Produção Agroecológica em Expansão
Durante a VI Feira da Reforma Agrária, mais de 60 tendas vermelhas, repletas de clientes e alimentos cultivados em territórios do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), evidenciaram o crescimento constante da produção agroecológica no estado de Minas Gerais. Ao longo dos anos, essa iniciativa tem ganhado espaço, reafirmando que é possível produzir alimentos saudáveis em grande escala, desafiando a visão de que essa prática se limita a pequenos produtores.
Desafios Estruturais e Políticos
Tomás Alvarenga, agrônomo e coordenador técnico da cooperativa mineira Coopertrac, destaca que o principal obstáculo para ampliar a produção agroecológica não está na capacidade dos agricultores familiares, mas em fatores políticos. “A produção de alimentos saudáveis em escala, feita de forma agroecológica, é viável. O grande gargalo é político, relacionado a financiamento e educação”, explica.
Ele também ressalta a questão da recuperação dos solos degradados pelos monocultivos e o uso exagerado de agrotóxicos. “Os solos ficam viciados, mas com tempo, paciência e práticas como a agrofloresta, é possível recuperar a fertilidade. O problema maior está na disparidade do financiamento público: o agronegócio recebe bilhões do Ministério da Agricultura, enquanto a agricultura familiar conta com uma parcela mínima do Ministério do Desenvolvimento Agrário”, aponta Tomás.
Educação e Produção Cooperativada
O Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera) é destacado como fundamental para a formação na pedagogia agroecológica. Contudo, Tomás alerta que as políticas públicas atuais não têm o alcance necessário para formar o número de pessoas que o modelo agroecológico exige em âmbito nacional.
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Paula Ribeiro, dirigente do setor de produção do MST e coordenadora da Concentra, reforça que a massificação da agroecologia depende da cooperação entre as famílias agricultoras. “A diferença está na produção cooperativada. Precisamos de mais famílias envolvidas e de um nível de consciência elevado. Massificar agroecologia é massificar a cooperação”, afirma.
Ela exemplifica esse avanço com a comercialização de 60 toneladas de feijão pelas cooperativas em Minas Gerais no último ano, número que cresce ao considerar produtores ainda não cooperativados. Sobre os desafios técnicos, Paula destaca a importância da mecanização adaptada e do uso de bioinsumos. “Só o trabalho manual não é suficiente. A mecanização precisa acontecer, mas com maquinário adequado às condições das famílias, por isso há parcerias com fábricas de tratores e universidades chinesas”, conta.
Biofábricas e Tecnificação para a Agroecologia
Paula também ressalta o papel das biofábricas nos territórios do MST para a produção em larga escala de bioinsumos, essenciais para a saúde das plantações. “Para produzir em massa, é preciso fabricar nossos próprios bioinsumos”, afirma.
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O MST, junto a organizações internacionais, desenvolve a IARAA (Inteligência Artificial da Reforma Agrária), uma ferramenta digital que auxilia os produtores familiares com informações sobre plantio, doenças e associações, além de oferecer suporte em metodologias de trabalho coletivo. Essa tecnologia social fortalece o controle das informações pelos próprios produtores, evitando a dependência das grandes empresas de tecnologia.
Uma Estratégia Ambiciosa para Enfrentar a Crise Ambiental
Desde o início do século, o MST tem investido na difusão da agroecologia como alternativa viável ao modelo do agronegócio, que gera crise ambiental e limita o acesso a alimentos saudáveis. A estratégia atual integra produção em massa e agroindústria, mostrando que é possível aliar tecnologia e práticas tradicionais para produzir saúde e alimento em grande escala.
Na VI Feira da Reforma Agrária, o público pôde ver como tratores, ferramentas digitais, enxadas e facões caminham juntos nessa transformação, promovendo não só a sustentabilidade ambiental, mas também gerando impacto econômico positivo para os agricultores familiares e consumidores em Minas Gerais.
