Elza Soares: voz e resistência que conquistam BH
Elza Soares é uma das artistas brasileiras que mais representa lutas sociais por meio da própria vida. Cantora icônica, sobrevivente e pioneira, ela enfrentou racismo, machismo, violência e preconceitos sem perder a capacidade de se reinventar. Essa complexidade está no centro do musical “Elza”, que volta a Belo Horizonte nos dias 27 e 28 de junho, no Sesc Palladium.
Diferente de biografias tradicionais, a montagem opta por dividir a personagem entre várias intérpretes. Assim, cada uma revela uma faceta da trajetória da artista que atravessou décadas de desafios e conquistas. Para a diretora Duda Maia, essa escolha é fundamental para traduzir a grandeza da cantora.
Fragmentação para revelar múltiplas faces
Segundo Duda Maia, seria impossível representar Elza a partir de um único ponto de vista. “Ela é a voz da superação, da resistência, da representatividade da mulher negra e da denúncia contra a violência doméstica. Reduzir sua história a uma única voz seria apagar sua grandeza”, afirma a diretora.
Desde sua estreia em 2018, o espetáculo já foi assistido por mais de 100 mil pessoas e coleciona prêmios nacionais, como Bibi Ferreira, Shell, APCA, Cesgranrio e Reverência. Passados sete anos, continua despertando identificação e provocando reflexão no público.
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Elza como espelho do Brasil contemporâneo
A atriz mineira Janamô sintetiza a força da cantora: “Elza é uma chave para entender o Brasil atual”. Ela representa fome, racismo, violência de gênero, desigualdade e a reinvenção artística. “A urgência da sua história está no fato de que essas feridas seguem abertas no país”, destaca.
Um grupo de vozes para uma só história
Em cena, sete atrizes dividem a responsabilidade de encarnar essa personalidade marcante. Entre elas, a mineira Júlia Tizumba vê na trajetória de Elza muitas conexões com sua própria vida. “Elza é uma escola de vida e arte que inspira a enfrentar e superar adversidades”, comenta.
Júlia ressalta que, como mulher negra, muitas vezes a sociedade espera submissão, mas a cantora é um farol que impulsiona a potência máxima dessas mulheres. Ela ainda destaca a identificação pessoal com a artista, que concilia carreira e maternidade e desafia padrões impostos.
Eco das dores pessoais no espetáculo
A atriz Sara Chaves também encontra reflexos da vida da cantora em suas experiências pessoais. Para ela, a relação conturbada entre Elza e Garrincha, marcada pelo alcoolismo, é uma das passagens mais impactantes. “Tenho amigos e familiares que sofreram com isso, e a doença afeta todos ao redor”, relata.
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Sara também aponta a luta contra o racismo e a necessidade constante de Elza provar seu talento como temas que ressoam com a vivência de muitas mulheres negras. “Toda mulher preta já enfrentou algo parecido”, exemplifica.
Uma linguagem coletiva que fortalece a narrativa
Mais do que contar uma história individual, o musical busca criar uma experiência coletiva. Para a diretora Duda Maia, o processo de criação foi pautado na escuta e colaboração das atrizes. “Não existe uma linguagem unilateral. Cada voz, sotaque e particularidade constrói o espetáculo”, explica.
Essa pluralidade é a maior força do musical: revelar que a história de Elza não é só dela, mas reverbera em outras mulheres, artistas e em um país que ainda enfrenta os mesmos desafios que marcaram sua trajetória.
