Ativistas relatam perseguições e violência contra palestinos
“Palestina livre do rio ao mar” foi o lema que abriu a audiência pública promovida pela Comissão de direitos humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) na tarde de quarta-feira (12/8/26). No auditório José Alencar, ativistas da causa palestina relataram casos de sanções jurídicas, demissões, prisões, torturas e assassinatos sofridos por aqueles que denunciaram práticas violentas contra palestinos e palestinas.
O deputado Leleco Pimentel (PT), que solicitou a reunião, destacou que há registros de perseguições a ativistas em países como Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido e França. Segundo ele, as retaliações são justificadas sob o pretexto de combater o antissemitismo.
Casos emblemáticos de repressão
Entre as vítimas está o médico Hussam Abu Safiya, diretor do Hospital Kamal Adwan, na Faixa de Gaza. Conforme a diretora do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), Juliana Carvalho, ele foi preso e torturado por ordens do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.
A ativista Amanda Marzall, integrante da Global Sumud Flotilla, foi a 18ª prisioneira dentre cerca de 600 pessoas detidas enquanto tentavam levar medicamentos e insumos hospitalares à Palestina. Em depoimento que emocionou e recebeu aplausos, ela relatou que quase cem barcos da flotilha foram sequestrados e roubados.
Leia também: Tarifaço nos EUA: Candidato do PL em Minas critica governo Lula e alerta para impacto na indústria
Leia também: Concurso do IFSULDEMINAS para Técnico em Agropecuária com 2 Vagas em Inconfidentes
Além da privação de sono e água, os ativistas sofreram abusos como estupros e outras violações. Marzall questionou o motivo de tal ofensiva, já que o grupo carregava mochilas com brinquedos, materiais escolares e itens de higiene doados por estudantes sensibilizados com a causa palestina.
Contexto político e repercussões
O presidente do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU), José Maria de Almeida, afirmou que “é preciso acabar com o Estado de Israel para acabar com o genocídio que ocorre há 78 anos”. Ele esclareceu que o fim do Estado de Israel não significa o extermínio do povo judeu, assim como o fim do apartheid não foi a morte dos brancos. Em abril de 2026, José Maria foi condenado pela justiça brasileira a dois anos de prisão domiciliar por criticar as ações militares israelenses.
Ahmed Shehada, presidente do Instituto Brasil-Palestina (Ibraspal), ressaltou que “defender os direitos do povo palestino não é crime, denunciar o genocídio não é discurso de ódio, mas um dever moral e humanitário”. Ele lembrou que as críticas ao regime político sionista são parte do debate acadêmico e jurídico há décadas e não podem ser criminalizadas.
Leia também: Azul Viagens expande em Minas Gerais e São Paulo com 12 novas lojas no interior
Leia também: Escuta Protegida em Minas Gerais: Avanços e Desafios na Proteção de Crianças e Adolescentes
Dados sobre o conflito e ações na ALMG
Leleco Pimentel apresentou dados alarmantes: mais de 73 mil pessoas foram mortas em Gaza, mais de 11 mil estão desaparecidas, quase 350 mil unidades habitacionais sofreram danos e cerca de 100 mil foram completamente destruídas.
O deputado também recordou que o tema já foi tratado na ALMG em eventos como o Grande Ato de Solidariedade e Denúncia do Genocídio, em julho de 2024, e na audiência do Dia da Terra Palestina, em março de 2025. Ele anunciou a intenção de solicitar ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) a retirada do Projeto de Lei Federal 1.424/26, que pretende equiparar o antissemitismo ao racismo.
Leleco alertou que a aprovação dessa proposta poderia criar base legal para punir manifestações como a do ativista Zé Maria, comprometendo-se a encaminhar nota de repúdio à condenação do sindicalista. “Viva a luta do povo que luta pela luta do povo palestino”, concluiu.
