Expectativas e Desafios do Mercado Imobiliário em BH
Diante de um cenário político nacional instável e de tensões globais, o mercado imobiliário de Belo Horizonte projeta um crescimento significativo em 2026. O Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG) estima que o setor deve crescer ao menos 10% neste ano, uma taxa que já foi registrada em 2025 na capital mineira.
A análise do Sinduscon-MG revela que, em 2025, Belo Horizonte e Nova Lima, localizadas na Região Metropolitana, contabilizaram 7.545 unidades vendidas e 7.121 lançadas. O Valor Global das Vendas (VGV) atingiu R$ 7,87 bilhões, enquanto o Valor Global de Lançamentos (VGL) ficou em R$ 7,37 bilhões. Desde 2024, as vendas superam os lançamentos nas duas cidades, ocasionando uma diminuição do estoque disponível para venda, que se encerrou em dezembro com 4.484 unidades.
Flávio Guerra, vice-presidente de loteamentos do Sinduscon-MG, acredita que o desempenho do mercado poderia ser ainda mais robusto se Belo Horizonte implementasse mudanças em seu Plano Diretor, sancionado em 2019. “BH perdeu quase 100 mil habitantes nos últimos dez anos. O Plano Diretor atual é excessivamente restritivo. O primeiro passo é revisá-lo, permitindo, por exemplo, o aumento do coeficiente de aproveitamento e a elevação da altura dos prédios, para que a cidade possa recuperar sua posição de destaque no mercado imobiliário, que acabou sendo transferido para cidades vizinhas como Nova Lima, Lagoa Santa, Contagem e Betim”, argumenta Guerra.
Restrições Urbanísticas e seu Impacto no Mercado
O Plano Diretor de Belo Horizonte estabelece um coeficiente básico de aproveitamento (CA) fixo em 1.0, o que permite a construção de uma área equivalente ao tamanho do terreno sem custos adicionais. Para obras que excedem esse limite, as construtoras precisam pagar contrapartidas ao município através da outorga onerosa. Segundo Guerra, essas limitações, somadas à escassez de terrenos, têm dificultado projetos de grande porte e pressionado os preços do mercado imobiliário. “Atualmente, não há muitos novos edifícios altos em BH, o que compromete um desenvolvimento mais robusto. É importante ressaltar que prédios altos têm um valor agregado maior”, observa.
O executivo também destaca que a capital se posiciona entre as cidades brasileiras com os maiores valores por metro quadrado. “Já estamos vendo empreendimentos com valores acima de R$ 35 mil por metro quadrado, e esse preço ainda pode subir mais”, comenta.
Ainda que os juros estejam elevados, Guerra acredita que muitos consumidores estão antecipando a compra de imóveis devido à expectativa de novos aumentos nos preços. “Neste cenário de vendas menos aquecidas, há ainda a possibilidade de conseguir negociações mais favoráveis”, aponta. Ele também menciona que as recentes reduções na taxa Selic, que atualmente está em 14,5% ao ano, podem trazer novas oportunidades para o setor. “Com a situação anterior, não havia mercado capaz de suportar”, enfatiza.
Tendências Emergentes no Mercado Imobiliário
O Sinduscon-MG prevê que o mercado imobiliário de Belo Horizonte está se alinhando com tendências já consolidadas em grandes centros urbanos internacionais. “Os novos prédios estão cada vez mais voltados para a sustentabilidade, com estruturas projetadas para ter durabilidade”, comenta Guerra.
Além disso, projetos autorais e empreendimentos com a assinatura de arquitetos renomados estão se tornando mais prevalentes. “Temos observado arquitetos não apenas desenvolvendo projetos, mas também assinando os empreendimentos. Essa assinatura agrega valor e impulsiona as vendas”, relata.
Outra tendência significativa é a ascensão das branded residences, imóveis de alto padrão desenvolvidos em colaboração com marcas de luxo de setores como hotelaria, moda e design. Esses empreendimentos, já reconhecidos em cidades como Miami e Dubai, começam a ganhar espaço no Brasil, especialmente em São Paulo. “Esses imóveis já chegam ao mercado com a qualidade garantida pela marca associada, oferecendo arquitetura inovadora e materiais de alta qualidade”, afirma Guerra.
Foco no Bem-Estar e Novas Abordagens Construtivas
Guerra também menciona o crescimento dos chamados residenciais voltados para o bem-estar, que priorizam qualidade de vida e experiências de lazer. “Atualmente, muitos empreendimentos já destacam suas áreas de lazer, academias e spas, e não vejo Belo Horizonte fora dessa tendência”, afirma.
Outra inovação que ganha destaque são as estruturas off-site, um sistema construtivo onde parte da obra é realizada em ambiente industrial e posteriormente montada no local. “Esse modelo não apenas reduz custos, mas também industrializa a operação, aumentando a eficiência da produção”, conclui.
