saúde para ampliar o atendimento.
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Fonte: aquiribeirao.com.br
Como funciona a trombectomia no tratamento do AVC
A trombectomia é um procedimento endovascular de alta complexidade voltado para o AVC isquêmico agudo, que ocorre quando um coágulo ou placa obstrui uma artéria cerebral, interrompendo o fluxo sanguíneo e o fornecimento de oxigênio ao cérebro. Trata-se de uma emergência médica que demanda atendimento rápido para minimizar sequelas graves.
O procedimento é minimamente invasivo, realizado por via femoral (na perna) ou radial (no pulso). Um cateter é guiado por imagens de raio-X até o local do bloqueio, onde dispositivos expansíveis, como stents, ou sistemas de aspiração direta removem o coágulo, restabelecendo o fluxo sanguíneo e protegendo as áreas cerebrais viáveis.
Antes da trombectomia chegar ao SUS, o tratamento disponível para AVC isquêmico era a trombólise, que utiliza medicamentos para dissolver coágulos. A nova técnica oferece uma intervenção mais eficaz, especialmente para oclusões de grandes vasos, com janela de tratamento ampliada para até 24 horas graças a avanços em exames de imagem. Isso reduz o risco de incapacidades severas.
Essa conquista representa um avanço significativo para a Saúde (SUS) em Minas Gerais, ampliando as ferramentas para o cuidado especializado dos pacientes com AVC e fortalecendo a rede pública de saúde.
