Minoria nos Nomes da Cidade
Um estudo realizado pelo programa especial “Nome de Mulher” da TV Globo Minas, com base em dados públicos, revela que apenas cerca de 2 mil das 12.092 ruas de Belo Horizonte, ou seja, 16,53%, fazem referência a mulheres. Além disso, entre os 130 viadutos da capital, apenas seis são nomeados em homenagem a figuras femininas.
A Prefeitura de Belo Horizonte não possui dados oficiais sobre a quantidade de vias que homenageiam mulheres. Diante dessa lacuna, a equipe do programa utilizou bases de dados públicas e excluiu nomes de santas para avaliar a representatividade feminina nas denominações dos locais da cidade.
Para entender quem são essas mulheres que conseguiram quebrar essa barreira simbólica e dar nome a ruas, praças e bairros, a reportagem percorreu diferentes regiões da capital, ouvindo especialistas, moradoras e ativistas.
Uma das vias homenageia uma cantora mineira que viveu no bairro Renascença, reconhecida como uma das grandes referências da música brasileira.
Trajetórias que Marcam a Cidade
A comunidade Dandara, por sua vez, é nomeada em homenagem a Dandara dos Palmares, uma importante liderança da República de Palmares. O local, formado a partir de uma ocupação iniciada em 2009, é resultado de uma luta protagonizada principalmente por mulheres. Em 2023, esse território conquistou o reconhecimento oficial como bairro.
No Bairro Jaqueline, a denominação presta homenagem à filha do primeiro proprietário da região, com o reconhecimento oficial datado do Decreto 3.939, de março de 1981.
O Conjunto Zilah Spósito, criado a partir da mobilização de uma mulher engajada nas causas sociais, é mais um exemplo. Zilah, que nasceu em Bocaiúva, dedicou sua vida à luta por moradia digna, ajudando famílias em situação de risco no bairro Serra Verde. O novo bairro, que leva seu nome, é considerado um bairro popular, com mais de 790 residências, segundo informações da Companhia Urbanizadora e de Habitação de Belo Horizonte (URBEL).
No bairro Padre Eustáquio, a história de Maria do Socorro Moreira se destaca. A área, que antes abrigava o Aeroporto Carlos Prates, desativado em abril de 2023, foi transformada em parque ecológico, fruto da mobilização da líder comunitária, que lutou pelo direito ao lazer e à convivência. Sua atuação foi fundamental para o nome do novo espaço.
Referências Femininas na Política
A trajetória de Helena Greco também é marcante para a cidade. A pioneira na política, sendo a primeira mulher eleita vereadora em Belo Horizonte após a redemocratização em 1982, iniciou sua carreira política aos 61 anos. Reconhecida por sua militância histórica, Greco enfrentou a ditadura e se destacou no combate às desigualdades de gênero, à violência e ao preconceito. Sua atuação se tornou uma referência na luta pelos direitos humanos, consolidando sua importância na história da cidade.
