Aliança estratégica para terras raras em Minas Gerais
A mineradora australiana Meteoric Resources anunciou a assinatura de um memorando de parceria estratégica (MOU) com a sul-coreana Posco International para o fornecimento parcial da produção do seu projeto de terras raras em Minas Gerais. Pelo acordo, a Posco poderá adquirir até 30% do volume extraído da mina por até sete anos, sujeito a negociações comerciais, due diligence e aprovações internas.
Posco International e o interesse em minerais críticos
A Posco International é a divisão de comércio e investimentos do Posco Group, um dos maiores conglomerados industriais da Coreia do Sul, presente em setores como aço, energia, materiais para baterias, minerais críticos e infraestrutura. O memorando não define preço para as terras raras, mas indica que o valor inicial será baseado nos índices da empresa chinesa Asian Metal.
Além da compra, a Posco avalia adquirir participação acionária na Meteoric e apoiar a estruturação financeira do projeto no Brasil, com possibilidades de acesso a recursos de agências de crédito à exportação da Coreia do Sul, como o Export-Import Bank of Korea (Kexim) e a Korea Trade Insurance Corporation (K-Sure).
Contexto de cooperação Brasil-Coreia na cadeia de minerais críticos
O anúncio do memorando ocorre em momento de aproximação na agenda de minerais críticos entre Brasil e Coreia do Sul. Na mesma semana, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Lee Jae Myung firmaram acordo para desenvolver a cadeia de suprimentos do setor e avançar na transição energética.
“O Brasil é um dos principais detentores dos minerais críticos. Hoje, concordamos em ampliar a cooperação em todo o ciclo de vida desses minerais, criando uma base estável de oferta e fortalecendo a cooperação mútua”, afirmou Lee Jae Myung no Palácio da Alvorada.
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Projeto Caldeira: potencial para produção comercial em 2028
A Meteoric desenvolve o Projeto Caldeira, localizado nas cidades de Caldas e Poços de Caldas, Minas Gerais, que reúne os quatro elementos de terras raras mais valorizados industrialmente. Atualmente, o empreendimento está em fase de projeto-piloto, com testes para viabilizar a produção em escala comercial, prevista para começar em 2028.
Para avançar, a empresa precisa concluir o licenciamento ambiental e o estudo de viabilidade econômica definitivo (DFS), que detalha investimentos, custos e retorno esperado. A planta terá capacidade para processar 6 milhões de toneladas de minério por ano, produzindo cerca de 14 mil toneladas de carbonato misto, material chave para a fabricação de ímãs permanentes e componentes tecnológicos.
Contratos de offtake e busca por financiamento
Antes do acordo com a Posco, a Meteoric firmou dois contratos não vinculantes de offtake para 3 mil toneladas anuais de óxidos, com a canadense Ucore Rare Metals e a estoniana Neo Performance Materials, que atuam em plantas de separação e produção de super-ímãs, respectivamente. Esses contratos representam cerca de 40% da produção estimada.
Para viabilizar a construção da planta industrial, a empresa busca também financiamento em dívida e equity estimado em US$ 440 milhões (aproximadamente R$ 2,25 bilhões).
Brasil no radar global para terras raras
O depósito brasileiro de terras raras desperta interesse internacional, especialmente para países que desejam reduzir sua dependência da China, que domina o mercado e controla preços. Além de ter reservas expressivas, o Brasil possui elementos concentrados em argila iônica, que facilita a extração e minimiza impactos ambientais.
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É nesse tipo de material que estão as reservas da Serra Verde, recentemente adquiridas pela americana USA Rare Earth, única mina brasileira em operação, onde o governo dos EUA pretende se tornar sócio.
Desafios e oportunidades na cadeia de valor das terras raras
Além da mineração, as terras raras exigem etapas complexas de processamento e manufatura para agregar valor, especialmente na separação dos elementos e produção de metais de alta pureza, processos que demandam tecnologia avançada e investimentos elevados.
O memorando entre Posco e Meteoric sinaliza a intenção da Coreia do Sul de construir uma cadeia integrada de fornecimento, em parceria com Brasil e Estados Unidos. A Posco mantém joint venture com a americana ReElement Technologies para produzir óxidos separados de terras raras e ímãs permanentes nos EUA.
A parceria prevê ainda cooperação tecnológica para desenvolver a indústria de terras raras no Brasil, por meio da troca de conhecimento e avaliação de novas oportunidades para agregar valor aos minerais extraídos. No entanto, a Meteoric não detalhou quais tecnologias serão desenvolvidas nem confirmou a instalação de uma planta de refino no país.
Perspectivas para o setor mineral brasileiro
O governo Lula reforça que a exploração de terras raras no Brasil deve caminhar junto com o desenvolvimento de uma indústria capaz de processar esses elementos e produzir bens de maior valor agregado. Um projeto de lei com a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos foi aprovado pela Câmara e está em análise no Senado, apontando para avanços na regulação do setor.
