Minas Gerais registra o pior índice de segurança nas rodovias do Sudeste
Minas Gerais apresentou o desempenho mais preocupante em segurança da infraestrutura rodoviária entre os estados da região Sudeste, conforme aponta o Painel Rodovias que Perdoam, estudo divulgado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) neste mês. O levantamento revelou que quase um terço das rodovias mineiras possui baixo nível de proteção ao motorista, aumentando o risco de mortes e ferimentos graves em acidentes.
Segundo o estudo, apenas 22,4% das estradas em Minas Gerais alcançam um alto índice de segurança. Por outro lado, 30,9% das rodovias estão na faixa crítica, e 46,7% apresentam nível intermediário de segurança. O indicador “rodovia que perdoa” avalia a capacidade das vias em reduzir a gravidade dos acidentes, considerando fatores como acostamento, sinalização e barreiras de proteção. A ausência desses elementos torna os acidentes mais graves, mesmo diante de falhas humanas ou mecânicas.
Contexto regional e comparação com estados vizinhos
Embora estados das regiões Norte e Nordeste tenham maiores percentuais de rodovias com baixos índices de segurança, Minas Gerais se destaca negativamente por ser o estado com pior resultado no Sudeste, a região mais rica do país. A diferença fica clara na comparação com São Paulo, que lidera a região com o maior percentual de estradas com alto índice de segurança.
O desempenho das rodovias nos estados do Sudeste é o seguinte:
- Minas Gerais: 22,4% alto índice, 46,7% médio, 30,9% baixo índice de segurança;
- São Paulo: 67,6% alto índice, 27,7% médio, 4,7% baixo índice;
- Rio de Janeiro: 52,2% alto índice, 41,4% médio, 6,3% baixo índice;
- Espírito Santo: 23,8% alto índice, 62,9% médio, 13,3% baixo índice.
Precariedade da infraestrutura e impactos econômicos
A CNT destaca que a fragilidade na infraestrutura rodoviária não afeta apenas a segurança, mas também eleva os custos operacionais do transporte. Segundo a entidade, trafegar por estradas em más condições pode aumentar em média 34,8% os custos, impactando diretamente a economia local e nacional.
“Minas Gerais ocupa posição estratégica na logística nacional, recebendo grande volume de transporte de cargas e passageiros. Esse intenso fluxo acelera o desgaste das vias e demanda esforços constantes de conservação e modernização”, disse Fernanda Rezende, diretora executiva da CNT.
Problemas estruturais evidenciam desafios para o estado
O levantamento identificou deficiências generalizadas na malha rodoviária de Minas Gerais. Entre os problemas, 65,4% das rodovias apresentam alguma deficiência no pavimento, sinalização ou geometria. Além disso, 46,4% da geometria das vias é considerada ruim ou péssima, e 55,1% dos trechos não possuem acostamento.
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Outro ponto crítico é a sinalização inadequada em curvas perigosas, que chega a 25,3%. Ainda, 87,9% da malha é composta por pistas simples, o que dificulta a fluidez e aumenta o risco de acidentes. A CNT também mapeou 138 pontos críticos, incluindo buracos, erosões, pontes estreitas e quedas de barreira.
Extensão da rede e fluxo intenso agravam situação
Minas Gerais possui a maior rede rodoviária do Brasil, com cerca de 272 mil km, o que representa aproximadamente 16% do total nacional. Essa extensão amplia os desafios para manutenção e modernização das vias, especialmente diante do intenso tráfego de cargas e passageiros.
Fernanda Rezende reforça que a extensão da malha contribui para a baixa segurança, mas não é o único fator. “Quanto maior a extensão das rodovias, maior a necessidade de investimentos contínuos em pavimento, sinalização, acostamentos, dispositivos de contenção e correções geométricas”, explicou.
A CNT estima que seriam necessários R$ 15,84 bilhões para recuperar a malha pesquisada em Minas, valor muito superior aos investimentos atuais. A diretora destaca que a falta de recursos não só aumenta o número de acidentes e mortes, mas também provoca impactos financeiros significativos para toda a economia do país.
Diferenças entre rodovias concedidas e públicas
O estudo também evidenciou disparidades entre rodovias concedidas, administradas por empresas privadas, e as públicas, sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e do Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER/MG).
Nas rodovias concedidas, 60,2% dos trechos apresentam alto índice de segurança, enquanto apenas 2,5% estão em nível crítico. Já nas rodovias públicas, apenas 1,5% dos trechos alcançam alto índice, e 46,6% possuem baixo nível de segurança.
Apesar disso, nem todas as concessões oferecem alto nível de segurança. Das 25 rodovias concedidas avaliadas no estado, apenas 8 têm mais de 50% dos trechos com alto índice de segurança. A CNT aponta que muitas concessões assumem rodovias com problemas históricos e limitações estruturais, o que exige tempo e investimentos para melhorias.
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Posicionamento dos órgãos responsáveis
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) informou que monitora mensalmente as condições das rodovias sob sua responsabilidade com o Índice de Condição da Manutenção (ICM). Segundo o órgão, em abril de 2026, 90% das rodovias federais em Minas Gerais apresentavam condições adequadas de tráfego.
O Dnit destacou que para 2026 estão previstos R$ 655,1 milhões em investimentos em manutenção e conservação da malha federal não concedida no estado. Além disso, o órgão mantém programas como o BR-Legal para padronização da sinalização e o Conexão DNIT, focado em educação para o trânsito.
O DER/MG planeja investir cerca de R$ 800 milhões na manutenção das rodovias estaduais em 2026.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), responsável pela regulação e fiscalização das concessões, não havia se manifestado até a última atualização desta reportagem.
Medidas para melhorar a segurança nas estradas mineiras
De acordo com a CNT, ampliar os investimentos em segurança viária é fundamental para melhorar as condições das rodovias em Minas Gerais. Entre as ações recomendadas estão a implantação de acostamentos, instalação de defensas metálicas e barreiras, aprimoramento da sinalização, correções na geometria das vias, criação de áreas de escape e o mapeamento dos trechos com maior índice de acidentes para direcionar recursos de forma eficiente.
Rodovias mais perigosas de Minas Gerais
O levantamento da CNT apontou oito rodovias em Minas Gerais com 100% dos trechos classificados como de baixo nível de segurança, sendo consideradas as mais perigosas do estado. Dessas, sete são administradas pelo governo estadual e uma pelo governo federal:
- BR-464: Dividida em dois trechos descontínuos no Sul e Triângulo Mineiro, ligando municípios como São João Batista do Glória, Delfinópolis e Sacramento.
- LMG-633: Com cerca de 35 km, conecta o entroncamento com MG-401, próximo a Jaíba, até o distrito de Mocambinho.
- LMG-820: Estende-se por aproximadamente 28 km entre São Domingos do Prata e Dionísio.
- MG-114: Com cerca de 44,3 km, liga o Vale do Jequitinhonha entre Coronel Murta e Virgem da Lapa.
- MG-308: Liga o Norte do estado ao Vale do Jequitinhonha, passando por Bocaiuva, Turmalina e Capelinha.
- MG-449: Inicia na região Sul de Minas, entre Arceburgo e Monte Santo de Minas, até a divisa com São Paulo.
- MG-605: Liga Januária a Pedras de Maria da Cruz, margeando o Rio São Francisco.
- MG-677: Estende-se do município de Turmalina até o distrito de Ijicatu, em José Gonçalves de Minas.
