Análise dos Resultados da Petrobras no 1T26
Conversamos com Harold Thau, sócio da empresa Técnica, especializada em análise e consultoria no mercado de capitais, sobre os resultados financeiros da Petrobras no primeiro trimestre de 2026.
Segundo Thau, a Petrobras apresentou um desempenho considerado satisfatório, alinhado ao resultado do 1T25. Com uma receita praticamente estável, registrando um crescimento de apenas 0,44%, e uma queda de 1,82% no lucro bruto, a empresa viu seu Ebitda crescer em 1,40%. O resultado financeiro negativo teve uma expressiva redução de 25,76%, de R$ 10,5 bilhões para R$ 7,8 bilhões. No entanto, o lucro líquido da companhia sofreu uma queda de 7,2%, caindo de R$ 35,2 bilhões para R$ 32,7 bilhões. Quando se analisa o lucro líquido de R$ 110 bilhões de 2025, uma simples projeção do lucro do 1T26 multiplicado por quatro aponta para um resultado que se aproxima do obtido no ano anterior.
Outro aspecto relevante é que o preço do barril de petróleo estava na faixa de US$ 72 durante o 1T26, mas atualmente varia entre US$ 100 e US$ 110. Thau ressalta que, se a Petrobras adotasse uma política de realinhamento de preços trimestral ou mensal, isso poderia potencializar seu lucro operacional. Contudo, isso depende da evolução do conflito no Oriente Médio. Uma resolução poderia levar os preços do petróleo de volta aos níveis anteriores, entre US$ 65 e US$ 75, mas não seria um processo rápido.
Avaliação Geral do Desempenho da Petrobras
Em um panorama geral, Thau acredita que a Petrobras demonstrou eficiência no primeiro trimestre de 2026. Apesar de um desempenho considerado satisfatório, é possível que alguns investidores tenham se decepcionado com a redução do lucro líquido, um fator que faz parte dos riscos de mercado. O desempenho das ações da Petrobras também merece destaque.
No acumulado do ano, as ações preferenciais da Petrobras (PN) apresentam uma valorização superior a 45%, em contraste com a alta do Ibovespa, que está em torno de 10%. Nos últimos 12 meses, o desempenho das ações da Petrobras também superou o Ibovespa, com uma valorização de 38% contra 27% do índice. Thau aponta que, entre o final de fevereiro e abril, o preço do barril de petróleo saltou de US$ 72 para US$ 104, uma elevação de 44%. Entretanto, as ações da Petrobras subiram apenas 19,4% nesse período, o que sugere que os investidores estão céticos quanto à continuidade do preço do petróleo em níveis elevados no médio e longo prazo.
Desvalorização Recente das Ações da Petrobras
Thau analisa as razões por trás da desvalorização recente das ações da Petrobras. No início do ano até meados de abril, a companhia registrou um fluxo líquido positivo de investimentos estrangeiros. Contudo, a partir da segunda quinzena de abril, houve uma reversão, com a saída de capital estrangeiro. Em maio, até o dia 7, o saldo negativo já alcançava R$ 3,3 bilhões. Essa mudança no fluxo de capital pode ter contribuído para a queda das ações da Petrobras.
Adicionalmente, a desvalorização não se deve apenas à percepção de que as ações estão excessivamente caras. Os investidores parecem estar apreensivos, considerando a possibilidade de que o preço do petróleo não se mantenha alto por muito tempo, o que leva a uma busca por alternativas de investimento, visto que as ações da Petrobras tiveram uma valorização significativa nos meses anteriores.
Avaliação do Preço das Ações da Petrobras
Atualmente, a Petrobras apresenta um índice P/L (preço sobre lucro) de 5,5x, que é razoável para uma empresa do setor de commodities. Em relação ao EV/Ebitda, a empresa se encontra em 3,3x, um valor que também se alinha com o setor. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) da Petrobras apresenta resultados positivos, com um índice de 29,3% no 1T26, em comparação com 26,4% em 2025. Isso indica que o retorno patrimonial melhorou em relação ao ano anterior.
Como o preço do barril de petróleo não deve cair rapidamente de US$ 100 para US$ 70, mas sim de forma gradual, caso a Petrobras ajuste seus preços, isso poderá se refletir em um aumento do lucro operacional, mesmo que os custos de produção aumentem um pouco.
Perspectivas Futuras da Petrobras
Thau aponta que a Petrobras tem potencial para refinar mais petróleo, já que atualmente enfrenta um gargalo nessa área. Ele menciona que a venda de algumas refinarias no passado foi um erro estratégico, assim como a parceria com a Venezuela para a construção de uma refinaria, que não trouxe os resultados esperados. Com a Petrobras refinando cerca de 70% de sua produção, ele sugere que a companhia deveria expandir essa capacidade para 100%. Embora o foco principal da empresa seja a exploração e produção de petróleo bruto, um aumento na capacidade de refino poderia beneficiar significativamente suas operações.
