A Greve dos Educadores em Belo Horizonte
A educação municipal de Belo Horizonte enfrenta um momento delicado, resultado de anos de políticas que desmantelaram o setor durante as gestões de Alexandre Kalil (PDT) e Fuad Noman (PSD). Desde a abertura para empresas privadas nas escolas até a repressão aos movimentos sociais, a situação se agravou. Desde a posse de Álvaro Damião (União Brasil) e a nomeação de Natália Araújo como secretária da educação, a categoria observa com preocupação o aumento dos ataques ao sistema educacional. Nesse contexto, a falta de pagamento do piso salarial para os profissionais e a exploração excessiva dos trabalhadores terceirizados são algumas das questões em pauta. Além disso, há um projeto recente que propõe a abertura para instituições privadas e religiosas na educação, utilizando Organizações da Sociedade Civil (OSCs) como intermediárias. Essa iniciativa levanta preocupações sobre a gestão educacional, com indícios de que interesses políticos e religiosos possam estar influenciando a administração das escolas na capital mineira.
Frente ao endurecimento da prefeitura, a greve atual coloca como foco principal a reivindicação por um reajuste salarial de 10,25% para professores e pedagogos aposentados. Também é fundamental o pagamento integral do piso salarial, que inclui um aumento de 5,4% mais 15% retroativo a janeiro. Infelizmente, este ano, a prefeitura interrompeu as negociações sobre o aumento, alegando um reajuste de 2,49% realizado em janeiro que, vale lembrar, foi o resultado de uma greve significativa da categoria no ano anterior. Essa falta de compromisso com a educação e seus profissionais reflete a plataforma política da atual gestão, que se destaca pelo menor reajuste salarial na região metropolitana.
Críticas à Gestão de Álvaro Damião
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Enquanto o prefeito Damião, associado ao bolsonarismo, avança com essas políticas prejudiciais, em uma entrevista logo após o início da greve, ele expressou que “está chato” lidar com os educadores. Ele afirmou que a categoria não deveria paralisar a cidade, desconsiderando a importância do serviço educacional. Essa postura revela um cinismo evidente, já que Damião se coloca como um “negociador” preocupado com as contas públicas, enquanto há uma clara destinação de recursos públicos para eventos privados com grandes empresários da capital, em detrimento da educação e da saúde. Os ataques à luta dos trabalhadores, que buscam condições de trabalho adequadas e salários justos, são uma constante, como demonstrado na greve dos terceirizados do ano passado, que também se opuseram às jornadas exaustivas.
A resposta dos educadores em Belo Horizonte é digna de nota. No ano passado, eles protagonizaram uma greve robusta que resultou em avanços salariais e mostraram sua solidariedade à luta palestina, enquanto o prefeito permanecia distante, em Israel. Recentemente, novas mobilizações surgiram, incluindo greves de trabalhadores terceirizados contra os ataques da prefeitura e da MGS, além de ações de caixas escolares por cumprimento de acordos coletivos, e a luta dos trabalhadores do SAMU contra os cortes de recursos. Essa mobilização precisa ser ampliada, unindo forças com trabalhadores da saúde e educadores de outras regiões, como os professores da rede municipal de São Paulo, que enfrentam desafios semelhantes sob a gestão de Nunes, buscando garantir uma educação pública de qualidade e a valorização dos profissionais.
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O Apoio à Greve dos Educadores de BH
É vital oferecer apoio à greve dos trabalhadores da educação em Belo Horizonte! É necessário combater a escassez e o estrangulamento do quadro de profissionais na educação. O pagamento integral do piso salarial e a recomposição das perdas salariais são urgentemente requeridos. É imprescindível também barrar a entrada de OSCs e da iniciativa privada na educação pública, garantindo que o foco esteja na formação e no bem-estar dos alunos, não nos interesses de empresas ou grupos políticos.
