Medidas Imediatas para Enfrentar a Alta de Doenças Respiratórias
O Governo de Minas, através da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) e da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), anunciou uma série de medidas antecipadas para lidar com o aumento das doenças respiratórias, visando garantir um atendimento adequado, especialmente para crianças, nas próximas semanas. A estratégia, divulgada nesta quarta-feira (1/4) em Belo Horizonte, abrange a ampliação de leitos, o reforço de equipes médicas e a intensificação na vacinação em todo o estado, em decorrência da previsão de um crescimento significativo no número de casos.
“O nosso foco é assegurar que todos os que necessitam de atendimento, especialmente os casos mais graves, sejam atendidos com eficiência. O paciente que nos preocupa é aquele que apresenta falta de ar e necessita de cuidados especializados. Por isso, a rede precisa estar preparada”, destacou Fábio Baccheretti, secretário de Estado de Saúde.
No Hospital Infantil João Paulo II (HIJPII), referência em atendimento pediátrico na capital, serão disponibilizados sete novos leitos de UTI. “Esses leitos entrarão em operação imediatamente. Assim que sairmos daqui, eles estarão prontos para regulação e internação”, enfatizou Baccheretti.
Além da UTI, serão abertos 19 leitos de enfermaria, dois consultórios para urgências, oito leitos na Sala de Decisão Clínica e cinco pontos na sala de medicação. A unidade também contará com um reforço na equipe médica, que receberá 150 novos profissionais, incluindo 34 médicos, 10 enfermeiros, 69 técnicos de enfermagem e 18 fisioterapeutas respiratórios.
Preparação do Interior para o Aumento de Casos
A elevação na demanda por atendimentos relacionados a doenças respiratórias já é visível em diversas regiões de Minas, com ênfase especial no Norte e Leste do estado. A ampliação da rede hospitalar no interior tem sido crucial para diminuir a pressão sobre a capital. “Atualmente, Belo Horizonte não enfrenta mais a mesma pressão de antes, pois o interior também possui leitos de alta complexidade. Houve um aumento significativo de CTIs em todo o estado”, comentou o secretário.
Ele ressaltou os avanços em cidades como Governador Valadares e Caratinga e mencionou a expectativa de abertura de novos leitos no Hospital Regional de Teófilo Otoni entre maio e junho. “Todos nós enfrentaremos um momento de maior pressão devido a doenças respiratórias, como ocorre anualmente. Contudo, temos hoje uma estrutura muito mais robusta e não passaremos por situações críticas como as que vivemos no passado”, completou.
Vacinação: A Principal Estratégia de Prevenção
A vacinação continua a ser a principal estratégia para reduzir a gravidade dos casos e minimizar internações. Até o momento, Minas Gerais já distribuiu cerca de 1,5 milhão de doses de vacina contra a gripe para todos os municípios. O estado está se preparando para novas remessas e intensificando a mobilização para aumentar a cobertura vacinal, incluindo o Dia D de vacinação, programado para o dia 11 de abril.
“Vacina boa não fica guardada na geladeira do posto; ela precisa estar aplicada. Não adianta esperar o problema aparecer para tomar uma atitude”, afirmou Baccheretti. Além da vacina contra a gripe, o calendário vacinal inclui imunizantes essenciais para a prevenção de doenças respiratórias, como os contra covid-19, pneumocócica e Haemophilus influenzae tipo b (Hib).
Neste ano, novas estratégias foram incorporadas, como a vacinação de gestantes contra o vírus sincicial respiratório e o uso do anticorpo monoclonal nirsevimabe para crianças que apresentam maior risco.
Rede Hospitalar em Alerta e Pronta para Ação Rápida
A Secretaria de Estado de Saúde ativou a Sala de Monitoramento dos vírus respiratórios, que acompanha em tempo real os dados sobre casos, internações e ocupação de leitos em todo o estado. Essa estratégia permite uma tomada de decisões mais ágil, como a abertura de novos leitos e a reorganização da rede hospitalar.
Além do Hospital João Paulo II, outras unidades da rede Fhemig estão funcionando com capacidade ampliada, como o Hospital Júlia Kubitschek e o Eduardo de Menezes, que poderão abrir novos leitos de terapia intensiva, conforme a demanda. Para garantir a operação durante o período de sazonalidade, o Governo de Minas investe R$ 15 milhões na ampliação da assistência a esses hospitais, incluindo a Maternidade Odete Valadares.
“Esses recursos são destinados a garantir a equipe, insumos e medicamentos. Com a ampliação dos leitos, também aumentamos o consumo e é imprescindível manter a qualidade do atendimento”, concluiu Baccheretti. Até o momento, Minas Gerais registrou 6.189 notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) hospitalizada, das quais 323 foram devido à covid-19, 250 por influenza e 120 por vírus sincicial respiratório.
