Novo Desembolso e Advertências do FMI
O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou a liberação de um novo montante de US$ 1 bilhão, equivalente a cerca de R$ 5 bilhões, para a Argentina. Essa ação faz parte da segunda revisão do Programa de Financiamento Ampliado, um acordo estabelecido em abril de 2025 entre a instituição financeira e o governo de Javier Milei, que assume uma linha econômica de extrema direita.
O Programa, inicialmente, prevê um total de US$ 20 bilhões (aproximadamente R$ 99,8 bilhões). Após a liberação de US$ 12 bilhões (R$ 59,9 bilhões) no primeiro desembolso, os recursos restantes ficam condicionados ao cumprimento de metas anuais, estipuladas pelo fundo.
É importante destacar que, mesmo com a aprovação do novo desembolso, o relatório do FMI reconheceu que a Argentina não cumpriu todas as exigências do programa. Entre as metas alcançadas, o fundo considerou positivo o superávit primário projetado de 1,4% do PIB e a adoção de um pacote rigoroso de reformas de austeridade no orçamento de 2026.
Reservas Internacionais e Inflação em Alta
No entanto, o país ficou aquém do objetivo de acumulação de reservas líquidas em 2025, com uma diferença de cerca de US$ 14,1 bilhões em relação ao que o FMI havia solicitado. Apesar desse descumprimento, o fundo optou por reduzir significativamente a meta de reservas para apenas US$ 8 bilhões neste ano.
Outro aspecto que chamou a atenção do FMI foi o aumento da inflação na Argentina, que atingiu 3,4% em março. O cenário inflacionário é ainda mais preocupante, com uma taxa anual acumulada de 31,5% em 2025. A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, afirmou que discutirá a situação inflacionária com o Ministro da Economia argentino, Luis Caputo. “Nós iremos abordar as questões relacionadas aos índices de inflação e procurar soluções para esse desafio”, declarou a economista búlgara.
Histórico de Dívidas com o FMI
É relevante mencionar que, além da dívida proveniente do atual acordo, a Argentina também mantém uma outra dívida com o FMI, que soma US$ 44 bilhões (cerca de R$ 219,6 bilhões). Essa dívida foi contraída em 2018, durante o governo de Mauricio Macri, também de tendência conservadora.
Esses desafios enfrentados pela economia argentina são um reflexo da complexa relação do país com o FMI e suas exigências, que acabam gerando debates acalorados tanto no cenário político quanto na sociedade civil.
