Orgulho e Resistência LGBTQIAPN+ na Terra de Minas Gerais
O 28 de junho é marcado mundialmente como um símbolo da resistência da população LGBTQIAPN+, data que celebra a luta pela vida, dignidade e o direito de existir. Em Minas Gerais, essa resistência floresce também na terra, nos assentamentos, nas cooperativas e nos espaços de organização da Reforma Agrária Popular.
As pessoas LGBTQIAPN+ têm presença histórica e ativa nos acampamentos, produzindo alimentos, coordenando cooperativas, organizando juventudes, atuando na comunicação e na saúde, além de fortalecerem a cultura local. Neste dia especial, trabalhadores, estudantes, militantes e dirigentes reafirmam que a luta pela terra está intrinsecamente ligada ao direito fundamental de existir com dignidade.
União e Organização Frente aos Desafios Atuais
Josimar, da Direção Estadual do MST em Minas Gerais, destaca que a população LGBTQIAPN+ sempre fez parte dos processos de organização popular no campo. Segundo ele, em tempos de ataques aos direitos de trabalhadores, mulheres, pessoas negras e LGBTQIAPN+, a unidade e a esperança são essenciais para resistir.
“Nossos corpos, enquanto sujeitos de luta, atuam em defesa da agroecologia e da soberania alimentar. A Reforma Agrária Popular é também a nossa luta cotidiana”, afirma Josimar, reforçando que a mobilização coletiva é o caminho para a transformação social.
Juventude LGBTQIAPN+: Presença e Desafios no Campo
A juventude é protagonista nos territórios e espaços de direção. Ana Júlia, da Direção Estadual da Juventude de Minas Gerais, ressalta que a transformação social passa pelo direito de ser quem se é, enfrentando o desafio de conquistar o lugar de direito em espaços ainda repletos de preconceito.
Ela alerta para a importância da renovação geracional: “A juventude não é só o futuro, é o agora. Qual juventude do seu território assumirá as tarefas que você exerce hoje?”
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Cooperativas e Produção: Espaços de Respeito e Dignidade
Everton Abib, da Coopertrac, defende que os ambientes de trabalho no campo devem garantir respeito e igualdade, combatendo discriminações e reconhecendo identidades, como o direito ao nome social. Espaços acolhedores são essenciais para a construção de lideranças e para valorizar as diferentes formas de produção da vida no campo.
Rodrigo, do Café Guaí, destaca que a ocupação dos espaços produtivos é uma forma de romper com o estigma de que o campo não pertence à população LGBTQIAPN+. Para ele, a representatividade fortalece a permanência e incentiva outras pessoas a ocuparem esses locais sem medo.
Solidariedade e Cuidado Coletivo nos Territórios
Pollyana, da coordenação do Mãos Solidárias, ressalta que as redes de apoio são fundamentais para assegurar dignidade, respeito e segurança às pessoas LGBTQIAPN+. Ela reforça que ninguém deve enfrentar o preconceito sozinho e que a diversidade é uma riqueza essencial para a construção de territórios acolhedores.
Para Pollyana, a transformação social depende do respeito à diversidade e da igualdade de direitos, pilares fundamentais para a convivência pacífica e justa.
Cultura e Comunicação: Fortalecendo Identidades e Quebrando Preconceitos
Kauan, jovem do Sul de Minas e integrante do Coletivo de Cultura, destaca o papel da arte — música, dança, teatro, poesia — na valorização das identidades LGBTQIAPN+ e na construção de pertencimento nos territórios. A arte aproxima pessoas e ajuda a criar ambientes mais acolhedores tanto no campo quanto na cidade.
Lua, também do Coletivo de Cultura do MST, reforça que a cultura popular tem caráter emancipador, expressando a diversidade de corpos, vozes e histórias que formam a identidade Sem Terra. Ela vê a prática artística como um processo de emancipação humana e organização coletiva.
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Já na comunicação popular, Dowglas, estudante de Agronomia e militante, destaca a importância de visibilizar as experiências da população LGBTQIAPN+ no campo para combater preconceitos e fortalecer autoestima.
Saúde Integral: Um Direito que Vai Além do Consultório
Gustavo Rodrigues, médico popular trans e militante do MST, compartilha que a vivência da transição de gênero ampliou sua percepção sobre as barreiras enfrentadas pela população LGBTQIAPN+. Para ele, a saúde envolve garantir o direito de existir com dignidade nos territórios, respeitando o nome social e assegurando acesso à terra e ao trabalho.
Segundo Gustavo, cuidar é um ato político e de solidariedade, essencial para que todas as pessoas possam viver e envelhecer com saúde integral e respeito.
Corpos Livres para Construir Territórios Livres
Edilene Cenourinha, do Vale do Rio Doce, reforça que a organização coletiva e a formação política são fundamentais para afirmar as existências LGBTQIAPN+ nos territórios e fortalecer as trincheiras da diversidade. Para ela, a responsabilidade pela construção de uma sociedade livre de opressões é coletiva e envolve todas as pessoas.
Orgulho Que Floresce na Luta Popular
Dia 28 de junho representa mais que resistência: é o orgulho que cresce nos assentamentos, cooperativas, escolas e coletivos de juventude. Em Minas Gerais, pessoas LGBTQIAPN+ seguem firmes na produção de alimentos, na formação de jovens, na construção cultural e na comunicação dos territórios, fortalecendo a Reforma Agrária Popular.
Em meio a episódios de violência e retirada de direitos, essas histórias mostram que a esperança é construída coletivamente. O orgulho nasce da vida que insiste em florescer, da solidariedade que une territórios e da certeza de que ninguém constrói o futuro sozinho. Porque existir é também semear. E quem semeia esperança, colhe futuro.
