A Nova Gestão de Mateus Simões em Minas Gerais
Com a renúncia do governador Romeu Zema, do Novo, o vice-governador Mateus Simões, pertencente ao PSD, assume a liderança do estado de Minas Gerais em um cenário repleto de desafios. O novo governador não apenas terá a tarefa de dar continuidade a projetos de infraestrutura herdados da administração anterior, como também enfrentará questões críticas, como a privatização da Copasa, empresa estatal de saneamento, e as demandas por reajustes salariais dos servidores. Nesse contexto, Simões precisará intensificar seus esforços para se tornar uma figura conhecida entre os eleitores, especialmente diante da forte concorrência de outros candidatos que já estão se posicionando para as eleições.
Ao assumir o governo, Simões terá a responsabilidade de finalizar um pacote significativo de infraestrutura, que inclui a conclusão de três hospitais regionais e a inauguração da linha 2 do metrô de Belo Horizonte. Além disso, ele dará continuidade ao processo de privatização da Copasa, um passo já autorizado pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais no ano passado.
No entanto, essa privatização não vem sem controvérsias. A oposição tem levantado questões sobre uma emenda aprovada que possibilitou a desestatização sem a realização de uma consulta popular prévia, levando a um questionamento no Supremo Tribunal Federal (STF). Apesar das críticas, o governo planeja utilizar os recursos obtidos com a venda dos ativos da estatal para quitar parte da dívida de Minas com a União, atualmente estimada em cerca de R$ 180 milhões.
Outro ponto crítico para a nova administração refere-se à pressão por aumentos salariais por parte dos servidores públicos. Trabalhadores das áreas de saúde e educação têm realizado greves, advogando por melhorias significativas nas condições de trabalho e remuneração, alegando que não tiveram reajustes desde o ano passado. O governo de Simões propôs um aumento salarial de 5,4%, que ultrapassa levemente a inflação de 4,26% registrada em 2025, mas ainda aguarda a aprovação da Assembleia Legislativa. Na semana anterior, a Casa derrubou dois vetos que Zema havia imposto, um dos quais se referia à promoção dos servidores da educação.
Um Desafio Eleitoral à Vista
Com o título de pré-candidato ao governo, Simões precisará se comprometer com sua campanha enquanto ocupa a posição de governador. Ele enfrenta o desafio de ser um nome amplamente desconhecido entre os eleitores. De acordo com a última pesquisa realizada pela Genia/Quaest, Mateus Simões registrou apenas 4% das intenções de voto em simulações para o primeiro turno.
No topo das preferências dos eleitores está o senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos, que lidera com 26% das intenções. Recentemente, Azevedo recebeu suporte dos diretórios estadual e nacional do seu partido e indicou que está disposto a se candidatar, mencionando o prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão, como seu possível vice na chapa.
A candidatura de Cleitinho é vista como uma ameaça pela equipe de Simões, embora a certeza de sua candidatura ainda permaneça em aberto. Com relação à sua própria chapa, Simões planeja deixar a escolha de seu vice a cargo de Zema, que deve optar entre a vereadora Fernanda Altoé, amiga pessoal do vice-governador, e Gleidson Azevedo, prefeito de Divinópolis e irmão de Cleitinho. O ex-deputado federal Tiago Mitraud também é considerado para a posição.
No que tange à candidatura ao Senado, Simões pretende indicar Marcelo Aro, ex-secretário de Minas, que recentemente pediu desligamento do cargo. Para compor a chapa, ele reservou um espaço para o PL, que está considerando lançar uma candidatura própria, tendo cogitado o deputado federal Nikolas Ferreira, que, no entanto, já descartou essa possibilidade. O presidente da Federação das Indústrias de Minas, Flávio Roscoe, também surge como uma opção, embora ainda não haja uma decisão definitiva.
Simões acredita que, apesar das incertezas, há uma possibilidade concreta de que o PL esteja ao seu lado nas eleições de outubro. Ele ressaltou a importância de construir um apoio local, mesmo diante de um cenário com múltiplos candidatos à presidência, citando o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro, que também manifestou a intenção de escolher um candidato ao Senado para a chapa de Simões.
A Reação da Esquerda
Do outro lado do espectro político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, tem se posicionado em favor da candidatura do senador Rodrigo Pacheco, que pode mudar de partido, mas mantém em aberto sua possível candidatura ao governo de Minas. Como alternativa, o PT considera apoiar o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, ou lançar outros candidatos com menor visibilidade.
“A dinâmica na esquerda é peculiar. Aqueles que estão sendo cogitados não demonstram interesse, enquanto alguns candidatos não desejados, como Kalil, são aqueles que estão mais dispostos”, refletiu um analista sobre a situação. Para ele, há uma resistência significativa de parte do eleitorado mineiro em relação ao PT, que tende a favorecer candidatos que não estejam diretamente ligados ao partido.
