Resultados do Mutirão Oftalmológico
Nos últimos três anos, mutirões de triagem oftalmológica realizados em escolas da rede pública municipal de Belo Horizonte contabilizaram aproximadamente 18.750 consultas, com cerca de 13 mil recomendações para uso de óculos. Durante uma audiência pública na manhã desta quarta-feira (13/5), promovida pela Comissão de Educação, Ciência, Tecnologia, Cultura, Desporto, Lazer e Turismo da Câmara Municipal, os números foram apresentados a pedido da vereadora Trópia (Novo). As iniciativas contaram com a colaboração das secretarias municipais de Saúde e Educação, bem como de clínicas e hospitais. A vereadora destinou cerca de R$ 1,3 milhão, através de uma emenda parlamentar impositiva, para financiar o rastreamento e a aquisição de óculos para os estudantes. Durante a audiência, Trópia enfatizou a importância de transformar o mutirão em uma política pública permanente. Especialistas que participaram do evento também ressaltaram a necessidade de manter o atendimento contínuo nos centros de saúde e nas equipes de saúde da família.
A Importância da Articulação com as Escolas
Ao iniciar a audiência, a vereadora Trópia destacou que o atual modelo educacional é “muito visual”, além de apontar que cerca de 23% das crianças abandonam a escola devido a problemas de visão. Ela recordou que os mutirões surgiram num cenário pós-pandemia, repleto de desafios, mas que já apresentam resultados significativos. De acordo com Trópia, dos 103 mil estudantes que integram a rede pública municipal, cerca de 75 mil passaram por avaliações conduzidas por acadêmicos de medicina, dos quais cerca de 30% necessitavam de atendimento especializado. Em 2023, foram agendadas 3.330 consultas oftalmológicas, e após uma articulação com a Secretaria Municipal de Educação, os números foram ampliados, prevendo até o final de 2025 um total de 18.750 consultas e cerca de 13 mil indicações para uso de óculos.
Leia também: Ipsemg Retoma Atendimentos em Reumatologia Pediátrica para Melhorar a Saúde Infantil
Leia também: Dream Theater Retorna a Belo Horizonte com Formação Clássica em Show Imperdível
“Embora o SUS ofereça o serviço, quem realmente percebia que havia um problema com a criança era a professora ou a diretora da escola”, destacou a vereadora.
Além disso, Trópia ressaltou que os recursos destinados a essa iniciativa também incluem um aporte de R$ 4 milhões do governo do estado e os R$ 1,3 milhão da emenda parlamentar impositiva. “Conseguimos garantir óculos para todas as crianças”, afirmou. A parlamentar também mencionou que a experiência de Belo Horizonte serviu como referência para o Programa Miguilim, implementado em Minas Gerais.
Desafios Enfrentados
O médico João Medeiros, que integra a diretoria técnica do Hospital Evangélico, corroborou a posição da vereadora em relação aos desafios enfrentados no início da execução das ações. Ele destacou que, no contexto do Programa Miguilim, a regulamentação foi um fator crucial. Durante as iniciativas realizadas no município, entre 30 mil e 40 mil crianças foram triadas pela entidade, resultando em cerca de 10 mil consultas para diferentes patologias oftalmológicas. Contudo, Medeiros alertou para o alto índice de faltas, defendendo a necessidade de uma política de saúde permanente para reduzir estas ausências. “O mutirão é importante porque ele ‘apaga o incêndio’, mas precisamos assegurar uma política de saúde contínua”, ressaltou.
Leia também: Sinduscon-MG Afirma Que Plano Diretor Limita Expansão Imobiliária em Belo Horizonte
Leia também: Pernambuco Recebe Novo Centro de Radioterapia e Expansão em Saúde Infantil
Fonte: triangulodeminas.com.br
Continuidade e Ações nos Centros de Saúde
A responsável pelo Centro Municipal de Oftalmologia (CMO), Romilda Araújo, destacou a importância dos mutirões na diminuição das filas de espera por consultas oftalmológicas infantis e defendeu uma maior participação dos centros de saúde e das equipes de saúde da família. “Em 2022, tínhamos uma fila de espera e conseguimos zerar. Temos 153 centros de saúde, que funcionam como porta de entrada da saúde da família para garantir a continuidade dos atendimentos”, afirmou, lembrando que o grau visual das crianças pode se agravar à medida que elas crescem.
Ações Estaduais e Perspectivas Futuras
A diretora de Políticas e Estruturação da Atenção Especializada da Secretaria de Estado da Saúde, Fernanda Vilarino, explicou que o Programa Miguilim nasceu da necessidade de realizar mutirões, mas evoluiu para uma política de atenção à saúde ocular estruturada no estado. “Atualmente, o programa conta com a adesão de 788 municípios”, informou. Conforme a gestora, o Estado investiu cerca de R$ 19 milhões em 2024, R$ 21 milhões em 2025, e prevê mais R$ 21 milhões para 2026. Embora ainda existam desafios para a implementação no interior do estado, o programa já contabiliza cerca de 216 mil consultas realizadas e 18 mil óculos distribuídos em Minas Gerais.
Maria Inês Lima, representante do Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais, enfatizou a importância da continuidade das ações e a necessidade de adequação dos mutirões, além de uma supervisão técnica mais rigorosa. Segundo ela, o conselho já recebeu denúncias sobre a venda irregular de óculos e a falta de acompanhamento adequado em alguns atendimentos. “Não é necessário que seja um médico oftalmologista, mas é imprescindível ter um responsável técnico”, afirmou.
Por fim, Trópia destacou que, apesar dos desafios enfrentados pelo Programa Miguilim, garantir sua continuidade como política pública permanente é essencial. Ela sugeriu que diálogos e trocas de experiências possam ser um caminho promissor para o sucesso das iniciativas futuras.
