Seminário marca a criação da COMPA em Minas Gerais
Na tarde de sexta-feira (10), a Regional Metropolitana do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Minas Gerais promoveu o seminário de fundação da Cooperativa Camponesa de Produção Agroecológica (COMPA). A iniciativa visa organizar a produção nos territórios da Reforma Agrária do Médio Paraopeba e da região metropolitana de Belo Horizonte, fortalecendo a cooperação, a agroecologia e a comercialização coletiva entre os agricultores.
Cooperativismo como base para o projeto coletivo
O encontro reuniu a coordenação regional do MST e contou com uma formação sobre a importância do cooperativismo e do trabalho conjunto na produção. Para Ewerton Abib, do Setor de Finanças do MST, o cooperativismo representa a construção coletiva de um projeto de Reforma Agrária.
“O cooperativismo é a soma das forças, compartilhar nossos conhecimentos e saberes e, a partir dessa experiência, conseguirmos atingir o objetivo comum, que é materializar um sonho coletivo de Reforma Agrária”, explicou Abib.
Cooperação como pilar histórico do MST
Durante a formação, Fábio Nunes, da Coordenação Nacional do MST em Minas Gerais, ressaltou que a cooperação está presente desde a origem do Movimento. “A primeira relação de cooperação do MST é a ocupação da terra. Essa forma organizativa é o que garante a permanência e a sobrevivência no território, rompendo a lógica do individualismo”, afirmou.
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Ele ainda destacou que a cooperação não é apenas uma união pragmática, mas a construção de novas relações humanas e uma nova consciência política. “A cooperação é o que nos faz exercitar a democracia que tanto sonhamos”, completou.
Estratégias para fortalecer a Reforma Agrária Popular
Ao longo da atividade, foram apresentadas as três dimensões que orientam o cooperativismo no MST: organizativa, econômica e política. A primeira fortalece a organização dos territórios da Reforma Agrária; a segunda foca na organização das cadeias produtivas para garantir a permanência das famílias no campo; e a terceira busca construir hegemonia social por meio de um projeto que produza alimentos saudáveis para o campo e a cidade.
Os participantes reforçaram a importância de estabelecer novas relações humanas e um vínculo sustentável com a natureza, tendo a agroecologia como base para a produção e o desenvolvimento dos territórios.
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COMPA: um modelo alternativo ao agronegócio
A Cooperativa Camponesa de Produção Agroecológica nasce com a proposta de articular os territórios do Médio Paraopeba e da Região Metropolitana de Belo Horizonte em núcleos de produção integrados. O objetivo é consolidar um modelo alternativo ao agronegócio, controlado coletivamente pelos produtores que cultivam os alimentos.
Além da produção de ovos, a cooperativa planeja comercializar frutas e verduras, realizar o beneficiamento e processamento dos alimentos. Também há propostas para ampliar a produção na área de panificação e atividades gastronômicas, que serão organizadas conforme a cooperativa se fortaleça.
Essa criação representa um avanço na organização coletiva e na Reforma Agrária Popular em Minas Gerais, ampliando a capacidade produtiva, a comercialização e a cooperação entre os territórios do MST na região metropolitana.
