Parlamento francês vota taxa sobre transações de criptomoedas para stablecoins
O parlamento da França aprovou por um voto apertado uma proposta que estabelece uma taxa de 31,4% sobre os ganhos obtidos em transações que envolvam a troca de criptomoedas por stablecoins. A medida, aprovada em 16 de outubro pela Assembleia Nacional, pode modificar o atual regime fiscal aplicável a esses ativos digitais, aproximando essas operações do imposto sobre ganhos de capital.
A emenda I-3898, vinculada ao orçamento de 2027, recebeu 38 votos favoráveis contra 37 contrários, além de 25 abstenções. A votação segue o parecer da comissão de finanças, que já havia aprovado a proposta anteriormente. As regras propostas entrariam em vigor a partir de 1º de janeiro de 2027, ainda sujeitas a outras etapas parlamentares e possíveis ajustes até se tornarem lei.
Impactos e controvérsias na tributação das stablecoins
Atualmente, as trocas entre criptomoedas sem movimentação financeira adicional contam com diferimento fiscal, ou seja, a tributação sobre ganhos é postergada. Com a nova emenda, essa postergação seria eliminada para transações envolvendo tokens de e-money, conforme definido pela regulamentação da União Europeia para Mercados de Criptoativos (MiCA). Isso significa que os investidores poderão ser tributados mesmo sem converter os ativos digitais em moeda tradicional.
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Especialistas alertam para possíveis efeitos negativos na negociação desses ativos. François Volpoet, diretor regional da Chainalysis na França, destacou que a mudança pode incentivar o uso de plataformas descentralizadas, transações peer-to-peer e exchanges offshore, que não estão sujeitas às normas internacionais de reporte fiscal.
Durante o debate parlamentar, o Ministro das Contas Públicas, David Amiel, questionou a viabilidade da aplicação da emenda e recomendou sua retirada, enfatizando a necessidade de definir claramente o que são stablecoins e garantir mecanismos eficazes para monitorar as movimentações dentro dos portfólios de ativos digitais.
Por sua vez, o relator geral da comissão de finanças, Philippe Juvin, defendeu a manutenção do diferimento fiscal, citando a volatilidade das criptomoedas como um fator que justifica a postergação da tributação.
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Alteração no cálculo dos ganhos de capital
A proposta também prevê substituir o atual método de cálculo dos ganhos de capital, que considera o portfólio global de ativos, por um sistema baseado no custo médio ponderado das unidades da mesma criptomoeda adquiridas a preços diferentes. Essa mudança busca trazer maior precisão e justiça na tributação dos investidores.
O desenvolvimento dessa legislação poderá alterar significativamente o ambiente fiscal para investidores em criptomoedas na França, com impacto direto nas estratégias de negociação e gestão de ativos digitais.
